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Num dos restaurantes mais tradicionais da capital gourmet escandinava, comida quente não tem vez

Copenhague confirmou-se como destino de peregrinação gastronômica desde que foi publicada, em abril, a lista dos cinquenta melhores restaurantes do mundo pela revista inglesa Restaurant . Além do endereço top 1 do mundo, o Noma de Rene Redzepi, a cidade concentra treze estrelas Michelin (mais do que Milão ou Amsterdã, por exemplo), além de mil outros lugares que servem uma comida fresca, bem feita e que tradicionalmente respeita a sazonalidade dos ingredientes, tendência tão em voga mundialmente neste 2010.

Num dia de verão com temperatura de inverno tropical, o iG Comida visitou o mais tradicional desses endereços, o Slotskaelderen hos Gitte Kik (não se assuste e chame-o apenas de Kik se precisar pedir informação, é assim que o restaurante é conhecido). Fundado em 1797 no centro da cidade, é, além de um lugar onde se come muitíssimo bem, perfeito para iniciar-se na mágica e algo estranha (para brasileiros) culinária dinamarquesa ( veja abaixo um dicionário com os principais pratos de lá ).

Isso porque os pratos do dia (mais de trinta) ficam expostos em uma mesa, na entrada do restaurante, e escolhe-se o que vai comer pela cara do prato final. A estrela são os smørrebrøds, os “sanduíches” abertos típicos do país. Chamar de sanduíche é aproximação, já que o pão aparece apenas por baixo de recheios inúmeros e é denso, granuloso e de um marrom-escuro quase preto.

Mais de 80% do cardápio de “coberturas” é composto por peixes e ovas servidos gelados. Como ali faz frio quase o ano inteiro e há uma dificuldade natural de se obter comida, foram desenvolvidas técnicas de conservação de alimentos que fazem com que não seja necessário cozinhá-los com fogo. Defumados e picles estão presentes em quase todas as receitas. Entre as mais saborosas, arenque servido com ovo cru (funciona como um molho, que deve ser jogado sobre o peixe) e caviar escandinavo (que é como eles chamam as ovas de lumpfish, de um laranja intenso e sabor delicado).

Entre as poucas opções quentes, peixe frito empanado servido com molho tártaro (lembra o nosso velho conhecido da praia) e frikadeller – almôndegas achatadas de carne de boi e de porco fritas e servidas com salada de batatas (fria, claro). O tempero é composto basicamente por ervas frescas, com predominância do endro. Aconselha-se acompanhar tudo com aquavit, o forte destilado à base de batata e ervas. Aberto apenas na hora do almoço e lotado todos os dias (reservar é imprescindível), reúne políticos, locais de todas as idades e alguns poucos turistas em suas mesas de madeira escura e paredes coalhadas de fotos e quadros antigos. Um almoço para duas pessoas, sem bebidas, custa em média 400 coroas dinamarquesas, ou 120 reais.

ps: emende o almoço num passeio pelo centro da cidade, com paradas na loja de departamentos Illum, que tem excelente padaria e um andar inteiro, o primeiro, dedicado à gastronomia. A loja-sede da Royal Copenhagen, que fabrica as mais lindas porcelanas para a cozinha, também vale a visita. Ambas ficam a poucos metros do Kik.

Slotskaelderen hos Gitte Kik .
Fortunstraede 4, 1065, Copenhague, tel. (45) 3311-1537. É recomendável reservar.


Pequeno dicionário da cozinha dinamarquesa


Aquavit: destilado de batata aromatizado com ervas como anis. A gradação alcoólica chega a 40%.

Arenque: peixe pequeno e gorduroso que é o símbolo da cozinha nórdica. Pode ser defumado, salgado ou marinado em azeite e vinagre. É servido frio.

Endro (ou dill): erva usada para temperar peixes, conservas e molhos.

Frikadeller: é a almôndega dinamarquesa, feita de uma mistura de carne de porco e de boi frita. Difere-se da almôndega dos outros países escandinavos por seu formato achatado.

Rugbrød: pão escuro e denso feito de cereais integrais, sobretudo centeio e trigo. Tem sabor levemente ácido.

Smørrebrød: sanduíches abertos. As possibilidades de recheios são inúmeras, de arenque defumado a ovas de salmão.

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