Croissant e MPB na London Wine Fair

Em Londres, rótulos franceses ganham maior número de medalhas. Crítico inglês diz que vinhos brasileiros são “muito gastronômicos”

Marcela Besson, de Londres(*) |

Divulgação
Feira Internacional de Vinhos de Londres, na Inglaterra, começou hoje e vai até quinta-feira, no ExCel, um amplo espaço de eventos que beira o rio Tâmisa

A trigésima edição da Feira Internacional de Vinhos de Londres, na Inglaterra, começou hoje e vai até quinta-feira, no ExCel, um amplo espaço de eventos que beira o rio Tâmisa. Do lado de fora, a temperatura é amena, típica da primavera londrina. Dentro do ExCel, o clima pelos corredores e estandes de vinhos é bem mais acolhedor. Para quem não conhece, a London Wine Fair é, especialmente, uma feira de negócios. Está entre as três maiores do gênero no mundo e reúne vinícolas de mais de quarenta países, incluindo o Brasil - que participa pela sexta vez do evento.

Organizados conforme a nacionalidade, os produtores expõem suas garrafas, trocam informações, ficam de olho nos lançamentos e nas tendências do mercado. O público, em sua maior parte especializado,  experimenta, faz perguntas, quer saber detalhes da bebida. A intenção é fechar negócio, claro. Mas numa leitura, digamos, mais romântica, é a chance dos países produtores de vinho poderem difundir sua cultura, levando suas garrafas de um canto a outro do globo. Produtos que, mais tarde, vão derramar em nossas taças.

Alguns países são mestres na arte de produzir e vender bem seus vinhos. Vejam a França: logo na saída da estação de metrô que dá acesso ao ExCel, os visitantes da feira eram gentilmente abordados por belas moças que, além de panfletos sobre o respectivo estande, distribuíam também croissants douradinhos - um capricho saboroso para começar bem o dia.

O Brasil também mostra sua graça. O estande é composto por nove vinícolas - das grandes Miolo e Salton à pequena Lidio Carraro -, que exibem suas garrafas ao som de MPB, tocada ao vivo por uma dupla de voz e violão. A música sai baixinho, suave, que é para não perturbar o ambiente. Steven Spurrier, famoso crítico inglês da revista britânica Decanter, andou de olho nos rótulos nacionais. Gostou especialmente dos exemplares Cabernet Franc 2007, da Salton, e Tannat Reserva 2005, da Pizzato. "Estou muito impressionado. Gostei do fato desses vinhos não serem muito alcoólicos (13,2% e 13,3%, respectivamente), isso ajuda a perceber melhor a fruta no caso de vinhos jovens. E também são muito gastronômicos", disse Spurrier ao iG Comida .

Sistema de medalhas

Logo no primeiro dia da feira foram anunciados os vencedores do International Wine Challenge 2010, uma das premiações mais aguardadas pelos produtores de vinho. Este ano, mais de 10 000 rótulos, provenientes de 46 países, foram submetidos ao corpo de jurados, formado por quatrocentos especialistas. Durante duas semanas, os vinhos foram degustados e pontuados.

Não existe um ranking final, como a lista dos dez mais da ExpoVinis, em São Paulo . No International Wine Challenge, as garrafas recebem medalhas. E a contagem é feita quase como em uma Olimpíada. Das 7726 distribuídas neste ano, a França arrematou 75 de ouro e 947 de prata. Logo atrás vieram Austrália (65 de ouro) e Portugal (35 de ouro), repetindo o pódio do ano passado.

As vinícolas brasileiras encaminharam 32 exemplares para avaliação. Quatro deles receberam medalhas. Uma de prata, para o branco Espumante Moscatel, da Vinícola Geisse, e três de bronze: Salton Talento 2005; Gran Legado Moscatel NV (sem safra); e Espumante Prosecco Brut, da Aurora. Outras seis garrafas brasileiras receberam medalhas de recomendação.

(*) A jornalista viajou a convite do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

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