Tamanho do texto

Diferentes tipos de churrasqueiras exigem preparos específicos. Compare e escolha a mais adequada para você

Churrasqueira argentina: nossos hermanos usam lenha e carvão misturados como combustível
Divulgação
Churrasqueira argentina: nossos hermanos usam lenha e carvão misturados como combustível
Se há algo em que argentinos e brasileiros concordam é que poucas coisas se equivalem ao prazer de um churrasco. O método de nossos hermanos, no entanto, é diferente do nacional. A começar pelo design da churrasqueira, que também pode ser comprada por aqui sob encomenda. Mas, além dessa e das tradicionais, há outras tantas no mercado – inclusive em versões diminutas para atender quem tem pouco espaço em casa . Cada uma com seus macetes e modo de assar as carnes. Aprenda a comparar suas vantagens e desvantagens e escolha a que melhor lhe convém.  O importante, aqui, é não erra o ponto do assado. Nunca.

Aprenda a calcular a lista de compras para seu churrasco e confira receitas de acompanhamentos


Churrasqueira a carvão feita de alvenaria

É a preferida dos churrasqueiros, mas exige espaço e, inevitavelmente, faz sujeira. Nela, dá para preparar a carne sobre a grelha, no espeto, inteira ou fatiada. Em qualquer situação, o recomendado é acender o fogo com uma hora de antecedência e, só depois de ele virar brasa, colocar as peças para assar. “O fogo alto dá um sabor chamuscado desagradável à carne”, diz Luis Recoba, da churrascaria Bracia Parrilla (Rua Azevedo Soares, 1.008, Tatuapé, São Paulo, tel. 11 2295-0099).

Na churrasqueira convencional, há um buraco onde é depositado o carvão sobre o qual ficam as grelhas e espetos. Há versões mais sofisticadas, como as feitas com lateral de vidro, mas que exigem um grill de elevação (que pode ser elétrico ou manual), que são muito bonitos, mas bem caros (custam até R$ 4 mil).

O ponto da carne depende do gosto do churrasqueiro, mas o recomendado é não virar muito a peça – melhor deixar assar bem de um lado e depois do outro. “Virar muito faz a carne desidratar, ficar mais seca”, afirma Rubens Caballos, da churrascaria Estación Sur (Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1.396, Jardins, São Paulo, tel. 11 3885-0133). Ele indica ainda o uso de pinças para manusear as peças.

Leia também: uma churrasqueira para cada casa

Em pedaços menores: casquinha para todos
Getty Images
Em pedaços menores: casquinha para todos
Churrasqueira portátil a carvão

Boa opção para quem tem menos espaço ou quer economizar (ainda que os modelos mais sofisticados custem o mesmo que uma churrasqueira de alvenaria instalada – em torno de R$ 1,5 mil).

Permite o mesmo tipo de preparo que as de carvão fixa, mas alguns modelos com tampa são ainda mais versáteis. “A tampa é excelente para preparar carnes que precisam de um longo cozimento, como costela e cupim. Depois de fazer a brasa, você coloca a peça e fecha, deixando apenas uma fresta aberta, para o oxigênio mantê-la acesa”, explica Luis, que ainda dá uma dica: “para deixar as carnes mais suculentas também é possível envolvê-las em filme próprio para churrasco”.

O método de embalar a carne retém a umidade e a gordura da peça, e também é conhecido como “no bafo”. Há também quem goste de tampar a churrasqueira nos minutos finais do preparo de uma picanha, por exemplo. Desta forma, o assado ganha um leve sabor defumado.

Uma dica na hora de escolher a churrasqueira portátil é levar em conta o material do qual ela é feita – as de inox costumam ser mais caras, mas duram bastante, são fáceis de limpar e não enferrujam. Para manter uma de ferro em bom estado, é recomendável lavar logo após o uso e secar. Passar vaselina sólida na grelha também ajuda a proteger da umidade.

Leia também: Picanha, a rainha do churrasco

Churrasqueira à moda argentina

Em vez de um buraco, elas têm um plano reto amplo onde é colocada a lenha e o carvão. Os argentinos costumam usar os dois, já que a lenha queima mais devagar e, assim, não requer tanta reposição; e o carvão produz brasa mais rápido.

Nesse tipo de churrasqueira, a carne fica de um lado e o combustível do outro. Quando é preciso, com a ajuda de uma pá, o churrasqueiro puxa a brasa para baixo da grelha onde está o assado. “Ela acelera o tempo de preparo e não queima a carne. O sabor é ideal", diz Recoba.

As grelhas argentinas também são diferentes – têm um formato em “V” e são levemente inclinadas, de forma que a gordura escorra e não caia sobre a brasa. “Quando ela cai sobre o fogo, exala um cheiro ruim que pode amargar o sabor da carne”, explica Luis.

Por tradição, os argentinos costumam usar sal fino no lugar do grosso e em geral assam peças menores, individuais. Assim, todos desfrutam da casquinha tostada da carne. Para esse tipo de preparo, dá para comprar os cortes no tamanho desejado ou assar rapidamente um pedaço grande, de ambos os lados, cortar em porções individuais e só então finalizá-lo sobre as brasas.

Leia também: O churrasco brasileiro versus o assado argentino

Na grelha, a carne se mantém hidratada
Divulgação
Na grelha, a carne se mantém hidratada
Churrasqueira a gás

Os puristas torcem o nariz, mas há quem seja fã da churrasqueira a gás. Motivos para isso não faltam: é fácil de limpar, de manter a temperatura alta e alguns modelos podem ser embutidos na parede. Chapas ou pedras aquecidas pelo fogo dão conta de assar a carne, mas o preparo é mais lento e a peça não fica com o sabor defumado característico da queima do carvão.

“Já trabalhei algumas vezes com churrasqueiras a gás e não digo que são ruins, mas a carne fica mais ressacada do que a feita no carvão ou a lenha”, diz Rubens. “É um quebra galho para quem mora em apartamento e não pode fazer fumaça, mas é preciso saber que o uso e o resultado são limitados”, adverte Luis.

Nos modelos menores, a única possibilidade de preparo é no espeto, que impede que peças maiores sejam assadas e, pela perfuração, faz com percam umidade. Por isso, é importante redobrar a atenção para que a carne não passe do ponto --ao invés bem-passada, ela ficará seca.

Apesar da desconfiança (ou reprovação) do público, muitas churrascarias usam esse método.

Clique aqui e aprenda a fazer a caipirinha nota 10

Churrasqueira elétrica

Tem as mesmas vantagens da churrasqueira a gás, sendo que o aquecimento é feito como num forno elétrico, mas de forma unilateral.

Os modelos mais comuns também costumam se limitar aos espetos e há outros que consistem apenas em um grill. “Fora o formato, não vejo diferença entre uma carne preparada na churrasqueira elétrica ou no forno. No forno, inclusive, a distribuição de calor é melhor, e o cozimento mais uniforme. Além de ser mais fácil de dar o ponto”, compara Luis.

Leia também: o chope perfeito em nove passos

Churrasqueira de fogão

Tecnicamente, o aparato redondo com um furo no meio, onde deve ficar a boca do fogão, não deve ser chamado de churrasqueira – apresar de ser ótimo para grelhar carnes consumidas no dia a dia. A grelha suspensa permite que a gordura escorra, tornando o preparo mais saudável. Mas, como o calor vem de um ponto central e único, é inevitável virar o assado várias vezes. Caso contrário, ele pode queimar ou cozinhar de maneira desigual.

Veja aqui a galeria de fotos com as churrasqueiras citadas acima

Veja no iG Saúde: como preparar um churrasco mais saudável

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.