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O embutido é quase sempre protagonista, mas a receita do sanduíche varia de acordo com a cultura do lugar

O cachorro-quente Astro, da paulistana Lanchonete da Cidade, leva queijo e cebola empanada
Divulgação
O cachorro-quente Astro, da paulistana Lanchonete da Cidade, leva queijo e cebola empanada
Determinar a origem de um prato é tarefa (quase) impossível na culinária. Mais ainda quando ele conquista paladares do mundo inteiro, e a receita acompanha a diversidade de hábitos alimentares. De acordo com o lugar onde é preparado, sanduíches com nomes idênticos podem levar açaí, manga, repolho, ovo, purê de batata e uva passa -- e esses são apenas alguns sabores que dividem com salsichas o pequeno espaço entre uma fatia e outra de pão. Com vocês, cachorro-quente.

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A teoria mais difundida sobre a origem sanduíche é de meados do século XIX, na Alemanha . Conta-se que o açougueiro e produtor de linguiças Johann Georghehner batizou a receita em homenagem a seu cãozinho da raça basset. Mas foi nos Estados Unidos que o cachorro-quente ganhou popularidade. “Em Nova York, por exemplo, come-se hot dog na rua com cebola, chucrute e mostarda", afirma Jorge da Hora, professor de gastronomia do Centro Universitário Senac Águas de São Pedro, em São Paulo. " Costume, por sinal, parecido com o alemão." Isso sem falar no enorme consumo em estádios e eventos esportivos. E isso não é tudo. Abacate, banana, papaia, cebola, feijão vermelho e alho são alguns exemplos de como o preparo varia de acordo com a cultura do lugar.

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No Brasil, o cachorro-quente tornou-se popular em 1942, com a vinda de norte-americanos para as bases militares durante a II Guerra Mundial. “Em 1945, já tinha virado hábito nacional”, afirma o professor. As cinco regiões do País também fazem adaptações na receita. “No Sul, ele sofre influência alemã”, diz Hora. “Já no Norte, pode vir com maionese de tucupi e aviú (pequeno camarão de água doce)”. Em Recife, o sanduíche nem leva salsicha, mas pimentão verde, tomate, cebola e carne moída.

Confira aqui as diferenças explicadas pelo especialista Jorge da Hora

Cachorro-quente: recheie como quiser
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Cachorro-quente: recheie como quiser
Com a riqueza culinária de São Paulo, a diversidade de cachorro-quente também é grande. Vale tudo na terra da garoa: purê de batata, batata palha, molho vinagrete, ervilha, milho etc. Para André Lima, diretor gastronômico da Lanchonete da Cidade , “quanto mais simples, melhor”. Segundo ele, a salsicha que mais agrada os clientes da casa é a de carne suína. “Se for de frango, o molho deve ser mais suave”, diz.

Confira aqui a receita do cachorro-quente Astro, da Lanchonete da Cidade, em São Paulo

Outra coisa que pode mudar o jeitão do sanduíche é o pão. O tipo hot dog, de massa doce, ou baguete, para um sanduíche mais crocante, são os preferidos do brasileiro. O sucesso é comprovado na rede de lanchonetes especializada em cachorro-quente Black Dog , em São Paulo. Em média, suas oito lojas vendem três mil cachorros-quentes por dia.

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Além da variedade de pães, a casa tem opções de embutidos e uma porção de recheios. “Isso permite que o cliente escolha o acompanhamento que quiser”, diz o proprietário Leandro Neves . E as combinações vão longe. “Já vi misturarem ovos de codorna e uva passa!” Para não deixar ninguém com vontade de comer o sanduíche, na casa tem até salsicha de soja. “Além de boa pedida para vegetarianos, ela divide tranquilamente o sabor com outros ingredientes”, afirma Leandro.

Os tipos verde e amarelo de cachorro-quente

Norte : cachorro-quente com maionese de tucupi, aviú (pequeno camarão de rio), ervas como chicória e jambú, açaí entre outros ingredientes típicos da região.

Nordeste: normalmente servido com uma ou duas salsichas, tem opções com milho, ervilha, batata palha, requeijão, molho vinagrete ( tomate, cebola, pimentão e coentro com azeite de oliva e vinagre), queijos cremoso e ralado. Ali, pão com pimentão verde, carne moída, tomate e cebola também é chamado de cachorro-quente.

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Centro-oeste: o pequi também está presente nesta versão do cachorro-quente em forma de molhos, óleos e pimentas aromatizadas, valorizando um ingrediente peculiar desta região.

Sudeste: na região há versões de diversas regiões do Brasil. Purê de batata , milho, ervilha, queijos, ovos de codorna, uva passa, batata palha são alguns exemplos de ingredientes usados no cachorro-quente.

Sul: por conta da influência alemã, podem levar purê de batata , saborosas opções de mostardas, chucrute e raiz forte. A variedade de salsichas é grande.

Black Dog
Av. Ibirapuera 2453. Moema, São Paulo, SP, tel. (11) 5051-7878; mais 7 endereços em São Paulo e 1 em Belo Horizonte, MG

Lanchonete da Cidade
Alameda Tietê, 110, Jardim Paulista, São Paulo, SP, tel. (11) 3086-3399; mais 3 endereços em São Paulo

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