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Chef Ana Luiza Trajano prepara caldeirada de tambaqui e surpreende o público em festival de gastronomia na França

Caldeirada de tambaqui com farofa de castanha: ingredientes surpreenderam a plateia
Gustavo Pitta
Caldeirada de tambaqui com farofa de castanha: ingredientes surpreenderam a plateia
A quinta edição do Festival Internacional de Gastronomia de Mougins, no sul da França, reuniu nos dias 11 e 12 de setembro mais de trinta chefs de cozinha. Localizada a cerca de oito quilômetros de Cannes e conhecida por sua excelência culinária, a cidadezinha serviu de palco para aulas e degustações preparadas pelos cozinheiros, alguns deles detentores de estrelas no renomado Guia Michelin – caso da chef francesa Anne-Sophie Pic, que este ano foi coroada madrinha do evento.

No meio da constelação de mestres-cucas, uma brasileira deu um toque especial. Ana Luiza Trajano, que comanda as panelas do restaurante Brasil a Gosto , em São Paulo, surpreendeu o público com os ingredientes típicos apresentados no festival. Não é a primeira vez que brasileiros participam da festa. Alex Atala e Roberta Sudbrack já estiveram por lá na edição de 2008. Dessa vez, a encarregada da missão de divulgar os sabores do Brasil em terras estrangeiras caprichou na escolha. Grávida de cinco meses, Ana Luiza levou na mala urucum, aviú, cumaru, farinha d`água, farinha de tapioca, castanha do Pará, feijão de Santarém, puxuri, açaí e tambaqui.

Ana Luiza (no centro) em ação: tomates, pimentões e urucum deram cor à bancada
Gustavo Pitta
Ana Luiza (no centro) em ação: tomates, pimentões e urucum deram cor à bancada
A mistura de parte desses ingredientes resultou em uma substanciosa caldeirada de tambaqui com farofa de castanha. Enquanto sua assistente esquentava o fogão e dava início ao preparo do prato, Ana Luiza chamava a atenção do mediador e da intérprete, perdidos entre a variedade de ingredientes: “Agora vou mostrar como tirar a espinha do peixe de um jeito fácil, sem estragar a carne”. Poucos cortes depois, estavam prontos quatro belos filés de tambaqui, espécie amazônica bastante celebrada em sua cozinha.

Tomates e pimentões vermelhos sem pele, misturados ao molho de urucum, deram cor à bancada, equipada com duas câmeras fixas para que o público pudesse acompanhar o trabalho. Ana Luiza também explicou aos franceses que, na falta do tambaqui, o peixe poderia ser substituído por outro, com alta porcentagem de gordura.

“Luto para que a nossa cozinha seja reconhecida fora do país e pelos próprios brasileiros. Tem gente que adora comer tutu de feijão, mas quando faz um jantar para os amigos prefere preparar um risoto ou outro prato estrangeiro”, provoca. Inspirada pelo clima tranquilo e festivo do lugar, ela foi além da defesa da cozinha nacional e destacou o papel educativo da gastronomia: “É importante mostrar para as crianças desde cedo opções saudáveis e gostosas. Faço isso com meu filho Pedro, de cinco anos”.

Especialidades do quintal tupiniquim
Os ingredientes brasileiros apresentados no festival arregalaram os olhos dos franceses. Confira a lista e saiba mais sobre eles:

Aviú: crustáceo muito pequeno semelhante ao camarão. É encontrado, principalmente, nos rios do Pará. Em geral é salgado e seco logo após a pesca.

Cumaru: semente do fruto cumaru também usada para fazer perfumes. Como a baunilha, serve para aromatizar pratos.

Farinha d`água: farinha de mandioca de textura grossa, com grãos resistentes, muito utilizada na região amazônica.

Farinha de tapioca: farinha granulosa de mandioca. Usada para fazer bolos, pudins, panquecas.

Puxuri: semente em formato de avelã utilizada em sopas ou para aromatizar azeite.

Urucum: condimento de cor vermelha, preparado à base de sementes dissecadas e trituradas. Também é usado na coloração de queijos. Matéria-prima do colorau.

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