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Na apresentação de hoje o chef mostrou, em vídeo, pratos que eram de uma beleza poética para gourmets, mas terríveis e chocantes para vegetarianos

Nada de pratos feitos ao vivo na apresentação de Ferran Adrià, nesta terça-feira (26), durante o Madrid Fusión, mais importante congresso internacional de gastronomia que ocorre, desde 2003, em Madri (Espanha). Adrià mostrou apenas um novo coquetel, frozen, feito com uma tira de cana-de-açúcar, raspas de limão, cachaça e uma flor que deve ser sugada para retirar o mel de seu interior. "É um coquetel poético", disse.

Depois, exibiu um vídeo com os pratos que o El Bulli serviu em 2009. Coisas como um cosmopolitan quente, feito a partir do chá japonês matcha, bem forte, misturado a cassis. Alguns pratos feitos com coelho. E aí o vídeo mostrou desde a caça do coelho, a retirada da pele e o uso de cada parte do animal: o cérebro servido em um consommé, as costelas "a La Royal", um molho escuro negro, feito a partir do fígado também do coelho, e finalmente medalhões de coelho com frutas vermelhas esferificadas e foie gras. De uma beleza, de novo, poética para os gourmets. Terrível e chocante para os vegetarianos.

Teve ainda um shabu shabu de pinoles, que foram transformados em líquido, colocados dentro de sacos herméticos plásticos para daí virarem o shabu shabu. Você insere o plástico no caldo quente, deixa cozinhar um pouco e depois consome a cada gota, assim como os "chupe-chupes" de doce-de-leite que as crianças adoram.

Outros dois pratos que fizeram sucesso, também em vídeo, foram o ravióli de parmesão ao aroma de trufa branca (aqui o ravióli é uma geleia, recheada com bolinhas de parmesão também transformado em uma espécie de mousse e depois gelificada); e os moluscos: conchas servidas sobre gelo com gomos de laranja. Dentro delas, havia pérolas (o visual é idêntico), mas que na verdade eram bolinhas de sorbet de frutas.

Para encerrar, Ferran Adrià disse que neste ano a apresentação em vídeo foi a grande novidade, assim poderia mostrar mais pratos e mais técnicas, direto da cozinha do El Bulli. E criticou aqueles que andam dizendo que a alta cozinha está em crise. "Em 1983, havia uns 11 ou 12 restaurantes 3 estrelas Michelin na França e uns 3 na Espanha. Agora, só na Espanha temos 7. Onde está a crise? Quantos restaurantes de alta gastronomia essas pessoas esperam ter? Centenas? Não vejo mudanças na alta cozinha mais do que o esperado".

Veja também: restaurante El Bulli fecha em 2012

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