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Pochê, omelete, mexido, fritinho... Melhor parar antes que todo mundo se afogue com a água brotando na boca. Ora mocinho, ora vilão, há quem o condene e quem o perdoe. Mas uma coisa é incontestável: é uma delícia

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Mas, afinal, o que está por dentro daquela casquinha branca? O que nasceu primeiro: o colesterol ou a salmonela? Pode ou não pode comer ovo? Para essas e outras dúvidas, nada melhor do que perguntar a um nutricionista. E o iG Gourmet   procurou logo duas.



Colesterol
Um ovo contém em sua gema cerca de 214 mg de colesterol. A recomendação da Associação Americana de Cardiologia é a ingestão diária de colesterol seja de 300 mg. Porém, estudos demonstram que o colesterol vindo da dieta não interfere no aumento do colesterol sanguíneo.

A maior vilã é a gordura saturada presente em alimentos de origem animal, esclarece Beatriz Botequio de Moraes, nutricionista da Equilibrium Consultoria Nutricional. Tânia Rodrigues, nutricionista da RG Nutri, em São Paulo, explica que, apesar do colesterol, o ovo apresenta gorduras insaturadas. Por isso, provoca aumento nos níveis plasmáticos de LDL (colesterol ruim) mas também no de HDL (colesterol bom).

Além disso, Tânia diz que cada pessoa reage de forma diferente ao colesterol. A maioria é hiporresponsiva, ou seja, tem aumentos discretos no colesterol plasmático após consumo de altas concentrações de colesterol. E lembra, também, que o estresse e o sedentarismo são perigosos para o aumento desse problema. 

Salmonela
Outra grande preocupação quando se fala em ovo é a contaminação com a salmonela. Mas, segundo Beatriz, hoje são raros os ovos provenientes de grandes granjas estarem contaminados. As aves são vacinadas e os ovos sofrem cuidados higiênicos sanitários para evitar a contaminação. Normalmente, isso ocorre através de fezes, que entram em contato com cascas dos ovos com trincas, finas ou porosas, que facilitam a entrada do micro-organismo.

Mas Tânia lembra que a salmonela é um dos motivos mais frequentes envolvidos em causas de surtos de doenças de origem alimentar. Essa bactéria está amplamente distribuída na natureza, sendo que o trato gastrointestinal, de seres humanos e animais, é o principal reservatório. As salmoneloses apresentam sintomas como diarreia, febre, dores abdominais e vômitos, que aparecem entre 12 e 36 horas após o contato com o micro-organismo.

Saúde
Beatriz explica que os ovos são importantes para a saúde do cérebro. Eles são ricos em colina, um nutriente fundamental para a formação de todos os neurônios, membranas de células e de nervos, importantíssima para a memória e para o desenvolvimento intelectual de todos os seres humanos, em todas as idades, defende a nutricionista.

Clara
A clara do ovo é rica em proteínas, principalmente a albumina, uma proteína que possui diversas funções no organismo humano, explica Beatriz. A gema  é rica em vitamina A e em minerais como fósforo, zinco, ferro e em gorduras mono insaturadas, que contribuem para aumento do bom colesterol (HDL).

Quantidade
A American Heart Association (AHA) recomenda 3 a 4 ovos por semana para indivíduos com colesterol sanguíneo alto, diz Tânia. Para os indivíduos saudáveis, não é recomendada restrição do consumo de ovos, desde que eles sejam consumidos dentro de uma alimentação saudável e que não exceda o limite diário de colesterol (300 mg por dia).

Receitas
A quantidade de ovos contida nas preparações não deve ser desprezada, como bolos, massas e outras receitas. Especialmente se estas preparações forem à base de ovos, como doces portugueses. E ela frisa um detalhe. A AHA não recomenda a restrição de consumo de ovos. No contexto de uma alimentação saudável é possível comer essas preparações sem exceder as recomendações diárias de colesterol.


Consumo
Gosta de ovo de gema mole? Esqueça. Gemada, com ovo cru e açúcar, nem pensar! Consuma bem cozido. Nada de gema mole, pois o micro-organismo pode estar escondido ali, pois se não ficar bem durinha, significa que não atingiu a temperatura adequada para matá-lo. Para Tânia, o ovo desidratado é um bom substituto, pois sofreu tratamento térmico anteriormente.

Higiene
Os ovos precisam de cuidados para não serem contaminados. Para começar, armazene-os na geladeira, explica Beatriz. Mas esse é só o primeiro cuidado. Não lave os ovos com água fria. Ela pode provocar a entrada de micro-organismo na casca. Lave em água quente, de preferência com um pouco de cloro.

Compra
Na hora de comprar, evite locais onde você não tem como imaginar a procedência dos ovos. Em grandes supermercados é mais fácil ter certeza de que são de granjas grandes, cujos cuidados são maiores. Beatriz aconselha a analisar a casca. Abra a caixa e observe. Não compre ovos com cascas trincadas, finas ou porosas.

Tânia diz que resíduos nas cascas também denunciam falta de higiene do fornecedor e pede para olhar a coloração. Eles devem estar claros. Além disso, veja o prazo de validade e se ele está armazenado adequadamente, em local arejado e longe de fontes de calor.


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