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Fugir ou pedir o menu completo? Críticos e blogueiros explicam quais os sinais para fazer uma coisa ou outra

Fique atento às pistas antes de pedir o menu de 17 pratos
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Fique atento às pistas antes de pedir o menu de 17 pratos

Quando vamos pela primeira vez a um restaurante que não conhecemos, costumamos ligar um “sensor” para tentar descobrir se a experiência vai ser positiva -- comer fora não é barato, afinal. E, sim, existem pequenos sinais (e outros menos discretos) que indicam o que pode acontecer na hora em que a comida chegar à mesa. Os críticos e blogueiros especializados prestam atenção em tudo isso. Mesmo assim, às vezes são “traídos” por pistas falsas. O iG ouviu alguns deles e ajuda você a detectar se dá para pedir o menu completo sem susto ou é melhor parar no couvert.

A primeira coisa importante é saber que a situação nem sempre é lógica. “Já entrei em restaurantes e me enfadei com cardápios monótonos e sem novidade, decoração pretensiosa, pães esmaecidos no couvert, explicações de maîtres sem pé nem cabeça e mesmo assim a comida no final surpreendeu”, afirma Josimar Melo, crítico de gastronomia da Folha de S. Paulo.

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O ambiente

“Decoração pretensiosa e exagerada tira o foco do principal: a comida. E o ideal é que o salão não seja muito escuro”, afirma o autor do Alhos, Passas e Maçãs , que prefere não revelar sua identidade. “Isso impede que a gente enxergue com clareza as cores dos pratos e o cardápio.”

Alessander Guerra, do Cuecas na Cozinha , presta atenção nos mínimos detalhes. “É importante notar se o restaurante tem personalidade própria, alma. É o que o torna real, aconchegante e não cenário de novela”, diz. Mas os problemas no salão não param por aí. “É desagradável quando percebemos um cheiro de aromatizante ou de desinfetante na casa. A comida nunca deve ter outros aromas em competição com ela”, afirma Arnaldo Lorençato, crítico e editor de restaurantes da revista Veja São Paulo.

Outra coisa que pode estragar a interação entre cliente e prato é o som ambiente. “Música bacana, que tenha a ver com a proposta do lugar é algo que me causa boa impressão. Não dá para ouvir música francesa num restaurante de comida nordestina”, afirma Denerval Ferraro Jr, do blog Que Delícia . O volume também é importante. “Não deve ser muito alto nem baixo demais. A música tem de ser ouvida, mas não pode atrapalhar a conversa ou fazer as pessoas gritarem.”

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Garçons que querem agradar demais geralmente incomodam
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Garçons que querem agradar demais geralmente incomodam

O atendimento
Parte do quesito ambiente, o atendimento é elemento fundamental para o sucesso da visita. “Serviço blasé irrita muito. Muitas vezes os funcionários do salão não parecem confortáveis no ofício e fazem questão de mostrar que 'estão' garçons não que 'são' garçons”, diz Denerval. O comportamento, segundo ele, não é incomum, principalmente nos restaurantes com pegada mais moderninha. “Eles fingem que não estão vendo você, fazem cara de tédio e acabam azedando a refeição”, afirma.

Aqui, agradar é o oposto do que muitos pensam. “O bom serviço é atencioso, educado e discreto, sem efusividade, intimidade ou bajulação”, diz o autor do Alhos, Passas e Maçãs. Um maître afetado e um serviço que não te deixa em paz? "Esse tipo de profissional cansa qualquer cliente", afirma Lorençato.

O papel do hostess, em compensação, quando bem executado, pode ser fundamental. “É muito chato ficar na entrada de um restaurante sem saber se deve aguardar ou ocupar uma mesa supostamente vazia”, afirma Denerval. A área de espera, aliás, é um lugar onde outros sinais podem ser notados. Como estão os petiscos servidos como cortesia? Eles são uma prévia da refeição, e é bom que estejam gostosos.

Se esperar por um lugar à mesa pode ser desagradável, pior é ter cadeiras demais disponíveis. “Lugar muito vazio? Passo. Dá a impressão de decadência ou fracasso”, diz Denerval.

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O couvert
O que pensar se o couvert apresenta azeitoninhas secas e sem caroço? "Quem põe esse tipo de item sem qualidade no couvert não deve se preocupar muito com a matéria-prima das entradas, pratos principais e sobremesas. É um indicativo forte de que a refeição pode ter problemas", observa Lorençato.

O autor do blog Alhos, Passas e Maçãs concorda. “Um couvert simples, mas com pães feitos na casa e manteiga de qualidade sempre causa boa impressão e eleva as expectativas”, diz.

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Pães quentinhos e feitos na casa são sinais de capricho do restaurante
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Pães quentinhos e feitos na casa são sinais de capricho do restaurante

O cardápio
Reconhecer a qualidade (e honestidade) do restaurante através das cartas de pratos e bebidas não é difícil. “Erros de ortografia nos nomes dos pratos são algo bem chato. E também me causa uma má impressão quando há predominância de pratos com muitos elementos e ingredientes”, anota o redator do Alhos, Passas e Maçãs. A carta de vinho, na avaliação dele, deve seguir regras diferentes. “Para causar uma boa impressão, deve ser diversificada, escapar do óbvio e com sobrepreço de até 80% em relação ao valor cobrado nas importadoras”. Descobrir se o valor cobrado é extorsivo não é difícil. “É possível consultar facilmente esses preços no smartphone”, afirma Lorençato. Uma boa oferta de vinhos em taça também é sempre desejável.

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A higiene
“Minha mulher tem um ponto de observação bem peculiar: ela olha o estado do pano que está sendo usado pelo garçom para limpar a mesa”, diz Sandro Marques, autor do blog Um Litro de Letras . “Às vezes ele é mais sujo que um pano de chão, então imagine como não será o da cozinha.”

O banheiro também é parte importante da experiência. “É bom que seja equipado, limpo, tenha um bom sabonete líquido (e não aquela essência de jasmim colorida e diluída em litros de água), fio dental, papel toalha espesso e um cheiro agradável”, opina Denerval.

Fora de casa

“Em viagens, minha regra é sempre fugir de restaurantes perto dos locais mais visitados - os famosos pega-turista. Fujo de qualquer restaurante que tenha ônibus ou vans de turismo na porta”, afirma Sandro. Segundo ele, um truque que funciona é perguntar para uma pessoa do local qual o restaurante que ela costuma ir com a sua família.

Ele conta que, certa vez, parou um sujeito na rua e disparou: “você sabe me indicar um restaurante?” Depois de ouvir a recomendação do transeunte, disse: “você levaria sua namorada lá? E sua mãe?” As respostas foram positivas e bem assertivas. Sandro deu, então, a cartada final: “e a sogra?” “De jeito nenhum”, disse ele. “Fomos a tal casa e comemos uma caldeirada de frutos do mar estupenda”, recorda o blogueiro.

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