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Comida e cinema, até bons anos atrás, só tinha mesmo a ver quando por ¿alimento¿ entendia-se a pipoca nossa de cada sessão

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A sétima arte, porém, descobriu que unir o poder da telona com o apelo da culinária tinha tudo a ver. O pioneiro A Festa de Babette, que completou duas décadas de lançamento no ano passado, inaugurou essa categoria de food-film . Os ingleses criaram o termo que, hoje, abrange muitas produções e muitas receitas de sucesso, diz o crítico Rubens Ewald Filho ¿ ele mesmo um conhecedor do tema desde que lançou, há um ano, o livro O Cinema Vai à Mesa.

A obra, elaborada em conjunto com a jornalista e crítica gastronômica Nilu Lebert, reuniu dezenas de pratos que ficaram famosos em grandes filmes. Chefs de renome deram sua contribuição desenvolvendo as receitas mostradas no cinema. Hamilton Mellão, dono do restaurante Sallvattore, por exemplo, recriou várias receitas, entre elas um trio de risotos. Foi fantástico pesquisar receitas e descobrir os ingredientes de cada uma na hora de fazer o livro, diz Mellão. O cinema e a gastronomia têm públicos muito semelhantes , que gostam das boas coisas da vida, por isso essa união se tornou tão interessante.

Rubens Ewald Filho, aliás, conta que sua parceria com Nilu Lebert, o cinema e a gastronomia deu tão certo que um novo livro está sendo preparado, desta vez, trazendo as bebidas mais celebradas nas telonas. Do martini de James Bond ao uísque sour de O Pecado Mora ao Lado , várias delas estarão lá.

O curioso é que usar a comida em filmes não é muito fácil, pois há a falta do sabor, do cheiro daqueles pratos tão bonitos, lembra Rubens. Nos filmes antigos, aliás, não havia essa relação ou mesmo o uso dos alimentos como metáfora, inclusive pelas dificuldades técnicas de fazer a comida parecer apetitosa. Mesmo assim, o público parece aprovar, e a quantidade de histórias que utilizam o recurso no enredo só faz crescer.

O envolvimento da gastronomia com o cinema nem escolhe um gênero definido. Dramas, comédias, épicos, romances e até uma animação fizeram muito sucesso misturando atores e panelas. Apenas Ratatouille, o desenho no qual o ratinho Remy bota para fora sua paixão pela culinária, já faturou US$ 600 milhões pelo mundo . Fora o que rendeu em momentos mágicos ao reunir pais e filhos para assistir ao filme e também para bater um bolinho.

Abaixo, alguns filmes que não podem faltar na videoteca de um bom amante dos food-films:

A Festa de Babette (1987)
Tornou-se o marco dos filmes que trazem a culinária como ingrediente principal do roteiro. Babette é uma francesa que vai viver refugiada em uma cidade da Dinamarca. Com banquetes espetaculares ¿ cujos pratos são iguarias finas como sopa de tartaruga e codornas recheadas com trufas e foie gras ¿ a cozinheira faz desabrochar vários habitantes do local, acostumados apenas ao que já conheciam (da vida e da gastronomia). Conheça a receita de Codornas do Café Anglais .

Como Água para Chocolate (1993)
Baseado em romance de Laura Esquivel, trata da história do camponês Pedro que, em plena Revolução Mexicana, se apaixona por Tita. Eles gostariam de se casar, mas a tradição manda que a moça, filha mais nova, fique solteira para cuidar da mãe. Pedro, no entanto, se encanta com o amor de Tita ¿ e ainda mais com seus dotes culinários. Essa até podia ser apenas mais uma história de amor, mas o filme se tornou uma das mais belas produções do cinema mexicano. Nos Estados Unidos, foi o filme estrangeiro de maior bilheteria em 1993.

Comer, Beber, Viver (1994)
O tom desta comédia ganhou ainda mais sabor, em todos os sentidos, com a direção de Ang Lee. O Sr. Chu é um grande cozinheiro de Taipei, mas tem lá seus problemas. Após a morte da esposa, ele fica responsável pelas três filhas rebeldes: Jia-Jen, uma professora religiosa, Jia-Khien, uma executiva cheia de ambição, e Jia-Ning, a mais jovem e romântica do trio. A convivência, ali, segue prestes a desandar ¿ e a história agrada por misturar os almoços de domingo preparados pelo Sr. Chu com o confuso relacionamento familiar.

Vatel ¿ Um Banquete para o Rei (2000)
Atolada em dívidas, uma região da França do século 17 está nas mãos de um mordomo, François Vatel, que precisa preparar um pomposo jantar para que o patrão, o Príncipe de Condé, impressione o rei Luís XIV. Se cair nas graças do monarca, toda a região estará salva. Mas em meio a todo o trabalho que envolve a preparação para a visita real, Vatel se apaixona pela bela Anne de Montausier, o que atrapalha um pouco os planos do Príncipe.

Chocolate (2000)
Poucos filmes conseguiram (ou um dia conseguirão) ser tão gastronomicamente apelativos quanto este. Estrelado pela lindíssima Juliet Binoche, ele mostra a briga de uma mulher para fazer um vilarejo francês apreciar seus chocolates e se libertar de preconceitos. Seu maior adversário, o Conde de Reynaud, não acha bom que as pessoas se entreguem aos prazeres da vida. Vianne, a chocolateira, acredita no contrário. E as cenas em que ela mói o cacau e prepara bolos, tortas, bombons e toda sorte de delícias faz qualquer um tomar seu partido.

Maria Antonieta (2006)
O filme mostra a história da garota austríaca que foi enviada à França no século 16 a fim de se tornar a esposa de Luis XVI. Rodeada pelas fofocas, pela pressão para ter filhos, as disputas familiares e toda a intriga e opulência da corte, Maria Antonieta entrega-se às futilidades ¿ entre elas, a culinária que já começava a tomar proporção de arte na alta roda francesa. As sobremesas, em especial, aparecem muito no filme. Inclusive os doces tipo macarroons, os prediletos da Rainha que adorava uma pâtisserie.

Ratatouille (2007)
A premissa é tão fantasiosa quando adorável: um ratinho descobre sua paixão pela culinária e, apesar de todos os obstáculos que a situação impõe (já que, mesmo no mundo da animação, um rato na cozinha não é exatamente uma coisa fofa), ele vai a Paris conquistar os franceses pelo estômago. Mais de 270 alimentos foram criados em computador para o filme. Os pratos eram realmente preparados em uma cozinha experimental e depois fotografados para que as imagens virassem referência. Daí o fantástico realismo de Ratatouille. Veja a receita de Ratatoullie Tradicional .

Sem Reservas (2007)
Esta é uma refilmagem de outro food-film famoso pelo cardápio, Simplesmente Martha. No original alemão, a obsessiva chef cozinhava em um bistrô de Hamburgo. Neste, é a atriz Catherine Zeta-Jones que encarna Kate Armstrong, comandante de um sofisticado restaurante em Nova York. Por levar o trabalho com seriedade, ela intimida as pessoas ao redor ¿ exceto o recém-contratado Nick, um sous chef que gosta de ouvir ópera enquanto trabalha. Como pesquisa para o filme, Zeta-Jones trabalhou por um dia como anônima em um restaurante de Manhattan.

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