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A morte do maior crítico de gastronomia do mundo e outras histórias para ler no fim de semana

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O maior crítico de gastronomia do mundo está doente. O marido de Barbe-Nicole Clicquot morreu. Na história em quadrinhos, o vendedor japonês apaixonado por comida vai provar dezoito pratos diferentes. 

Cada uma dessas frases é uma referência aos livros A Morte do Gourmet , A Viúva Clicquot e Gourmet . Todos tratam de comida e/ou bebida, mas não são livros de receita. A Morte... é ficção, A Viúva... é uma biografia e Gourmet é história em quadrinhos.

Os três são as escolhas do iG Gourmet para quem quiser (e puder) passar um tempo no sofá, na rede ou na cadeira de praia. Lendo.



A Morte do Gourmet , de Muriel Barbery, ed. Companhia das Letras. 100 páginas, 30 reais

É o primeiro livro da escritora marroquina Muriel Barbery. E é o segundo que chega ao Brasil. Muita gente conheceu a autora em A Elegância do Ouriço , sobre a rotina dos moradores de um condomínio chique de Paris.

A Morte do Gourmet é uma ficção ambientada no mesmo condomínio parisiense. Pierre Arthens é um dos moradores e é também o maior crítico de gastronomia do mundo. Um sujeito poderoso, inteligente, arrogante, chato. Ao longo do livro é comum o leitor comover-se, adorá-lo e odiá-lo. Depende da situação.

Arthens é a personificação quase caricata do crítico que diz qual restaurante deve morrer e qual deve viver. Mas quem vai morrer, agora, é ele.

Doente, Arthens tenta lembrar de um sabor perdido no tempo. Algo que provou e não lembra o que é. Nessas memórias está o enredo do livro. Ao contrário do que o tema pode sugerir, não é um texto melancólico. Faz uma reflexão inteligente e muitas vezes divertida sobre coisas da vida, como relacionamentos, trabalho, renúncias e morte.

Preste atenção: na habilidade de Muriel para descrever pratos e sabores. O livro faz, de certa forma, uma provocação ao excesso de importância dado muitas vezes à opinião do outro. Pai, mãe, filho, amante, marido ou mulher.


A Viúva Clicquot, de Tilar J. Mazzeo, ed. Rocco. 300 páginas, 30 reais

A história do champanhe francês, o vinho espumante símbolo de boa vida, festa e França, é contada pela trajetória de Barbe-Nicole Clicquot. E assim o livro faz uma fotografia da sociedade européia, às vésperas e depois da Revolução Francesa.

Viúva aos 27 anos, Barbe tornou-se uma improvável (e bem-sucedida) mulher de negócios. Construiu uma das marcas de maior prestígio no mundo, a Veuve Clicquot, numa época em que as mulheres eram criadas para ser invisíveis socialmente, exceto por seus vestidos, maridos e filhos.

Preste atenção: Tilar J. Mazzeo é historiadora e faz uma bela reconstrução histórica da Europa (comportamento, sociedade e política) nos séculos XVIII e XIX. Ela também explica o processo de fabricação dos vinhos e traça uma linha do tempo da evolução desse mercado.


Gourmet, de Jiro Taniguchi e Masayuki Qusumi, ed. Conrad. Tem 200 páginas, 27 reais


É o mais inusitado dos três. Totalmente editado como história em quadrinhos.

O personagem principal é um executivo japonês, solteiro, apreciador de comida. O leitor acompanha sua passagem por quase vinte lugares diferentes, no Japão. Cada lugar é um capítulo, cada capítulo tem um prato principal.

Com a ajuda das ilustrações, não é difícil mergulhar o universo de aromas e sabores descritos na história e também nas reflexões do personagem principal. Não raro, o leitor sente fome junto com ele.

Preste atenção:  na apurada descrição dos pratos da culinária japonesa e, antes de tudo, na organização. Diferente do que acontece na leitura ocidental, a história começa na última página.


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