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Feita em Itapetininga, Cachaça Mulata possui selo orgânico e produção sustentável

Cachaça Mulata: orgânica e sustentável
Rita Grimm
Cachaça Mulata: orgânica e sustentável
A certificação orgânica exige que, para a cana-de-açúcar ser classificada como tal, o terreno onde ela foi plantada esteja livre de agrotóxicos deixados por antigas culturas. Esse processo de "purificação" da terra pode demorar até 5 anos. Na Fazenda Flora do Pinhal, localizada em Itapetininga, a 170km da capital, a espera para transformar a antiga pastagem em solo limpo foi de 2 anos. O proprietário e diretor técnico Julian Salas preparou antigas pastagens para o plantio de cana-de-açúcar com 100% de manejo orgânico, isto é, sem a utilização de insumos químicos ou transgênicos. Os três alqueires selecionados foram cultivados com leguminosas com o objetivo de tratamento, variando e renovando os componentes do solo. Primeiro passo dado, as matrizes, assim chamadas as primeiras mudas orgânicas, chegaram de Matão, cidade do interior do estado.

A fazenda abriga mata nativa preservada, além de nascentes em área de preservação ambiental. Defensor das máximas reduzir, reutilizar e reciclar, Salas restaurou um antigo galpão para abrigar as futuras instalações do alambique. As telhas para a cobertura foram feitas com material reciclado. As janelas, ampliadas para maior ventilação e luminosidade natural reduzindo ao máximo o uso de luz artificial. O alambique possui um sistema de captação de água de chuva reaproveitada para o resfriamento da cachaça durante o processo de alambicagem. Até agora não derrubou uma árvore sequer. Utiliza galhos caídos que vai juntando durante o ano para o momento da queima. O bagaço da cana serve de alimento animal ou vira compostagem.

A fazenda tem ainda um posto de coleta de materiais recicláveis, inclusive para óleo. Conforme exigências do Ministério da Agricultura, possui salas isoladas de lavagem das garrafas, envasamento, laboratório e armazenamento da cachaça. Todo esse cuidado lhe garantiram os selos USDA, para orgânicos americanos, e CCE, para orgânicos na Europa. Ela é também a única cachaça brasileira kosher (ou seja, feita sob supervisão de rabinos), além de estar registrada no Ministério da Agricultura com rastreabilidade para qualidade -- as garrafas são numeradas, o que torna mais fácil identificar lotes com possíveis problemas.

O ciclo de produção é de um ano e Salas já está na terceira safra. Ele mede a taxa de açúcar e quando atinge determinado teor, inicia a colheita. A melhor garapa é extraída em dezembro, com o calor. A cana-de-açúcar é colhida manualmente e não há queimas, pois a cinza alteraria o sabor.

Depois de destilada, a Cachaça Mulata é armazenada em tonéis de aço inoxidável para não alterar suas características originais, por isso trata-se de uma bebida cristalina. Atualmente produz 40 000 litros por ano, a metade da capacidade produtora do alambique. Na hora de degustar, Salas conduz: “É preciso sentir o aroma antes de dar o primeiro gole. Se arder, a cachaça não é boa. Em seguida, dê um pequeno gole para molhar todo o palato”.

Uma Mulata, dois drinques
Nossa reportagem levou a Cachaça Mulata ao encontro de Norberto D’Oliveira Neto, sócio-proprietário do Frangó Bar, lugar afamado na capital paulista por sua carta de bebidas e cervejas. Foi o primeiro contato dele com o destilado de Itapetininga. Na avaliação, D’Oliveira anotou a presença delicada de álcool e também da própria cana, do melaço. "Dá para sentir o doce e o amargor, leves e delicados. Não persiste na 'queimação', e isso é bom", completou.

Inspirado, depois da prova D’Oliveira foi ao balcão e criou dois drinques. Confira as receitas abaixo.

Diávolo, um drinque apimentado
Rita Grimm
Diávolo, um drinque apimentado
Diávolo
1 dose de cachaça
¼ de dose de limoncello
suco de ½ limão siciliano
Pimenta dedo-de-moça, açúcar e pimenta calabresa moída para decorar

Preparo: em uma coqueteleira, acrescente gelo, misture a cachaça, o limoncello e o caldo de limão siciliano. Coloque em um prato raso a pimenta calabresa moída e o açúcar. Umedeça a boca do copo passando a metade do limão siciliano em toda a borda. Passe a borda do copo sobre o prato com pimenta calabresa e açúcar até que fique bem preenchida. Despeje a mistura da coqueteleira para dentro do copo com cuidado para o líquido não tocar na borda. Corte a extremidade menor da pimenta dedo-de-moça e fixe-a na borda do copo, o simples contato com o líquido vai conferir um ardidinho extra à bebida.

Drychaça, versão de dry martini com cachaça
Rita Grimm
Drychaça, versão de dry martini com cachaça

Drychaça
1 dose de cachaça
15ml de xarope grenadine
5 gotas de noilly prat
1 cereja

Preparo: use um mix-glass (copo alto de vidro, próprio para misturar coquetéis com a ajuda de uma bailarina). Adicione em seqüência gelo picado, cachaça, noilly prat e grenadine. Mexa com a bailarina misturando delicadamente. Despeje a mistura em um copo próprio para dry martini previamente gelado e finalize com a cereja.

Serviço
Cachaça Mulata . Rodovia SP 157, km 10.8. Itapetininga, São Paulo
Frangó Bar . Largo da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 168, Freguesia do Ó, SP, (11) 3932-4818

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