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Sabendo escolher ¿ e sabendo degustar ¿ conhecer melhor a cachaça pode ser uma grande homenagem ao Brasil

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Aguardente, cachaça, pinga ¿ ou até cânha, como é chamada no Rio Grande do Sul. O nome da bebida pode variar, afinal ela foi criada e difundida por todo o Brasil. Legítima invenção nacional, a aguardente de cana-de-açúcar só emprestou do exterior seu nome: cachaza era o nome dado por portugueses e espanhóis ao vinho feito de borra, menos nobre. E a boa e velha cachaça pode ter tido dias assim, de bebida de pobre ¿ mas hoje vive tempos gloriosos, chegando a custar centenas de reais.

A cachaça é uma bebida destilada, obtida após a fermentação da garapa, o suco da cana-de-açúcar. Bebidas assim já existiam na Antiguidade, quando egípcios, gregos, árabes e bárbaros europeus produziam destilados a partir de uvas ou cerejas, às vezes misturado-os a licores de anis ou outras especiarias. Por todo o mundo, até hoje, bebem-se destilados, como uísque, arak, saquê, aquavit, vodka. No Brasil, assim que os portugueses decidiram montar engenhos, por volta de 1530, nasceu o maior dos destilados nacionais.

Hoje a pinga do Brasil já é considerada parte da elite das bebidas destiladas. Na produção, tudo começa na escolha da cana e do plantio que ela terá ¿ de maturação precoce, média ou tardia, por exemplo. O clima interfere no produto final, por isso a cachaça produzida no Nordeste do país é diferente daquela nascida em Minas Gerais, e assim por diante.

A moagem da cana também é importante, mas crucial mesmo é a fase da fermentação. No mosto, o caldo de cana fermentado, a glicose dá origem ao etanol e outros compostos secundários. Monitorando as leveduras e a temperatura é que se saberá o grau alcoólico da cachaça ¿ pela lei, pode-se dar o nome de cachaça quando ela fica entre 38% e 48% de teor alcoólico. O que é um tremendo coice, convenhamos...

Mas não é isso o que sentem os degustadores de cachaça. Ela pode assustar um pouco aos iniciantes por ser realmente uma bebida forte, mas uma pinga da boa mesmo desce bem macia, diz Oswaldo Raich, especialista em cachaça que presta consultoria para empresas do ramo. Marcas como as mineiras Anísio Santiago, Germana, Vale Verde e Boazinha, a paulista Sapucaia Velha ou a carioca Magnífica, são vedetes em rodas de entendidos em cachaça.

Aliás, é importante separar o joio da cana. Algumas cachaças são apenas engarrafadas, dando origem a uma pinga comum, própria para fazer a famosa caipirinha ou outro drinque, mas sem um algo a mais. Para degustar, a melhor é a cachaça envelhecida ¿ bebida que contém, no mínimo, 50% do seu volume envelhecido em recipiente de madeira com capacidade máxima para 700 litros e por um período maior que um ano.

Claro que existem ótimas cachaças transparentes, que devem ser límpidas para mostrar a boa procedência. Já a envelhecida tem uma coloração que não deve passar de um dourado leve, ainda assim límpido, lembra Raich. Uma dica: quando despejada, a boa cachaça costuma formar um colar de pequenas bolhas nas laterais do copo.

Quanto ao cheiro, as melhores costumam ter um odor mais para frutado, adocicado, e não cheiro forte de álcool apenas. Ao inalar o odor, ele também não deve ser ardido, acentuado, a ponto de irritar o nariz. Cachaças nobres também deixam na boca uma sensação de calor, mas sem irritar. Combinada com frutas ou petiscos, a cachaça tem lugar garantido em alegres rodas de amigos. E nas prateleiras de quem se orgulha de apreciar as bebidas brasileiras, é claro.

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