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Sem preconceito com o produto, chefs emprestam boa roupagem ao peixinho em pratos e entradas que podem surpreender

Bruschetta de sardinha, do Picchi: com tomate assado, berinjela temperada e rúcula
Divulgação
Bruschetta de sardinha, do Picchi: com tomate assado, berinjela temperada e rúcula
Não é só na atmosfera informal de bares e ambientes familiares que se serve sardinha. No paulistano Picchi , instalado no concorrido bairro do Itaim, o chef-proprietário Pier Paolo Picchi apostou em uma bruschetta de sardinha com tomate assado, berinjela temperada e rúcula ( veja receita ). Segundo ele, o público aprovou. “Acho um peixe muito bom, muito saudável e saboroso. Acredito que há um preconceito no Brasil por ele ser um peixe barato, mas é muito usado na Europa. A sardinha é boa de muitos jeitos: grelhada, ao forno, curada, quase crua curtida no azeite, na massa e como prato principal”, elogia.

Para Picchi, o segredo de um bom prato com sardinha é mesmo a matéria-prima de qualidade e moderar o tempo de cocção. “Como todo produto ela deve ser muito fresca e a melhor dica de preparo é não cozinhar muito para não ficar seca. Cinco minutos de forno alto são suficientes”, conta ele.

Acostumado a trabalhar com enguias e torôs, o chef Murakami, do badalado Kinoshita , no bairro paulistano da Vila Nova Conceição, é um fã do peixe desde os tempos em que morava em Nova York. “Para mim é a sardinha e não o atum o rei dos mares”, opina. Em seu restaurante, o peixe é servido em sushis, sashimis ou levemente grelhado e coberto com o próprio molho. “Grelho a sardinha levemente, para que ela fique um pouco crua por dentro. Sirvo com um molho feito de sardinha batidinha na ponta da faca misturada com missô, a parte branca da cebolinha e alho em brunoise. Fica maravilhosa e pode ser servida quente, fria ou morna”.

Apesar de pouco ofertada nos restaurantes japoneses por aqui, a sardinha é frequentemente usada no Japão – onde os exemplares são mais gordos, como na Europa. “O japonês valoriza muito e classifica a sardinha como “peixe brilhante”, como a cavalinha”, explica Murakami.

Além dos aspectos nutricionais – a sardinha é louvada por conter mais ômega 3 que o salmão – e da versatilidade, outra grande vantagem do ingrediente é o preço. Muito abundante na costa brasileira, o quilo da sardinha chega a custar menos de dois reais no varejo do Ceagesp e menos de cinco em supermercados. Em tempos de carnes tão caras, eis uma excelente alternativa.

Bruschetta com sardinha marinada
Rendimento: 4 porções

Ingredientes
4 fatias de pão italiano
4 sardinhas inteiras
2 tomates cortados em quatro partes
4 fatias de berinjela, temperadas com sal e pimenta do reino, e assadas na chapa
Folhas de rúcula
Sal, pimenta do reino e azeite extra-virgem

Modo de fazer
Leve os tomates cortados para assar no forno durante 30 minutos, a 160º C. Tempere as fatias de berinjela com sal e pimenta e passe-as rapidamente por uma chapa quente. Limpe as sardinhas, tirando a espinha, e filete-as. Grelhe o pão e os filés de sardinha (temperadas com sal e pimenta do reino). Sobre cada pão, coloque uma fatia de berinjela e o tomate assado. Faça mais uma camada com duas folhas de rúcula e acrescente dois filés de sardinha. Finalize com o azeite e sirva imediatamente.

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