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É justo cobrar por algo que não foi consumido ou solicitado? Veja a seguir o que pensam clientes e como restaurantes se posicionam

Nos restaurantes da rede Rubaiyat crianças entre 6 e 12 anos pagam metade do valor do couvert
Mario Leite/Divulgação
Nos restaurantes da rede Rubaiyat crianças entre 6 e 12 anos pagam metade do valor do couvert

Aprovada pela Assembléia Legislativa, na última quarta feira, a lei que visa regulamentar o serviço de couvert no Estado de São Paulo trouxe à tona a discussão: o cliente deve pagar por algo que não foi pedido? E mais: é justo cobrar o consumo de cada integrante da mesa, quando nem todos desfrutam da cestinha de pão? A lei, de autoria do Deputado Estadual André Soares (DEM), ainda depende da aprovação do governador do Estado Geraldo Alckmin – que deve sair ou não nos próximos 15 dias --, mas o barulho em torno dela já começou.

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Num mundo ideal, a cobrança individual do couvert partiria dos próprios estabelecimentos. Mas na prática a situação é diferente. Muito mais comum são garçons “empurrando” petiscos não solicitados aos comensais, e mandando a conta no final.

Uma das exigências da nova regra é que o serviço seja cobrado de forma clara: com preço e itens que o compõem especificados no cardápio. O grupo Rubaiyat , famoso pelo couvert farto, está estudando o assunto. "Estamos decidindo se faremos porções individuais. Mas já orientamos os garçons para que perguntem a cada cliente se desejam o couvert, antes de servi-lo.”

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Difícil ali é contabilizar quem comeu os petiscos de entrada e quem os dispensou. O couvert de todos os  Rubaiyat é o mesmo, e tem mais de 20 itens. A única prática nesse sentido, em vigor atualmente nos restaurantes do grupo, é liberar o serviço para os menores de 5 cinco anos. “E crianças de até 12 anos pagam meia”, diz Reginaldo Soares, maitre do Baby Beef Rubayait Faria Lima. Ou seja, quem levar o filho de 6 para uma das casas vai morrer em 11, 95 reais, mesmo que o pequeno não goste de salmão no azeite ou de pasta de legumes.

Recém-aberto, o Tasca da Esquina tem couvert dentro dos moldes do Projeto. Mas isso foi uma coincidência na casa do português Vitor Sobral. As diversas porções e acepipes oferecidos pelos garçons, com preço e composição detalhada no cardápio são, na verdade, um serviço típico do País de origem do chef. Chamados de "A chegada", os pratinhos vêm à mesa apenas quando solicitados. Já a água e a cesta de pães são cortesias.

“O termo ‘couvert’ está enraizado em quem frequenta restaurantes no Brasil", diz Roberto Moutinho, gerente e sócio da casa. "Tentamos desmontar este termo no ‘Tasca’, que é baseado em tradições portuguesas". Mesmo assim, tem cliente reclamando do serviço.

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Em visita recente ao Tasca da Esquina, o paulistano Sandro Marques, profissional da área de comunicação, aceitou o “couvert” oferecido pela garçonete, enquanto aguardava uma mesa. “Veio uma porção de presunto e, quando a conta chegou, descobri que custava três vezes o valor de um couvert comum”, afirma. Ele pagou a conta, mas não espera voltar à casa tão cedo. “Eu não tive a informação de que se tratava de um petisco e nem de quanto custava”, diz. O gerente garante que não teve conhecimento do episódio.

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Outra queixa comum de clientes é quando o preço do couvert equivale à metade do valor cobrado por um menu executivo – geralmente, entre 30 e 50 reais. “Minha conta já dobrou por causa disso”, afirma a professora Paula Amato.

A responsabilidade também é do cliente

Além da iniciativa dos restaurantes, a atitude do cliente é fundamental para evitar problemas. “O consumidor tem o papel de recusar o serviço para evitar cobranças indevidas, que configuram abuso legal”, afirma diz Marcelo Segredo, diretor-presidente da Associação Brasileira do Consumidor. “Agora, se consumir o que foi oferecido, tem que pagar.”

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A sugestão do deputado e autor da lei para o cumprimento das regras é que haja fiscais in loco, como os que garantem o vigor da Lei Anti-Fumo. A opção pode até ser eficaz, mas não costuma agradar à clientela. “É horrível quando você está comendo e entram aquelas pessoas uniformizadas com blocos de multa na mão”, diz Paula. Muitas vezes, pedir a revisão da conta incomoda menos do que a sensação de estar sendo vigiado durante a refeição.


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