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Comidinhas preferidas das crianças aterrissam nos cardápios de alguns dos restaurantes mais bacanas (e os adultos adoram)

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Se a boa gastronomia está diretamente relacionada à memória afetiva, biscoitos e doces não podem faltar em mesa alguma. São sabores carregados de lembranças, momentos, perfumes. Puro comfort food. Assim, não é de estranhar que os itens preferidos do paladar infantil apareçam nos restaurantes mais bacanas do mundo. Geralmente, no início ou fim do serviço, lá estão eles. Misturados a iguarias finas, em louças sofisticadas e sem um pingo de acanhamento.

Na Maison Troisgros , de Michel Troisgros, em Roanne, na França, restaurante com avaliação máxima (três estrelas) do Guia Michelin desde 1968, a refeição acaba com uma mesa de guloseimas dignas de aniversário de criança. São pirulitos de marzipã em formato de bonecos, palitos de açúcar queimado, suspiros confeitados... Impossível não escancarar o sorriso e devorar tudo lambuzando dedos e rosto -- mesmo depois do menu de sete pratos, da enorme mesa de queijos e das três sobremesas.

MiGComponente_C:undefined Do outro lado do mapa, o irmão de Michel, Claude, começa os trabalhos no carioca Olympe , seu restaurante mais elegante (e caro!), com biscoitos de polvilho. A receita incorpora curry apimentado. Os biscoitos são preparados diariamente, levíssimos e fazem enorme sucesso. "É tão gostoso quanto qualquer outra entrada da casa", diz a cliente Lou Bittencourt. A produtora é tão fã do petisco que, certa vez, esqueceu o protocolo e pediu um saquinho para levar o salgado para casa. "Eles acharam graça, mas me atenderam com o maior savoir-faire", conta.

Quem também serve as bolachas de polvilho azedo no couvert é Helena Rizzo, do paulistano Maní . Sua versão do clássico biscoito, campeão de vendas nas areias cariocas e melhor amigo do homem que viaja de carro, vem acompanhado de pãezinhos, manteiga e lúdicos pirulitos de queijo.

Thiago Sodré, do tailandês Sawasdee , com endereços no Rio de Janeiro e em Búzios, conseguiu unir seu paladar remoto à memória gustativa asiática. A entradinha mais comentada da casa é o mandiopã frito com pitadas de curry em pó. "O público adora relembrar o sabor da infância e se espanta em saber que o petisco é típico da Ásia", diz o chef. No também carioca Oro , de Felipe Bronze, gelatina e churros se misturam a profiteroles, crème brûllé, espuma de praliné e mousse na sobremesa "tudo caramelo".

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Até o chef que melhor representa a alta gastronomia brasileira no mundo, Alex Atala, se rende aos encantos das guloseimas infantis. Desde a inauguração do D.O.M. , seu principal restaurante, o cafezinho é servido com delicados petits fours e... dadinhos! O doce de amendoim cortado em quadradinhos da marca Dizioli, conta, marcou seus tempos de criança. Nada mais justo, então, do que incluí-lo entre os sabores que tão bem traduzem sua trajetória gastronômica.

No Ici Bistrô , em São Paulo, Benny Novak segue a tradição francesa. Mas os comensais mais atentos já notaram que, perto da porta, tem um enorme pote de vidro capaz de fazer qualquer um perder o juízo. Recheado de balas Juquinha, 7 Belo e Dadinho (os mesmos de Alex Atala) é uma homenagem a Cosme e Damião, os santos gêmeos considerados pela Igreja Católica protetores das crianças. O porquê de aquilo estar ali? "É um tradição familiar para trazer alegria para casa e, o mais importante, porque eu gosto", afirma Novak. E quem não gosta?

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