
Entre montanhas, parreirais e o som envolvente da tradicional tarantela, Santa Teresa, na Serra do Espírito Santo, preserva uma herança italiana que atravessa gerações e ajuda a explicar o segredo de um bom vinho. É nesse cenário que a tradicional pisa da uva ganha vida, unindo história, cultura e técnica na produção de rótulos que se destacam pela acidez equilibrada e ausência de amargor.
Reconhecida como a primeira cidade brasileira colonizada por italianos em acordo oficial entre os governos do Brasil e da Itália, Santa Teresa transformou a tradição em uma experiência turística e gastronômica que atrai visitantes durante todo o ano. Mais do que um passeio, a vivência revela como o cuidado com a matéria-prima, o respeito ao tempo da produção e a preservação dos costumes são ingredientes essenciais para a qualidade do vinho.
Segundo o secretário municipal de Turismo e Cultura, Ronald Rodrigues, o município vem se consolidando como um dos principais destinos turísticos do Espírito Santo, especialmente no segmento de enoturismo.

"Santa Teresa tem se consolidado no turismo no estado do Espírito Santo e também em nível nacional. A partir de 2021, reformulamos o calendário de eventos e criamos o calendário de estações, permitindo atividades durante o ano todo, de janeiro a janeiro, o que ampliou o fluxo de turistas na cidade", explicou.
O crescimento do turismo também impulsionou a criação de novos roteiros e experiências ligadas à cultura italiana e ao vinho.
"Hoje temos oito roteiros consolidados na cidade, com a previsão de chegar a dez até o final da gestão em 2028. Entre as experiências mais procuradas está a pisa da uva, oferecida dentro do Circuito Caravaggio, um dos roteiros mais conhecidos do município", afirmou.
No Vila Carvalho, a tradição ganha ainda mais força. A embaixadora da uva e do vinho, Marília Botelho, destaca que a experiência vai além da degustação e se torna uma imersão completa na cultura local.
"Aqui no Vila Carvalho queremos manter essa tradição. A experiência permite que a pessoa realmente pise a uva, prove o vinho da região e ainda vivencie a gastronomia local, com polenta e ragu de linguiça artesanal", disse.
Para ela, manter viva essa herança é também preservar a identidade de Santa Teresa.
"Essa tradição surgiu na Itália, com os imigrantes que produziam seu próprio vinho, e aqui seguimos preservando isso porque Santa Teresa é a primeira cidade colonizada por italianos no Brasil", ressaltou.
Em Santa Teresa, a receita de um bom vinho vai além das uvas e da técnica. Ela está na história de um povo, no ritual passado entre gerações e na paisagem da Serra capixaba, que transforma cada taça em uma experiência de sabor, memória e tradição.
