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Como funcionam as dietas que privilegiam as proteínas e eliminam os carboidratos ¿ e como fazer essa escolha pensando primeiramente na saúde

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Era uma promessa tentadora: perder peso comendo quantos filés de carne pudessem ser suportados e apavorando em ovos fritos e bacon. A invenção desse tipo de regime alimentar aconteceu nos anos 1960, mas foi na década seguinte que o cardiologista Robert Atkins escreveu seu livro sobre o tema ¿ e que a tal dieta começou a ganhar adeptos. Por muitos anos, a dieta low carb ficou apenas em banho-maria, mas na virada do milênio ela já era uma febre entre os seguidores de dietas radicais. E, até hoje, reúne fãs.

As dietas low carbs são aquelas que, reduzindo drasticamente o volume de carboidratos, fazem perder gordura e manter a massa muscular. Isso porque os carboidratos, quando ingeridos em grande quantidade ou em proporção maior que as proteínas, levam a um aumento rápido de açúcar no sangue.

Reduzindo carboidratos, reduz-se a insulina, reduzindo a fome. Além disso, o corte radical leva à queima mais intensa de gorduras, já que uma das tarefas da insulina no corpo é economizar gordura para manter as reservas de energia, explica a nutricionista Sandra Ferreira, consultora nutricional de diversas academias de ginástica em São Paulo

A dieta de Atkins, por exemplo, consiste basicamente de proteína e gordura na forma de carnes, óleos, manteiga, creme de leite. Durante o período inicial, de duas semanas, são permitidas apenas 20 gramas de carboidratos por dia (ou seja, cerca de uma fatia pequena de pão integral ao dia). A dieta sugere que os carboidratos venham somente de saladas e vegetais ¿ e, mesmo assim, moderadamente.

Mas funciona mesmo?

A dieta low carb dá muita atenção ao índice glicêmico - o IG - do que se come. Se o alimento tem esse índice baixo ou moderado, pode entrar na dieta. Pães, massas e biscoitos integrais (bem pouco), carnes, nozes, legumes, frutas cítricas e verduras são alguns itens permitidos. Por outro lado, o indivíduo precisa passar longe de refrigerantes, doces, bolos e pães com farinha ou açúcar refinados.

Esse alto consumo de proteínas é, inclusive, a maneira que alguns atletas profissionais usam para manter músculos ao mesmo tempo em que se livram da gordura corporal. O problema é que seguir uma dieta low carb é algo controverso. Em primeiro lugar, e principalmente, porque ao reduzir o consumo de carboidratos e se concentrar em alimentos ricos em proteínas ¿ e que também são ricos em gorduras saturadas ¿ a saúde pode ser afetada.

Aliás, vamos ao ponto: a dieta funciona? Muitos seguidores juram de pés juntos que sim. Mas de acordo com muitos estudos realizados a partir de 2003 (ano da morte do Dr. Robert Atkins, por sinal, que levantou muitas polêmicas sobre suas causas), o fato de as pessoas geralmente perderem peso com as dietas low carb não é exatamente um milagre.

As pesquisas indicam que, dentre os efeitos colaterais dessa dieta estão fadiga, náusea, dores de cabeça, constipação e até mau hálito. Fora as suspeitas de que o excesso de proteínas poderia sobrecarregar o funcionamento do coração. E mais: uma vez suspensa a dieta, a retomada de peso seria avassaladora. É bem mais saudável comer um pouco de tudo, controlando as porções de gorduras e de carboidratos, mas sem eliminar grupos inteiros de alimentos, finaliza Sandra Ferreira.


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