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Produtores tentam provar que o vinho argentino está entre os melhores do mundo e têm mercado brasileiro como alvo prioritário

Os vinhos argentinos foram degustados às cegas para não influenciar a avaliação dos jurados
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Os vinhos argentinos foram degustados às cegas para não influenciar a avaliação dos jurados
No mundo inteiro os vinhos argentinos vêm ganhando destaque. Nos últimos dez anos eram 81 países consumidores – hoje, passaram a 125 e o volume de exportações foi multiplicado por cinco. No mercado importador de vinhos no Brasil, a Argentina ostenta a segunda posição (é o 7º maior exportador no mundo). Só perde para o Chile.

Mas embora os vinhos melhores e mais caros estejam vendendo cada vez mais, a Wines of Argentina (entidade que congrega 200 dos principais produtores do País vizinho, responsáveis por 95% do total exportado) resolveu montar uma estratégia para divulgar as linhas de rótulos melhores e mais caros.

A organização decidiu reposicionar sua marca, mudou a apresentação gráfica e identidade visual. Uma pesquisa realizada no ano passado soou um sinal de alerta. Seus vinhos não eram associados pelo consumidor brasileiro ao top do mercado. Para o paladar nacional médio, vinho bom, bom mesmo, é francês ou italiano.

“A percepção da qualidade dos vinhos argentinos ainda não está consolidada”, afirma Magdalena Pesce, responsável pelo mercado brasileiro na Wines of Argentina.

Por isso, a entidade resolveu mostrar que também é capaz de fazer rótulos excepcionais como os do velho mundo. Em paralelo, quer colar na percepção do consumidor brasileiro que o vinho faz parte da identidade nacional, como o tango, por exemplo. E enfatizar a cultura argentina “de herança europeia e raízes latinas”.

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Vinhos argentinos ganham espaço no mercado
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Vinhos argentinos ganham espaço no mercado
O mercado brasileiro é importante para a Wines of Argentina. Somos o terceiro maior importador deles. No ano passado foram US$ 54 milhões (descontados os impostos). Mas ainda é pouco se comparado aos US$ 226 milhões exportados para os EUA, o principal consumidor.

Segundo Magdalena, comparando 2009 com 2010, as exportações para o Brasil tiveram um crescimento de 39,6% em valor, o dobro da média. Houve um aumento de 12,3% no preço médio da caixa de 9 litros (12 garrafas), que chegou a US$ 28,29. E o volume vendido teve um impulso de 24,3%. Não é pouca coisa.


“No primeiro quadrimestre de 2011 (janeiro a abril), o Brasil não se destaca apenas pelas taxas de crescimento da venda de vinho, mas também porque os volumes vendidos estão em seus máximos históricos para um primeiro quadrimestre”, afirma Magdalena. O País foi, justamente, para onde as vendas mais subiram no período entre todos os mercados importadores (32,2%).

E dentro da estratégia de considerar o Brasil um mercado estratégico, a Wines of Argentina vai colaborar com o São Paulo Restaurant Week , que ocorrerá entre 5 e 18 de setembro. Serão oferecidos descontos às importadoras para serem repassados aos consumidores de, no mínimo, 20%.

Trabalho de divulgação

Entre as principais atividades da Wines of Argentina está a realização de feiras, tours e degustações organizadas. A última iniciativa foi a contratação do crítico especializado Marcelo Copello, referência nacional sobre o assunto, para promover uma série de jantares e degustações por aqui.

Ele montou dois tipos de apresentações em diversas capitais brasileiras, como Salvador, Florianópolis, Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro. Uma para o público mais especializado, com degustações de vinhos ícones. Outra de divulgação para leigos, menos técnica, como a palestra “Vinho e Tango”, realizada em Salvador, em que Copello discorreu sobre as origens do tango, estilos e traçou paralelo com a uva Malbec, casta emblemática da vinicultura argentina.

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Outras ações direcionadas para críticos e conhecedores foi realizada, por exemplo, no restaurante Oro , no Rio de Janeiro. A idéia era mostrar que os grandes vinhos argentinos são comparáveis aos melhores do mundo. E enfatizar a boa relação qualidade-preço.

Na mostra da força da produção argentina, contudo, ficaram faltando alguns nomes. O principal foi o da vinícola Catena , a mais conhecida fora do País.

No jantar do Oro, foram apresentados dez vinhos top disponíveis no Brasil em uma degustação às cegas. Ou seja, sem que se saiba o que está sendo provado para não influenciar a avaliação. Isso não impediu, contudo, que o campeão da noite tenha sido o mais caro, o Bramare Malbec 2007 ( Viña Cobos ), feito pelo famoso enólogo norte-americano Paul Hobbs. Segundo Copello, um “Malbec de manual”.

O segundo lugar, porém, foi um dos mais baratos -- o Malbec Single, da Trapiche , que custa um terço do preço do primeiro colocado.

Confira abaixo a lista dos vinhos provados no evento no Rio de Janeiro, com a colocação na degustação, safra, preço e importadora.

Bramare Malbec 2007 , Viña Cobos (Grand Cru) – R$ 395
Malbec Single Vineyard Viña Fausto Orellana de Escobar 2007 , Trapiche (Interfood) – R$ 136,90
Finca Bella Vista 2007 , Achaval Ferrer (Inovini) – R$ 350
Icono 2006 , Luigi Bosca (Decanter) – R$ 373,35
Cheval des Andes 2006 , Cheval des Andes (LVMH) – R$ 320
Alpha Crux blend 2004 , O. Fournier (Vinci) – R$ 134,94
Special Blend 2007 , Bodega del Fin del Mundo (Obra-prima) - R$ 160
Felipe Rutini 2004 , Bodega La Rural (Zahil) – R$ 379
Yacochuya 2006 , San Pedro de Yacochuya (Grand Cru) – R$ 232
10º Alta Vista Alto 2006 , Alta Vista (Épice) – R$ 260

É importante notar que os vinhos argentinos, assim como os chilenos, se beneficiam de serem feitos no Mercosul. Assim, tem uma isenção de tarifa de importação, o que faz que cheguem aqui menos caros do que os similares de outros países.

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