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A oferta termina e deixa um gostinho de “quero mais”. Por que, afinal, os restaurantes não fazem mais menus promocionais?

Restaurant Week: serviço atrapalhado faz parte
Getty Images
Restaurant Week: serviço atrapalhado faz parte
A São Paulo Restaurant Week acabou no último fim de semana. Movimentou 50 milhões de reais e contabilizou 750 mil frequentadores contra 30 milhões de reais e 500 mil pessoas da edição anterior. Como ocorreu em outros anos, a semana promocional, quando teoricamente é possível comer em restaurantes bacanas pagando menos, deixou a pulga atrás da orelha: por que no Brasil tão poucos estabelecimentos oferecem menus a preços fixos, a exemplo do que acontece na Europa e suas populares fórmulas com entrada, principal e sobremesa e, muitas vezes, taça de vinho ou o copo de água?

Afinal, como mostram os números, não faltam interessados. Ainda mais em regiões como a capital paulista, onde comer fora está cada vez mais amargo. É verdade que hoje muitos restaurantes têm cardápio executivo no horário de almoço. É algo relativamente comum em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Geralmente, encontramos nesses lugares entrada, prato principal e sobremesa a um preço até camarada, se comparado com os praticados no cardápio comum da casa. Nossa reportagem chegou a alertar os leitores que alguns desses combinados custam o mesmo ou menos do que as ofertas da Restaurant Week. Mas, e à noite, quem consegue jantar a 39,90 reais em um lugar bacana? Infelizmente, isso (ainda) é luxo para poucos.

As reclamações dos clientes da Restaurant Week costumam ser recorrentes: esperas intermináveis, serviço atrapalhado, comida que não empolga ou não corresponde ao que promete. Às vezes, o restaurante tem um cardápio convencional tentador, mas o menu da promoção não reflete, nem de longe, a personalidade do chef à frente de suas caçarolas. Em edições passadas, o restaurante Antiquarius , por exemplo, foi alvo de reclamações por causa do serviço considerado preconceituoso. O atendimento era “diferenciado” na mesa que pedia a promoção. Neste ano, a casa optou por não participar do evento.

Nessa edição, chamou a atenção o depoimento da chef argentina Paola Carossela, do paulistano Arturito . Em entrevista a um jornal diário, ela revelou sua insatisfação em servir comida em ritmo acelerado. Achou que o modelo proposto resultaria em prejuízo para a casa. Mas será que o lucro é a ideia essencial da brincadeira? Por outro lado, Paola fez escolhas coerentes no funcionamento durante as semanas promocionais: só atendeu com reservas e sem giro, por exemplo, e focou suas receitas em aparas de ingredientes nobres servidos no caro jantar de seu restaurante, no bairro de Pinheiros.

Mas ajustes são sempre benvindos. Alguns cardápios, se comparados com o oficial da casa, deixaram a desejar. “No Picchi , comi macarrão com pesto de rúcula e doce de abóbora com uma bola de sorvete de sobremesa. O menu convencional da casa era muito mais atraente, elaborado”, diz a publicitária Helena de Oliveira. Esse tipo de coisa faz, sim, o comensal se sentir o primo pobre a quem o restaurante está fazendo o favor de receber. Sem falar na incoerência conceitual. “Doce de abóbora na gastronomia italiana eu nunca vi. Não dá!”

Em tempos de redes sociais, essas insatisfações ecoam muito. Desta vez, porém, parece que os teclados ficaram mais silenciosos. Sinal de que o evento está amadurecendo? Talvez. Entre famintos e bem alimentados, porém, salvaram-se todos. Anima a promessa de Emerson Silveira, um dos organizadores da Restaurant Week: “A casa que não se enquadrar no nosso formato está fora”. Com isso, o público tende a aumentar ainda mais e a qualidade do serviço, tudo indica, deve seguir o mesmo ritmo. Quem assim seja.

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