O chocolate está entre os alimentos mais consumidos do mundo e faz parte do cotidiano de milhões de pessoas. Seja em barras, sobremesas ou bebidas, ele atravessou séculos até chegar ao formato atual. Mas como é feito o chocolate e o que explica sua popularidade global?
A produção envolve um processo longo, que começa no campo e termina na indústria. Ao mesmo tempo, o consumo mundial e brasileiro passa por transformações, impulsionadas por fatores como preço, qualidade e novos hábitos alimentares.
Segundo dados recentes da Euromonitor, o mercado global de chocolate movimenta mais de US$ 130 bilhões (R$ 677.768.000.000,00) por ano, com cerca de 7,4 milhões de toneladas vendidas anualmente . Apesar disso, o setor enfrenta oscilações: o consumo global apresentou leve queda nos últimos anos, pressionado principalmente pelo aumento do preço do cacau.
Como começa a produção do chocolate
O iG foi convidado para ir até a fábrica da Cacau Show e entender como é todo o processo de produção do chocolate.
Tudo começa com o cacau, fruto do cacaueiro, uma árvore típica de regiões tropicais. O cultivo está concentrado principalmente na África Ocidental, responsável por cerca de 65% da produção mundial.
Países como Costa do Marfim e Gana lideram esse mercado. Já o Brasil também tem papel relevante, com produção anual próxima de 300 mil toneladas de amêndoas .
Dentro do fruto do cacau estão as sementes que darão origem ao chocolate. Elas são retiradas manualmente e passam por etapas essenciais para o desenvolvimento do sabor.
Fermentação do cacau: etapa essencial
A fermentação é uma das fases mais importantes da produção do chocolate. As sementes são armazenadas em caixas ou cobertas por folhas, onde permanecem por dias.
Esse processo ativa reações químicas que reduzem o amargor e desenvolvem o aroma característico do chocolate. Sem essa etapa, o produto final não teria o sabor conhecido.
Secagem e transporte das amêndoas
Após a fermentação, os grãos são secos ao sol. Essa etapa reduz a umidade e evita a formação de fungos.
A secagem pode levar vários dias e exige controle constante. Depois disso, o cacau é embalado e enviado para fábricas ao redor do mundo.
Torrefação e moagem: transformação industrial
Nas indústrias, os grãos passam pela torrefação, que intensifica o sabor e facilita a retirada da casca.
Em seguida, são triturados até formar a chamada massa de cacau. Esse produto é a base para todos os tipos de chocolate.
A partir dessa massa, é possível separar:
- manteiga de cacau (gordura)
- pó de cacau
Esses ingredientes serão combinados de diferentes formas para criar diversos produtos.
Conchagem e temperagem: textura perfeita
A conchagem é o processo responsável pela textura cremosa do chocolate. A mistura é aquecida e mexida por horas, eliminando acidez e refinando o sabor.
Já a temperagem controla a cristalização da manteiga de cacau. Isso garante brilho, consistência e evita manchas esbranquiçadas.
Moldagem: etapa final do chocolate
Depois de pronto, o chocolate líquido é colocado em moldes. Ele pode assumir diversas formas, como barras, bombons ou ovos.
Após o resfriamento, o produto é embalado e distribuído.
Consumo de chocolate no mundo: o que dizem os dados
O chocolate continua sendo um dos produtos mais populares globalmente, mas o consumo tem passado por mudanças.
Segundo dados da ICCO (Organização Internacional do Cacau), a Europa concentra cerca de 40% a 45% da demanda mundial de cacau, sendo a principal região consumidora. No entanto, dados recentes indicam queda na moagem de cacau, sinalizando redução no consumo industrial.
Um dos principais fatores é o aumento do preço da matéria-prima, que atingiu níveis históricos nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, cresce uma tendência global: consumir menos volume, mas com mais qualidade. Chocolates premium, com maior teor de cacau, ganham espaço no mercado.
Consumo de chocolate no Brasil
O Brasil está entre os maiores consumidores de chocolate do mundo, figurando entre os cinco principais mercados.
O consumo médio no país varia entre 3,5 kg e 3,9 kg por pessoa ao ano.
Além disso:
- cerca de 59% dos brasileiros gostam de chocolate
- aproximadamente 41% consomem o produto semanalmente
O chocolate ao leite ainda lidera a preferência nacional, reforçando o perfil de consumo mais voltado para sabores doces.
Alta de preços impacta consumo
Nos últimos anos, o consumo de chocolate no Brasil foi impactado pela alta dos preços.
Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam:
- aumento de cerca de 24,7% no preço do produto
- queda de aproximadamente 19% no consumo dentro de casa em 2025
Esse cenário fez com que consumidores optassem por porções menores ou reduzissem a frequência de compra.
Mesmo assim, o mercado segue resiliente. A expectativa é de crescimento de cerca de 2,9% no volume total comercializado.
Tipos de chocolate e diferenças
A partir do mesmo processo de produção, surgem diferentes tipos de chocolate:
- Amargo: maior concentração de cacau
- Meio amargo: equilíbrio entre sabor e doçura
- Ao leite: mais doce e popular no Brasil
- Branco: feito com manteiga de cacau, sem sólidos
Cada tipo atende a diferentes preferências e usos culinários.
Do campo à indústria: uma cadeia global
A produção de chocolate envolve uma cadeia complexa, que conecta agricultores, indústrias e consumidores.
Hoje, além das grandes marcas, cresce o movimento “bean to bar”, que valoriza a origem do cacau e processos mais artesanais.
Essa tendência reforça a busca por qualidade, sustentabilidade e transparência na produção.
Por que o chocolate continua tão popular
Mesmo diante de oscilações no consumo e aumento de preços, o chocolate mantém sua relevância.
O alimento combina fatores que explicam sua popularidade:
- sabor e prazer sensorial
- tradição cultural
- versatilidade no consumo
- forte apelo emocional
Mais do que um doce, o chocolate representa um produto que atravessa gerações e se adapta às mudanças do mercado.