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Dicas para comprar, preparar e aproveitar melhor os alimentos

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*Com reportagem de Júnior Milério

Uma família brasileira de classe média joga no lixo cerca de 20% dos alimentos que compra semanalmente. A informação é do Instituto Akatu, ONG que trabalha em prol do consumo consciente. Isoladamente, esse volume pode até parecer pequeno. Mas, no conjunto, trata-se de uma montanha de comida descartada: 500 gramas por dia – ou 182 quilos anuais por família.

Isso significa que 1) estamos comprando mais do que realmente consumimos; ou 2) não armazenamos os produtos de forma adequada em casa; ou 3) não aproveitamos integralmente os alimentos. No pior cenário, são todas essas atitudes juntas.

Quem já não se flagrou jogando fora aquele pote de requeijão que ficou ‘esquecido’ na geladeira e, claro, perdeu o prazo de validade? Ou a outra metade de molho de tomate que sobrou na lata e se deteriorou? Segundo o Instituto Akatu, boa parte do desperdício de comida se dá pelas mãos do consumidor, seja na manipulação dos alimentos na hora da compra, no armazenamento e preparo culinário ou mesmo nos hábitos alimentares.

     Confira as dicas abaixo para não transformar a sua comida em lixo. As informações são do projeto Mesa Brasil, da ONG Banco de Alimentos e do Instituto Akatu.

No supermercado
- antes de ir às compras, confira quais produtos estão sobrando na geladeira e nos armários
- se possível, leve uma lista do que vai precisar para o período de uma semana
- não vá ao supermercado com fome porque a tendência é sempre comprar mais do que o necessário
- alimentos da época costumam ser mais baratos e frescos e ter maior durabilidade
- escolha frutas e legumes sem cutucá-los ou apalpá-los demais. Isso pode danificar os produtos e diminuir seu tempo de consumo
- cuidado com as promoções: de que adianta levar três se você consegue comer apenas um?
- observe a data de validade descrita nas embalagens e cuidado ao levar para casa produtos que estejam no limite prazo

Em casa, no armazenamento
- frutas, verduras e legumes devem ser armazenados em sacos plásticos fechados
- coloque-os na prateleira mais baixa da geladeira, onde a temperatura é menor
- lave-os somente na hora do preparo porque o contato com a água aumenta as chances de proliferação de mofos e deterioração
- terras e outras impurezas ajudam a prolongar a vida útil desse tipo de alimento
- evite guardar vegetais e frutas já cortadas. Em pedaços, aumenta a área de contato com o ar, fator que acelera a proliferação de bactérias

Em casa, no preparo dos alimentos
- não jogue fora folhas e talos de verduras e legumes. Eles são nutritivos e saborosos. As folhas de beterraba, por exemplo, possuem mais cálcio e fósforo que as próprias raízes que costumamos comer
- por isso, podem ser usados crus ou cozidos em saladas, caldos e sopas, recheios de tortas, farofas e refogados
- cascas de frutas também podem ser aproveitadas em geleias, sucos, chás e doces
- frutas cortadas tendem a durar mais se forem guardadas em temperatura adequada com o caroço (quando houver)
- o pãozinho amanhecido pode ser ralado e transformado em farinha

- está sobrando comida na geladeira? Congele para usar em outro dia
- para produtos industrializados, fique de olho nas datas de validade: depois de aberto, o prazo é mais curto do que o descrito na embalagem


Comida não é lixo
Um estudo realizado em 2004 pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) revelou que o Brasil está entre os dez países que mais jogam comida no lixo. “Nós, consumidores, somos responsáveis por uma parcela considerável desse desperdício”, avalia Luciana Gonçalves, nutricionista e coordenadora do projeto Mesa Brasil, criado pelo SESC São Paulo e também voltado para o consumo consciente. Mas Luciana explica que não somos os únicos culpados nessa história: “Há deficiências em toda a cadeia de produção. Da plantação, passando pelo transporte e pela indústria, até chegar ao comércio e, finalmente, às nossas mãos”. Somos, portanto, a ponta de um imenso iceberg.

Na agricultura, o mau aproveitamento da terra, a escolha inadequada das sementes e a colheita fora de época fazem crescer os números do prejuízo. No transporte, embalagens inadequadas e caminhões sem refrigeração, por exemplo, também põem a perder muito do que se colhe. A indústria, por sua vez, chega a desperdiçar até 15% dos alimentos processados – e (pasme!) essa perda é repassada no valor final do produto.

Quando eles chegam às prateleiras, mais esbanjo. Em São Paulo, o Ceagesp, maior centro de entrepostos da América Latina, chega a jogar fora 100 toneladas de comida diariamente. Nos mercados comuns não é diferente. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em 2009, o índice médio de desperdício foi de 2,36% do total comercializado, sendo a maioria de produtos perecíveis. A pesquisa tomou por base 28 empresas de todas as regiões do país, num total de 1193 lojas – 25% delas não possuem uma área de prevenção de perdas.

“O número ainda é alto, mas percebemos que as grandes redes de comércio e as indústrias de alimentos estão começando a se mobilizar, fazendo parcerias com ONGs e institutos que aceitam doações de comida, além de promover trabalhos educativos para conter o desperdício”, afirma Luciana.

Para saber mais
Banco de Alimentos
(11) 3674-0080

Centreinar - Centro Nacional de Treinamento em Armazenagem
(31) 3891-2270

Instituto Akatu
(11) 3141-0177

Mesa Brasil SESC

SESI - Serviço Social da Indústria



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