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Festival comprova que a cozinha pernambucana costura a culinária de todo o Brasil. Veja galerias de fotos com mais de 90 pratos

A pescada com massa de lula de Bruno Marasco, do Da Carmine, em Niterói, foi servida no festival
Dante Barros/Divulgação
A pescada com massa de lula de Bruno Marasco, do Da Carmine, em Niterói, foi servida no festival
O Brasil é um País tão grande que cada lugar tem seu jeito. A língua é a mesma, o modo de falar, não. O ingrediente pode ser parecido, mas a forma de preparar é outra, ou vice-versa. O lugar aonde cada pessoa mora determina se ela come mais porco do que pescados, se prefere doces pouco ou muito açucarados, se ama ou odeia coentro. Semana passada, 25 restaurantes participantes do décimo Festival Gastronômico de Pernambuco mostraram que a cozinha do Estado costura a culinária de todo o País -- e ainda dá suas agulhadas na do mundo.

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César Santos e Mônica Rangel: onde Pernambuco e Minas se encontram
Dante Barros/Divulgação
César Santos e Mônica Rangel: onde Pernambuco e Minas se encontram
Na primeira parte do evento – que acontece até o dia 23 com aulas abertas, concursos e degustações -- quatro cidades de Pernambuco receberam 25 chefs vindos de 14 cidades do Brasil e de Portugal. O momento é rico para os colegas trocarem cultura e experiência, e resultou em cardápios com tintas pernambucanas, mas traços bem pessoais.

"Nossa ascendência é a mesma", diz Mônica Rangel, do Gosto com Gosto , em Visconde de Mauá, divisa de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Dona de uma das cozinhas mineiras mais festejadas do País, a chef aposta na herança portuguesa como razão da proximidade culinária. Seu anfitrião, César Santos, concorda. “Apesar de usarmos ingredientes diferentes, nossos preparos são muito parecidos”, diz o chef da Oficina do Sabor , em Olinda. “Eles têm o queijo de Minas e o porco, nós, o coalho e o bode. Mas tudo isso é usado em ensopados, frituras, exatamente da mesma forma.”

A capixaba Bárbara Verzola, do Soeta , em Vitória, também se identificou com a cozinha de cima do País, mas por outro motivo. "Os pescados são muito parecidos com os que temos no Espírito Santo", diz. "A diferença é que a cozinha deles tem mais personalidade." O tempero preferido de sua região, o coentro, também é usado com fartura nas mesas pernambucanas -- e na casa que a recebeu: o Parraxaxá , onde Bruno Catão serve farto bufê de comida regional.

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A abundância de peixes e frutos do mar uniu ainda a cozinha caiçara de Eudes Assis, chef consultor radicado no litoral paulista, à gastronomia peruana praticada por Biba Ferandes, do Chiwake . Quem também pegou carona no frescor de produtos do Atlântico foi Andrés Amorin Moreno. O chef uruguaio que comanda o San Tao , em Gramado, no Rio Grande do Sul, levou seus pratos de pegada oriental ao superpor Sushi Yoshi , de Yoshi Matsumoto.

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Tuiles com frutas e creme de Marasco
Dante Barros/Divulgação
Tuiles com frutas e creme de Marasco
Dividida em três vertentes (do litoral, do sertão e da capital), a culinária de Pernambuco tem mesmo diversidade suficiente para se conectar com os diversos cantos do País. Que o diga Joca Pontes, do Ponte Nova . Em sua refinada cozinha, o chef recebeu o não menos caprichoso Paulo Pinho. Os cogumelos colhidos em Petrópolis, cidade da região serrana fluminense onde está o Alvorada, restaurante que comanda, encantaram o colega recifense. “É o tipo de ingrediente que privilegio: fresco e de produtores locais”, diz Joca.

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Para fechar o círculo, endossar a teoria de Mônica e provar que Pernambuco também faz frente a muita cozinha europeia, o chef lusitano José Júlio Vintém, do Tomba Lobos , em Portalegre, cozinhou no Wiella Bistrô , de Claudemir Barros, como se em casa estivesse. "É tudo muito parecido. Almocei no Bar do Luna [restaurante de cozinha pernambucana típica] e reconheci diversos pratos de meu País", diz. "Buchada, sarapatel, dobradinha, rabada, cabeça de bode... Comemos tudo isso em Portugal."

A jornalista viajou a convite da Promo-PE

Veja aqui as galerias de fotos com mais de 90 pratos do Festival Gastronômico de Pernambuco