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Em sabores triviais ou menos óbvios, produtos de boa qualidade ajudam no processo digestivo. O consumo, claro, deve ser moderado

Há mais de 500 anos, no Oriente Médio, teria surgido o hábito de preparar e comer geleia. O costume se espalhou pela Europa, para onde foi levado pelos cavaleiros durante as Cruzadas.

Ela fica ótima sobre a torrada, em uma fatia de pão ou mesmo misturada ao sorvete. Mas a geleia faz bom papel em várias situações, não só no café da manhã ou na sobremesa. Aparece também em pratos principais. O consumo moderado ajuda até mesmo no processo digestivo.

Toda geleia deve ser de fruta. Se o primeiro ingrediente do rótulo não for a fruta, significa que o produto é resultado de gelificação artificial, com emulsificantes, edulcorantes, conservantes ou muito açúcar - geleias produzidas a partir da frutanão precisam adicioná-lo, pois aproveitam o açúcar natural.

As geleias possuem uma consistência típica, mais encorpada, produzida pela gelificação. Isso acontece por causa da pectina, substância encontrada naturalmente nas frutas em maior ou menor grau de acordo com a qualidade de cada uma e seu tempo de colheita. Quanto mais verde, mais rica em pectina é a fruta; quanto mais madura, mais difícil ela gelificar, ou obter a consistência adequada.

Algumas frutas, por não apresentarem suficiente quantidade de pectina em sua composição, precisam da adição desse elemento artificialmente para que ganhem a consistência de geleia. No Brasil, utiliza-se principalmente a pectina cítrica industrializada, obtida da laranja.

O que ainda breca muita gente, porém, é acreditar que a geleia, por ser doce, promoverá obrigatoriamente ganho de peso. Em termos de calorias e gordura, se comparada a requeijão, manteiga, margarina, pasta de chocolate ou cream cheese, a geleia é o produto de menor quantidade calórica por porção e o único com 0% de gordura, explica a nutricionista Anelise Marra, de São Paulo.

Além disso, a pectina é uma fibra solúvel, ou seja, não é digerida no processo gástrico, fazendo aumentar a velocidade de movimento no intestino ¿ o que é ótimo para uma alimentação saudável, diz Anelise.

Outra qualidade da pectina natural é que, na realidade, ela captura o açúcar e, pelo fato de não ser quebrada no estômago e levar o açúcar assim até o intestino, contribui para que ele não seja liberado no sangue. Para se beneficiar do produto, o consumidor só precisa se lembrar de fazer uso moderado da geleia. E não só no café da manhã, mas em qualquer refeição do dia.

O mercado brasileiro, aliás, começa agora a absorver mais esse produto. Tradicionalmente, vizinhos como Argentina e Chile compram mais geleia do que o Brasil. O México também tem um grande mercado, e Estados Unidos e Europa são consumidores clássicos. Mas os brasileiros têm aprimorado o paladar e estão, hoje, mais abertos a novos sabores do produto.

Novas linhas de produtos adoçados com suco de fruta, por exemplo, se tornaram grandes sucessos nas prateleiras daqui. Sabores menos óbvios, como mirtilo, gengibre ou pimenta também ganharam espaço. Uma composição muito comum hoje é a fatia de queijo brie sobre uma torradinha, coberta com uma pequena dose de geleia de pimenta.

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