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Sem sabor ou aroma, a função da maisena é encorpar. Parece mera coadjuvante, mas vá tentar engrossar um creme sem ela... Apesar da atuação discreta na cozinha, o ingrediente é um dos mais tradicionais em nossa despensa, há mais de um século

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Dê uma lista de compras a alguém pouco familiarizado com a cozinha e inclua, entre os itens pedidos, o amido de milho. É bem provável que a pessoa perca algum tempo até lembrar que o ingrediente em questão é a maisena, uma farinha branca e fina produzida a partir dos grãos de milho.

A dúvida tem justificativa: por aqui, o amido de milho virou sinônimo da marca comercial Maizena, lançada nos Estados Unidos em 1856 e pioneira do gênero no mercado brasileiro, onde é vendida desde 1874. O nome refere-se ao termo maíz (milho, em espanhol).

De tão tradicional, a marca confunde-se com a denominação genérica do ingrediente. Não deu outra: a palavra maisena virou substantivo e entrou para o dicionário. Mas de acordo com as normas ortográficas, é escrita com s.

Na década de 1940, com as dificuldades da guerra e a escassez de farinha de trigo (a maior parte era importada), a maisena superou as expectativas de consumo. Logo se tornou a queridinha das donas de casa na hora de engrossar molhos e sopas, fazer mingau, preparar bolos, cremes, pudins e biscoitos.

História
Não se sabe quando o amido de milho foi produzido pela primeira vez. Há indícios de que o cereal de grãos amarelos, originário das Américas, era cultivado no México por volta de 5 mil anos a.C. Quando a expedição de Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo, descobriu-se que o ingrediente era a base da alimentação indígena, e que o amido de milho era obtido a partir da moagem artesanal dos grãos.

A partir de então, com o estímulo das grandes navegações do século 16, o ingrediente foi levado para a Europa, onde se popularizou. Mas até chegar à panela e fazer sucesso nas receitas culinárias, a maisena teve aplicações curiosas ao longo do tempo ¿ além de, claro, servir como cola caseira e talco para assaduras de bebê.

Misturada com água, descobriu-se que a farinha fina transformava-se em excelente goma para passar as calças pregueadas e os vestidos armados usados séculos atrás. Da lavanderia doméstica, a goma feita com amido de milho passou a abastecer a indústria têxtil inglesa no século 19, com a função de encorpar tecidos. Ainda naquele século, na Inglaterra, foi descoberto o uso do amido de milho como alimento.

Características
Livre de glúten, a maisena é alternativa para substituir a farinha de trigo. Seus grânulos têm a capacidade de atrair líquidos e se expandir com o calor, por isso é usada para engrossar as receitas. Sem sabor nem cheiro, garante consistência aveludada a molhos, sopas e cremes, sem alterar o sabor, além de deixar biscoitos e bolos mais leves.

Dicas de consumo
- É preciso dissolver a maisena em água ou leite frios, e só então levar ao fogo. Ela não se mistura bem a líquidos quentes;

- Quando cozinhar, deixe o fogo baixo mexendo sempre, mas com delicadeza, para não empelotar;

- Não congele pratos feitos com maisena: eles perdem a textura aveludada.

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