Restaurante japonês, sommelier paraense

Se for ao Zuma, em Londres, procure pelo brasileiro Áthila Roos, que vai ajudar a passear pela carta de vinhos da casa

Marcela Besson, de Londres(*) |

Em suas andanças pela London Wine Fair (Feira Internacional de Vinhos de Londres), na Inglaterra, o crítico de vinhos Andrew Catchpole, da revista inglesa Harpers Wine & Spirit , fez um pit stop no estande brasileiro. Contou ao iG Comida que ficou contente com a boa qualidade de alguns dos nossos produtos, especialmente depois de tê-los apreciado numa viagem recente que fez ao Brasil - e que lhe rendeu uma reportagem especial de mais de vinte páginassobre o tema. "São vinhos frescos, joviais, prontos para beber, como os britânicos gostam", disse Catchpole.

E, em terras onde se produz bem pouco (ou quase nada) do gênero, é interessante ver como os britânicos, de fato, gostam de vinho. A bebida é consumida por quase dois terços da população, em especial as mulheres. O supermercado é o principal ponto de venda e, acredite, 87% das garrafas disponíveis custam menos de cinco libras (ou 15 reais, numa conversão ligeira). Basta uma olhada rápida nas ofertas do Waitrose, rede sofisticada de supermercados de Londres, para encontrar bons exemplares, de várias nacionalidades, a partir de três libras.

Não, os vinhos brasileiros ainda não garantiram um lugar nessas prateleiras. Mas, timidamente, algumas de nossas garrafas começam a dar as caras em bares e restaurantes. “A cidade está se tornando cada vez mais gastronômica”, afirmou o crítico Catchpole. Segundo ele, esse movimento pode abrir portas para novos produtos, inclusive os brasileiros. No badalado bairro de Mayfair, a carta de vinhos do restaurante indiano Benares inclui já há algum tempo uma linha de rótulos da Miolo, chamada Alíseos, desenvolvida exclusivamente para o mercado britânico.

Entre as novidades, a partir da próxima semana, uma das redes mais populares de pubs, a Wetherspoons, vai passar a comercializar o tinto Rio Sol Cabernet Sauvignon - Shiraz 2008 em diversos endereços da marca. A pequena vinícola Lidio Carraro também ensaia sua primeira investida nas taças londrinas. Em junho, o branco Dádivas Chardonnay 2009 e o tinto Lidio Carraro Merlot Grande Vindima 2005 vão integrar a carta de vinhos dos restaurantes Roka e Zuma, dois endereços badalados de cozinha oriental em Londres.

Divulgação
O sommelier paraense Áthila Roos em entrevista ao iG Comida. Ross trabalha no restaurante japonês Zuma, em Londres

Sommelier brasileiro com sotaque inglês

Que tal ir comer em um dos restaurantes japoneses mais comentados de Londres e ser atendido por um sommelier brasileiro? Nossa reportagem bem que tentou, mas a espera por uma mesa no Zuma é de até três semanas. Quem tiver mais sorte (e paciência) vai encontrar por lá o paraense, de Belém do Pará, Áthila Roos, 28 anos. Ele saiu do Brasil há cinco para tentar a vida em Londres. Começou como recepcionista de hotel e hoje, depois de muitos treinos, cursos e degustações, Ross trabalha como sommelier no Zuma, restaurante de cozinha oriental instalado no bairro de Knightsbridge, região nobre da cidade. Já se acostumou a atender celebridades como a atriz Gwyneth Paltrow, habitué da casa. "Ela quase sempre pede champanhe", conta Roos.

Alto, olhos claros e falando um português com arrastado sotaque britânico, o jovem se lembra de quando, na faculdade, costumava trocar a cerveja pelo vinho: "A turma até reclamava, mas eu adorava convidar o pessoal para noites de queijo em vinho em casa, sem cerveja". Em Londres, foi fisgado pelo assunto quando acabou sendo escalado, por acaso, para assumir a estante de vinhos de uma loja de conveniência. "Passava o dia decifrando os rótulos e contabilizando as variedades de cada país", lembra Roos. Meses depois, passou a exercer a mesma função de vendedor em uma importadora da cidade e não parou mais de estudar. O esforço quase autoditada lhe rendeu o cargo de gerente do clube de degustação da importadora e, mais tarde, a vaga de sommelier no Zuma, cuja carta de vinhos possui mais de quatrocentos rótulos. "Quero, aos poucos, tentar estabelecer uma ponte entre os produtores brasileiros e o mercado britânico", promete Roos.

Zuma
5 Raphael Street
London SW7 1DL

(*) a jornalista viajou a convite do Intituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

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