Puro sabor orgânico

Chefs dão suas impressões sobre alimentos livres de agrotóxicos

Larissa Drumond, iG São Paulo |

Getty Images
O tomate orgânico, por exemplo, é muito mais suculento e o doce, mais natural
A enorme quantidade de agrotóxicos utilizados para proteger a plantação de possíveis pragas prejudica o organismo humano e mascara o genuíno sabor da fruta, da verdura ou do legume. Isabelle Cicatelli, chef e proprietária do Domaîne Île de France , no Espírito Santo, diz que já fez o teste de comparar um alimento convencional e outro orgânico. “Recomendo que todos façam para terem noção da diferença. O tomate orgânico é muito mais suculento, o doce, mais natural e as sementes deslizam no céu da boca. É até difícil descrever sem ficar com vontade de dar umas mordidas”, brinca.

O chef Carlos Bertolazzi, do paulistano Zena Caffè , concorda. O tomate é, sem dúvidas, uma das frutas em que mais se nota a diferença. “Quando tem pesticida, é possível sentir até no molho”. Sem esses compostos químicos, o prato fica muito mais saboroso. A textura não muda. O tamanho reduzido em relação ao convencional também ajuda na concentração de sabor. “No processo de agricultura convencional, usa-se um composto de nitrogênio, fósforo e potássio que faz com que as plantações cresçam mais rápido e, consequentemente, fiquem deficientes de alguns nutrientes importantes”, explica Isabelle. E, aproveitando a deficiência, as pragas atacam. No fim, sobra agrotóxico e falta autenticidade no gosto.

Assim como o Domaîne Île de France , restaurante com o selo de 100% orgânico, o contemporâneo Maní , em São Paulo, comandado pela premiada chef Helena Rizzo, também prefere esse tipo de produto, apesar de não ser certificado. Quando algum ingrediente está em falta ou fora de época, um convencional é utilizado em seu lugar. “Além do sabor, é motivador cozinhar sabendo que o produto é mais leve e saudável. Todas as semanas, nós pedimos tomate, batata, abóbora e folhas, por exemplo”, diz Helena.

Carnes orgânicas – peixe, frango, bovina ou suína – são menos frequentes nas prateleiras dos supermercados do que frutas e hortaliças. Além disso, assim como os outros ingredientes, são em média 50% mais caras do que as não-orgânicas. Para obtê-las, os produtores não usam hormônios nem antibióticos nos animais. Já há movimentos que sinalizam que processos sustentáveis de criação dos animais devem entrar como critérios básicos para classificar a carne como orgânica - além da proibição do uso de hormônios e antibióticos já citada.

Leia mais sobre orgânicos e certificação no Delas

    Leia tudo sobre: orgânicos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG