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Em Bolonha, curso de cozinha inclui visita ao mercado, compra de ingredientes direto do produtor e receita de macarrão gravatinha

Para quem gosta de cozinha, melhor do que comer massa na Itália é comer (na Itália) a massa que você mesmo fez. A ideia do projeto Lezioni di Cucina al Mercato, que existe há um ano em Bolonha, é acrescentar mais um elemento a esse programa: uma visita ao mercado, com conversas com produtores locais, antes de colocar as mãos à obra.

Organizado pelo Slow Food – a associação sem fins lucrativos que pretende, entre outras coisas, aproximar consumidores e produtores e elevar o grau de conhecimento sobre o que comemos –, o mercado é cheio de preciosidades. Há, por exemplo, o creme de leite do Guglielmo Fontanelli , favorito de algumas das boas sorveterias de Bolonha, vendido pelo próprio Guglielmo, que explica com toda a paciência do mundo como cria as suas vacas, o que elas comem, como fazer para deixar tudo mais saboroso. E mais um monte de pães, farinhas, frutas, galinhas, biscoitos... Tudo fresquinho e, o que é melhor, aberto para degustação (melhor dispensar o café-da-manhã nesse dia). O mercado acontece todo sábado, no pátio do cine Lumière, melhor cineclube da cidade.

Depois de comprar boa parte dos ingredientes que serão usados nas receitas do dia, a turma do curso de cozinha, de até 15 pessoas, segue para a aula prática. Esta semana, a professora foi Antonella Bonora, da escola Amici de Babette, que ensinou a fazer strichetti ( veja a receita abaixo ) ao ragu, musse de mortadela e fritelle de castanha, uma sobremesa típica do Carnaval bolonhês. Como tudo que envolve a marca Slow Food, há uma grande preocupação com a sazonalidade dos ingredientes.

Embora a tônica do curso seja sobretudo a cozinha italiana típica, alguns chefs convidados propõem, eventualmente, outros temas, como menu vegetariano. A aula é em italiano, mas, se há muitos estrangeiros nos grupos, algo que acontece especialmente no verão, todos falam devagar e têm paciência de buscar sinônimos em outras línguas para uma ou outra palavra incompreensível. Depois de cozinhar, os alunos sentam-se juntos para comer, com os convidados do dia. É que, pagando um pouco a mais, cada um tem o direito de convidar uma pessoa para o almoço.

O curso, com a refeição incluída, custa 22 euros para sócios do Slow Food e 25 para não-sócios. O pacote de três aulas sai por 50 euros e o almoço sem o curso custa 13 para adultos e 6 para crianças. Recomenda-se reservar com, no mínimo, duas semanas de antecedência.


Os strichetti prontos para irem para a panela
Nana Caetano
Os strichetti prontos para irem para a panela
Strichetti (macarrão gravatinha)

Servido fundamentalmente em Bolonha, o strichetti é um macarrão tipo gravatinha com duas pregas (o farfalle, mais conhecido, de formato semelhante, é um pouco menor e tem uma prega central diferente da do strichetti).

Como manda a tradição da região, sua massa é feita com ovos no lugar de água. Fica perfeito servido com com ragu bolonhês . A receita abaixo é da chef Antonella Bonora, da escola de cozinha Amici di Babette, em Bolonha.



Ingredientes (para duas porções):
200g de farinha 00 (mais fina, especial para fazer massas)
25g de queijo parmesão
2 ovos

Modo de fazer:
Coloque a farinha em cima de uma mesa (se for de pedra, melhor), arrume-a em um monte e abra um buraco no meio. Quebre os ovos nesse buraco e, com a ajuda de um garfo, bata-os e vá misturando-os lentamente à farinha.

Quando não for mais possível bater com o garfo, junte o parmesão e amasse tudo com as mãos, vigorosamente, até que a massa esteja completamente lisa (leva em média 20 minutos e é praticamente uma musculação). Cubra a massa com filme plástico e deixe-a repousar por uma hora.

Com a ajuda de um rolo de macarrão, abra a massa até que ela forme uma folha fina (ligeiramente transparente) e de espessura uniforme (2 milímetros, em média). Polvilhe farinha sempre que a massa estiver grudando na mesa. Com a ajuda de um cortador ondulado, corte a massa em retângulos de 4 por 2 centímetros.

Separe os retângulos e feche-os no meio, em forma de gravatinha. Para fechar, o truque é posicionar o dedo indicador no meio da massa, o polegar na borda inferior e o dedo médio na borda superior. Junte os dedos das bordas ao indicador, formando duas pregas. Aperte bem o meio para que a massa não se abra ao ser cozida.

Deixe secar por pelo menos 15 minutos e depois cozinhe os strichetti por 4 minutos em água fervente ou até que a parte externa da gravatinha esteja macia e o miolo, al dente .

Curso de cozinha no mercado
Laura Demerciari, tel. + 39 335-7977983
cucina.mercato@slowfoodbologna.it
www.slowfoodbologna.it.

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