
O pão de queijo é mesmo um pão?
Algumas respostas na internet são inconclusivas. Aquele famoso "sim" e "não". Fomos tentar entender se faz sentido. E não é que descobrimos que a gente já teve que se explicar para os gringos?
"Foi uma surpresa muito grande para mim ver que lá fora ele não era pão, que as pessoas o viam apenas como um petisco, um acompanhamento de um prato, uma entrada de uma coisa", conta Vani Pedrosa, especialista em Pesquisa Gastronômica do Senac em Minas.
Isso aconteceu quando o pão de queijo foi entrar num catálogo internacional de pães ligado à Rede de Cidades Criativas da Unesco.
Vani ajudou a responder vários questionários explicando por que ele merecia estar ali. E dessa busca por argumentos começou uma viagem pela história do pão de queijo.
"Cabia a nós mesmo, mineiros, provarmos que ele era um pão. Principalmente porque a base dele, de acordo com o contexto inicial do pão, é uma farinha, os umectantes e uma fonte de calor", diz Vani.
O pão é um alimento ancestral. E existe nas mais variadas formas. O pão de queijo é só mais uma. Surgiu da fusão entre culturas em Minas Gerais. A raiz: o beiju indígena.
Mas as primeiras versões do que conhecemos hoje teriam aparecido no século 18. Como resultado, de acordo com pesquisadores, da mistura do polvilho a sobras da produção de queijo.
"Para onde abriu Minas Gerais, o gado foi. Então tinha queijo em todos os pequenos produtores, fazendas. Todos os lugares tinham uma vaquinha no quintal que se fazia queijo. Era a mesma coisa que tinha mandioca e polvilho em todos os lugares", afirma a especialista.
É que naquela época, segundo Vani, o trigo não era tão comum. E o pão de queijo acabou sendo feito com o que estava mais perto. Do nosso "jeitin". Virando, mais do que uma receita diversa, uma identidade.
"Ele vem de uma origem natural. Ele é um pão indígena, que a gente trouxe e preservou esse pão, aprimorando esse pão."
Então, se um dia alguém te perguntar, você já sabe: "Para a gente, ele é muito mais que um pão. Ele é o nosso pão", diz Vani.