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Durante muitos anos, o arrolhamento das garrafas de vinhos foi garantido pela cortiça. Mas, o cenário atual nos apresenta alternativas semelhantes e mais baratas

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A história da rolha feita de cortiça vem de longe, mas foi sua utilização por D.Pierre Pérignon em garrafas de champanhe, no final do século XVII, que a consagrou.

Ela nada mais é do que a casca do Sobreiro ou Quercus súber (em latim), uma árvore da família do carvalho, que demora 25 anos para que sua primeira extração aconteça, se repetindo somente a cada 9 anos.

A cortiça se tornou o grande alvo das vinícolas por suas características naturais, como elasticidade, aderência, longevidade, permeabilidade ao gás e ao líquido. Por outro lado, com o passar do tempo algumas possibilidades de defeitos vêm incomodando tanto ao produtor quanto os consumidores e o bouchonné¹ é um deles, além da oxidação prematura, vazamentos e de ser um produto caro.

Foi por conta destes detalhes que se abriu espaço para alternativas como as rolhas sintéticas, sendo uma invenção bastante recente (desde 1992), elas permitem ao produtor a gravação de sua marca (a cortiça também permite) e podem ser coloridas dispensando a utilização de cápsulas² , o que diminui custos.

Uma de suas grandes vantagens é a eliminação dos defeitos encontrados na cortiça que contaminam o vinho e o fato de permitirem o armazenamento das garrafas em pé, maximizando espaços. Em contrapartida, não são recomendadas para vinhos de guarda, uma vez que precisam ser trocadas após aproximadamente quatro anos. 

A coqueluche do momento chama-se SCREWCAP ou tampa de rosca que vem ganhando mais e mais espaço entre as vinícolas do Novo Mundo, principalmente na Nova Zelândia e Austrália, que há mais de 30 anos realizam pesquisas que não deixam dúvidas sobre a eficácia deste sistema. Embora a França seja um país mais tradicionalista, lá também o Screwcap tem o seu lugar, que pode ser confirmado através de rótulos como os da família Lurton da região do Languedoc-Roussilon. 

A tampa de rosca é constituída de um polímero inerte para o uso em contato com alimentos que se localiza em sua base, não provocando qualquer alteração de aroma ou sabor. Ela visa à praticidade, pois sua abertura dispensa o saca-rolhas e é reciclável. 

Bem, esse tema é polêmico e ainda gera muitas discussões no mundo do vinho, uma vez que são inúmeras as vantagens e desvantagens de cada estilo de fechamento. Seja como for, o importante é provar e desenvolver suas próprias percepções sobre o assunto. 

DICAS: Neudorf Nelson Pinot Noir 2004 (screwcap) / Nova Zelândia - Nelson (Tinto - Pinot Noir); Clos Canos 2007 (rolha sintética) / França ¿ Corbières (Rose ¿ Grenache gris, Grenache blanc, Grenache noir e Syrah);  Herdade do Perdigão Terras de Monforte 2005 (rolha de cortiça)  / Portugal ¿ Alentejo (Branco ¿ Antão vaz, Arinto, Verdelho).

¹ Ou contaminação por TCA (TriCloroAnisol) que é uma substancia química volátil liberada pela cortiça quando esta é atacada por fungos ou bactérias e apresenta aromas desagradáveis que lembram papelão molhado, pano de chão e coisas do tipo ;

² Invólucro que cobra a rolha e o pescoço da garrafa.

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