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Tacacá, caldinho de peixe e de sururu. Combinações vigorosas aparecem na dieta de norte a sul do país. Conheça o efeito dessas escolhas em nosso organismo

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Tacacá (foto Vivi Zanata/Agência Estado)

Em um passeio por praças públicas no norte do país, onde repousam  cidades como Manaus e Belém, moradores e turistas se aglomeram ao redor de barraquinhas que vendem tacacá, um caldo vigoroso feito de tucupi (líquido extraído da mandioca brava), goma de mandioca e camarão seco.

O caldinho que adormece os lábios e aquece o corpo, resultado da adição de ingredientes como jambu e pimenta-malagueta, é servido normalmente na cuia, escaldada antes de ser entregue ao comensal. Para não queimar as mãos, acompanha uma providencial cestinha de vime ou palha.

Nesses lugares, faz calor o ano inteiro ¿ a média é de 26 a 28 graus ¿ e o ar é invariavelmente úmido. Mesmo assim, o tacacá das cinco (ou a qualquer outra hora) é uma tradição inabalável sobretudo em Belém, capital do estado do Pará. Para muita gente, não há jeito melhor de restaurar as energias depois de uma noite de excessos. Depois do Carnaval, da festa de Ano Novo ou da balada, por exemplo.

Continuamos no mapa do Brasil, mais de mil quilômetros para o leste, e chegamos à capital do Ceará, Fortaleza, onde as famosas barracas-restaurantes instaladas na Praia do Futuro oferecem várias combinações de caldos quentes. O sujeito volta correndo de um banho de mar, a castigar os pés na areia escaldante, e pinça do cardápio um caldinho de peixe, de sururu (um molusco pequenino e saboroso), de macaxeira com frutos do mar ou até um caldo verde, herança portuguesa.

Em outros destinos, é comum encontrar quem se jogue em composições que jamais poderiam ser acusadas de ser leves. São pratos de resistência como a buchada de bode (no interior do Nordeste), o barreado (Paraná), o acarajé (uma instituição na Bahia), o afogado (cozido de músculo popular no interior paulista) e a emblemática feijoada.



No Mato Grosso do Sul, o sobá (foto acima), um prato de origem japonesa, já virou comida típica principalmente na capital Campo Grande. Trata-se de um cozido de legumes, carne e macarrão normalmente degustado na véspera do ano novo no Japão. Foi trazido pelos imigrantes da ilha de Okinawa por volta de 1908 e tem a fama de ajudar a atrair riquezas.

Comidas que confortam

"O efeito principal que as pessoas procuram em um caldo quente hoje é o mesmo que há centenas de anos: restaurar as energias", diz a historiadora Dolores Freixa, autora do livro "Larousse da Cozinha Brasileira". A obra foi escrita em parceria com a jornalista Guta Chaves. "Desde a descoberta dessa capacidade renovadora das diversas sopas, como os caldos de galinha indígenas, os mingaus europeus ou os caldos orientais, as pessoas seguem procurando receitas quentes para lhes trazer conforto na doença, energia extra para o trabalho ou mesmo um efeito afrodisíaco", completa Guta.

Do ponto de vista nutricional, não existem grandes problemas em consumir preparações quentes no verão. Mas a recomendação é: não abuse.

"Em dias em que a temperatura é mais alta, uma alimentação leve e fresca é sempre mais indicada, porque não causa a elevação da temperatura corporal, que nos faz transpirar e consequentemente perder líquidos", diz o nutricionista e professor de psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Murilo Dáttilo. "Além disso, o consumo de alimentos muito quentes pode não ser benéfico para algumas pessoas devido ao risco de irritação de mucosas da boca, do esôfago e estômago, mais sensíveis para certos indivíduos." 

No verão, o corpo tende a diminuir seu gasto calórico, em função de um trabalho menor para manter a temperatura corporal em níveis adequados. Isso costuma trazer aquela sensação de moleza ao longo do dia. "Receitas quentes podem prejudicar a absorção dos nutrientes e contribuir para que o indivíduo tenha o rendimento diminuído severamente." Anote aí: se isso tudo já traz preguiça normalmente, imagine no alto verão.

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