Brunch de domingo

Inspirado no hábito americano de mesclar café da manhã e almoço, o iG Comida preparou um brunch com gostinho bem brasileiro

Marcela Besson, iG São Paulo |

Getty Images
Ovos mexidos, bacon e panquecas: itens indispensáveis ao original brunch americano
“O desjejum é a pedra angular”, sustentou o poeta e escritor americano Robert P. Coffin em seu artigo O Bom Desjejum do Leste Profundo , publicado em 1949 pela revista Gourmet *. No texto, Coffin se referia com conhecimento de causa ao café da manhã servido no Maine, seu estado de origem. Segundo o autor, naquelas terras de inverno rigoroso, esta refeição ganha contornos substanciosos. “É como um concerto sinfônico (...), um espetáculo inteiro de massa, de carne, de doçura, de gordura”, completa.

Com esses antecedentes de fartura matinal, é natural que os Estados Unidos tenham sido também os criadores do brunch. O termo, que se tornou popular aqui no Brasil, é uma contração das palavras br eakfast (café da manhã) e l unch (almoço). E a proposta é mesmo essa, uma mistura das duas refeições. O resultado é comida em abundância, para ser degustada demoradamente.

No dia a dia, é difícil encontrar tempo para se dedicar assim ao café da manhã. Isso vale para americanos, brasileiros, franceses... (esses últimos costumam ‘engolir’ o seu petit déjeuner enquanto caminham em direção ao trabalho). É, portanto, em dias mais preguiçosos e descompromissados, especialmente aos domingos, que o brunch se encaixa como alternativa ao corre-corre da rotina.

O costume é chegar e sair da mesa tarde, num período que pode começar entre nove e dez horas da manhã e se arrastar até a metade da tarde. E, para quebrar a fome de uma noite inteira, a lista de itens do tradicional brunch americano inclui cereais, bacon com ovos cozidos ou fritos, saladas de frutas e de vegetais, tomates verdes fritos, panquecas e waffles com geleias variadas, tortas salgadas e carnes frias (como rosbife), muffins e bolos de frutas. Para beber, sucos, chás, iogurte natural e café.

Uma experiência bem semelhante à de acordar em um hotel e dar de cara com aquele bufê de café da manhã enorme, com um sem fim de pães, frios, sucos e bolos.

Versão brasileira
Por aqui, também há registros de fartura no café da manhã. A Larousse da Cozinha Brasileira (Editora Larousse, 2007) diz que em Manaus, por causa do desgaste causado pelo clima úmido, a primeira refeição do dia costuma ter alto valor energético. E dá-lhe paçoca de charque com farinha, macaxeira cozida com manteiga, canjicas, mingau de açaí, pupunha e sanduíches como o de pão com tucumã e queijo de coalho.

A história de abundância se repete no sul do país com o nome de café colonial, herança dos imigrantes alemães. Na mesa, desfilam tortas e rocamboles – salgados e doces –, embutidos, pães recheados, geleias, cucas de maçã e banana, além do bom e velho café com leite. Embora não sejam conhecidos pelo nome gringo, esses desjejuns infindáveis acompanham tal e qual o conceito do brunch americano, para o qual, repetimos, é preciso ter de sobra apetite e tempo. Aproveite o domingo para preparar o seu em casa.

Divulgação
Brunch brasileirinho: com pão de queijo e bolo de fubá cremoso

Dica: compre pronto
Pães de vários tipos, torradas, frios, iogurtes e geleias. Para beber, sirva sucos, água de coco, frutas da estação, chás e café.


Bebida alcoólica pode?

Sim, responde o sommelier Ivan Hannickel, da importadora Vinea , em São Paulo. Mas ele explica que é preciso ter critério na escolha. O brunch reúne na mesa pratos muito variados, doces e salgados, e com quantidades diferentes de gordura. "Um espumante seco, servido bem fresco, casa perfeitamente com esse tipo de refeição porque funciona como adstringente, para 'limpar' o paladar entre um prato e outro", diz Hannickel. Fazendo par com os espumantes, os vinhos rosés também aparecem como sugestão e podem ser desgustados do início ao fim do brunch.

Para quem não dispensa o bom e velho cafezinho coado ou o café com leite, Hannickel oferece duas soluções. Se tomar o café logo no início da comilança, coma um pãozinho simples ou uma maçã em seguida para neutralizar o paladar e, aí sim, partir para o espumante. Outra saída é deixar o cafezinho para arrematar a refeição.

O sommelier Marcelo de Moraes, da Cantu Importadora , em Curitiba, também concorda com a presença do espumante na mesa do brunch. E dá uma dica boa para servi-lo de um jeito diferente: "Na taça, coloque uma parte de suco de laranja natural e a outra de espumante seco", ensina. Segundo Moraes, o resultado é um acompanhamento mais leve e menos alcoólico para a comida. Para vinhos brancos não-espumantes, o especialista sugere rótulos feitos com as uvas torrontés, que produz vinhos aromáticos típicos da Argentina, e chardonnay. 

Dica: compre pronto
Croissants e folhadinhos recheados doces e salgados, baguetes e pãezinhos, geleias, queijos e petit fours.

*O artigo integra a obra Banquetes Intermináveis (DBA Editora, 2009), que traz alguns dos melhores textos publicados pela extinta revista americana Gourmet , selecionados por Ruth Reichl.

    Leia tudo sobre: brunchdomingocafé da manhã

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG