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Feira de cerveja Brasil Brau discute rumos da produção no Brasil e traz boas novas para o consumidor final

Na Brasil Brau a discussão sobre cerveja vai de lúpulos e maltes a blogueiros e o papel da mídia
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Na Brasil Brau a discussão sobre cerveja vai de lúpulos e maltes a blogueiros e o papel da mídia
A Brasil Brau é uma feira voltada ao mercado de cerveja. Máquinas, automação, embalagens e tanques foi o que se viu na maior parte dos corredores do evento, que aconteceu esta semana em São Paulo, entre os dias 5 e 7. A grande novidade nesta 11a. edição é que as portas foram abertas ao consumidor final e parte de sua programação voltada aos pequenos produtores, cervejeiros caseiros e a quem simplesmente se interessa pela bebida artesanal.

Durante o evento, discussões sobre o rumo da produção no Brasil, e tudo que envolve esse mercado, dividiu espaço com estandes de cervejarias artesanais, que apresentaram produtos em linha e lançamentos. Confira as novidades a seguir.

Cresce a importância do consumidor final
A abertura da feira ao público fã de cerveja revela algumas coisas. A mais importante delas certamente é que o bebedor de cerveja está deixando de ser aquele cara que senta no bar e pede “a mais gelada que tiver” para virar um sujeito interessado -- e, logo, mais exigente.

Nota-se também a ausência (e o potencial) de um evento específico para o grande público, com espaço para as inúmeras cervejarias artesanais que existem no Brasil.

Cerveja caseira definitivamente é tendência
No estande da Acerva (Associação dos Cervejeiros Artesanais), um dos mais concorridos do evento, cervejeiros amadores trocaram ideias sobre produção, lúpulos, maltes e compartilharam suas produções. Prova de que fazer cerveja em casa é tendência e, mais do que isso, está abrindo novo mercado.

Apesar do crescimento, os microprodutores de hoje mostraram-se fiéis aos costumes adquiridos quando faziam cerveja em casa. “Só mudei o tamanho das panelas, mas continuo um cervejeiro caseiro. Não filtro a bebida e a segunda fermentação continua sendo na garrafa”, afirma Carlos Magno, guarda-costas que largou o emprego regular para fundar a Magnus, em Socorro, perto de Bragança Paulista.

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Cerveja da Amazon Beer, de Belém do Pará, é aditivada com bacuri, fruta típica local
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Cerveja da Amazon Beer, de Belém do Pará, é aditivada com bacuri, fruta típica local
Cervejas feitas com produtos locais ganham destaque
Ainda que exista um entrave burocrático quando a cerveja no Brasil recebe aditivos -- provar que aquilo é uma cerveja e não outra bebida é processo longo e demorado, que já atrasou lançamentos de produtos como a Ithaca, da cervejaria Colorado , feita com rapadura --, consumidores e produtores parecem dispostos a valorizar esses rótulos. Caso da Bacuri, da paraense Amazon Beer , que tem apenas 1.8% de álcool e deve ser lançada no mercado em agosto, com toque especial da fruta.

Microprodutores apostam em cervejas mais amargas
Depois de um período repleto de lançamentos de ales e outros tipos mais encorpados, as microcervejarias parecem agora mirar a produção principalmente em rótulos de baixa fermentação com amargor mais pronunciado (com forte influencia das escolas alemã e tcheca). Alguns dos melhores rótulos lançados na Brasil Brau seguem essa linha.

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Cresce a responsabilidade da imprensa e de blogueiros
A mesa redonda entre autores de blogs sobre cerveja reuniu especialistas como Edu Passarelli (do Edu Recomenda ) e Mauricio Beltramelli (do fórum e site Brejas ) e chamou a atenção para a responsabilidade das informações publicadas sobre o assunto. O recado é o seguinte: apesar de o tema ser despojado, é chegada a hora de tratá-lo com seriedade e responsabilidade.

Lançamentos que vão dar o que falar
A cervejaria Falke foi a que melhor aproveitou a exposição para promover seus produtos. Os três mestres cervejeiros da casa (os irmãos Juliana, Marco e Ronaldo Falcone) apresentaram quatro lançamentos: a Diamantina (uma delícia de Bohemian Pilsner, com amargor potente), a Vila Rica (uma Dry Stout leve com notas e café), a Estrada Real Weiss e a Vivre Pour Vivre (uma fruit bier que é feita a partir da Monasterium, que passa por um longo processo de fermentação depois da ação de lactobacilos, fica engarrafada por três anos e depois recebe óleos essenciais de jabuticaba). Com exceção da última, que tem distrubuição prevista para janeiro próximo, todas chegam ao mercado na semana que vem.

A Karavelle , de Indaiatuba, que trabalha há dois anos com produção de chope, passou a fazer cerveja. Entre os rótulos lançados, a Keller, uma pilsen natural não filtrada com amargor interessante (encontrada no Empório Santa Luzia e na Galeria dos Pães , ambos em São Paulo), se destaca.

A Colorado , de Ribeirão Preto, fez o pré-lançamento de sua Brown Ale, que leva castanha do Pará. Bastante encorpada, deve chegar às prateleiras no começo do ano que vem.

Direto de Votorantim, a Bamberg divulgou sua Weizenbock, última cerveja de inverno da marca (as outras já esgotaram). Fiel às características do estilo alemão, tem aromas tostados e bom corpo.

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