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Histórias e ingredientes dos quatro sanduíches mais famosos de São Paulo

O que um beirute, um lanche de mortadela, outro de rosbife e um de pernil têm em comum? São parceiros em popularidade, colecionam anos de história, arrastam filas de admiradores e vivem sendo copiados e reinventados.

Os ingredientes são simples ¿ mas nem por isso menos saborosos ¿, e as receitas permanecem praticamente intactas. Por tudo isso, formam o fantástico quarteto de sanduíches que são a cara da cidade de São Paulo. Confira.

Pão com mortadela
Ou seria uma mortadela com pão? Impossível não ficar impressionado com o tamanho deste sanduíche. Quem já experimentou sabe: haja maxilar para vencer os 350 gramas de mortadela Ceratti empilhados no pão francês crocante. O embutido é fatiado na hora. Não à toa, sua fama cruzou os limites da cidade. A fila de gente para saboreá-lo no box E-14 do Mercado Municipal é constante.

Sanduíche de mortadela do Mercadão /Foto: Divulgação


Marco Antonio Loureiro é a terceira geração da família a comandar o negócio, que se confunde com a própria história do Mercadão, nos idos da década de 1930. Ele conta que, no início, o recheio era ralinho ¿ apenas duas fatias contadas de mortadela. Tempos depois, graças à bronca de um cliente, os funcionários certa vez exageraram na quantidade do frio. E a brincadeira acabou transformando o lanche numa instituição paulistana. Em dias de grande movimento, a casa chega a vender até 1 000 unidades. Anote os preços: 9 reais na versão fria e 10 reais na chapa.

Bar do Mané
Rua da Cantareira, 306, box E-14 do Mercado Municipal, 3228-2141

O beirute cinqüentão do Frevinho
É assim, no diminutivo carinhoso, que a clientela costuma se referir à tradicional lanchonete Frevo. A casa abriu as portas na Oscar Freire há mais de cinco décadas e lá está até hoje, defendendo com sucesso sua inconfundível receita de beirute. Preparado em pão sírio largo, fininho e bem torrado, chega no prato, cortado em quatro pedaços.

Beirute do Frevinho /Foto: Divulgação


No recheio da versão mais tradicional, delicadas fatias de rosbife de lagarto ganham tempero especial (e secreto), de fabricação própria. Juntam-se ainda queijo prato derretido, tomate e uma pitada de orégano. Para finalizar, gotinhas de molho inglês valorizam o sabor do sanduíche, que custa 18,20 reais ou 10,20 reais na versão mini.

Há outras opções de sabor, como o de filé-mignon à parmegiana, recheado de filé empanado e molho de tomate, e o especial, que leva contrafilé, queijo prato, presunto, tomate e orégano. Custam 23,80 reais e 21 reais, respectivamente.

Frevinho
Rua Oscar Freire, 603, Jardim América, 3082-3434 (mais dois endereços)

Bauru, o legítimo
Uma porção de cardápios tenta em vão copiar a fórmula, mas é do Ponto Chic a receita mais célebre do sanduíche bauru. Ela foi criada nos anos 30 como sugestão casual de um cliente, o radialista Casemiro Pinto Neto ¿ apelidado pelos amigos de Bauru, nome de sua cidade de origem. Na época, o jovem pediu ao chapeiro que colocasse queijo derretido e rodelas de tomate no pão francês sem miolo. Para completar, rosbife caseiro.


Bauru do Ponto Chic/Foto: Divulgação

Depois, vieram as rodelas de pepino em conserva. Os amigos do rapaz gostaram da ideia e repetiam o pedido: um igual ao do Bauru, por favor. Pronto, estava criado o lendário combinado. Detalhe aprimorado com o tempo, hoje são quatro os queijos contidos no lanche: suíço, estepe, prato e gouda. Eles são fundidos em água fervente antes de ir para o pão. Custa R$ 14,40.

Ponto Chic
Largo do Paiçandu, 27, centro, 3222-6528 (mais dois endereços)

É de pernil, é do Estadão
O endereço existe desde 1968, mas em meados dos anos 70 é que o bar Estadão começou a ganhar destaque. Foi quando a família Zonta, vinda de São José do Rio Pardo, interior de São Paulo, assumiu a bancada do boteco. A vizinhança notívaga, na época formada pelas redações dos jornais O Estado de S. Paulo e Gazeta Mercantil, saboreava aquele que viria a ser um dos sanduíches mais emblemáticos da cidade. Desde então, dia e noite sem intervalo, lá está o sanduíche de pernil.

Nos bastidores, a matemática para que tudo saia a contento é a seguinte. Toda manhã, por volta das cinco horas, as peças chegam fresquinhas, nunca congeladas. São 250 quilos de carne de porco por dia. Depois de salgadas, elas descansam por seis horas. Temperada com molho feito à base de tomate, cebola e pimentão, a carne assa primeiro no vapor, durante três horas, e depois por mais quinze minutos para dourar.

Dois fornos dão conta de preparar dezesseis pernis a cada três horas. Em média, 120 gramas dessa carne suculenta recheiam o pão francês, fornecido pela padaria Bella Paulista. Para fechar toda essa soma, o preço é camarada: R$ 7,50.

Estadão
Viaduto 9 de Julho, 193, centro, 3257-7121

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