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BioMio, o restaurante onde tudo é ecofriendly sem deixar de ser saboroso

A impressão que se tem ao visitar a Escandinávia é que eles já deram a volta ao mundo no que diz respeito a modismos, tendências, comportamento urbano. Tomemos os alimentos orgânicos, por exemplo. Novidade (relativa, mas é) no Hemisfério Sul, hype nos Estados Unidos, em Copenhague eles fazem parte da paisagem. É natural. Prepare-se para ler a palavra økologisk (ecológico) onde quer que você vá, da farmácia à multimarcas de roupas.

Um restaurante como o BioMio, portanto, combina perfeitamente com a cidade. Aberto há um ano num galpão reformado onde cabem 250 pessoas, é 100% ecofriendly, do cardápio à madeira das mesas. Com preços acessíveis se comparados aos da cidade e do norte da Europa em geral (um jantar para duas pessoas com bebidas sai por 400 coroas dinamarquesas, ou aproximadamente 120 reais), vive cheio e, muitas vezes, funciona com fila na porta (o horário de pico é entre 19h e 20h e reservas só são aceitas para grupos de, no mínimo, dez pessoas).

O formato lembra o dos restaurantes de woki que invadiram a Europa. Cozinha aberta, você escolhe o que quer comer, anota em um cartão-comanda e a encaminha diretamente ao cozinheiro, que fará tudo na hora, na sua frente. Bebidas e sobremesas também são self-service. No comando, o chef australiano Peter George. O menu (com alguns pratos vegetarianos, mas também bastante presença de peixes e até carne vermelha) segue a linha ocidente-oriente: há macarrões com tempero indonésio (apimentadíssimo e saboroso), peixes da Escandinávia servidos com salada ao molho chinês, risotos de arroz integral temperados com curry. Os nomes dos pratos são divertidos: after shopping relief, energy booster, macho. Respeitando o sincretismo, o couvert é um delicioso pão integral servido com pesto carregado de alho e manjericão. Todos os ingredientes (do sal ao peixe) têm certificado 100% orgânico, reconhecido pelo governo dinamarquês e, quando possível, comprado de produtores locais.

A principal diferença em relação aos fast foods light-orientais que pipocam pelo mundo é o charme que conseguiram dar ao ambiente, iluminado à meia luz, com mesas confortáveis, pessoal superbem treinado. Outra é a boa carta de vinhos e cervejas (também certificados, claro). Imprescindível provar a leve e aromática cerveja Fynsk Forår, da microcervejaria dinamarquesa Ørbaek Bryggeri, aromatizada com flor de sabugueiro (elderflower, em inglês), a pequena flor branca adorada em todo o norte e leste da Europa e na Inglaterra.

Não se deixe (mal) impressionar pelo exterior do restaurante, que funciona no antigo prédio da Bosch e tem um jeitão, se visto de longe, de loja de autopeças. Foi uma maneira que os proprietários encontraram de respeitar as origens do bairro. O Bio é o mais barulhento estabelecimento do Kødbyen - Versterbro, antigo bairro dos açougues de Copenhague (qualquer semelhança com o Meatpacking Distric de Nova York não é mera coincidência), No que antes era uma região degradada, agora fica um dos mais badalados bairros da cidade, com um quê underground. Lotado de bares, restaurantes e galerias de arte.

BioMio . Halmtorvet, 19, The Bosch Building, Copenhague
www.biomio.dk (site apenas em dinamarquês)

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