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Guia italiano descreve óleo feito no Rio Grande do Sul como harmônico e de sabor suave e delicado

Olival: azeite brasileiro está entre os melhores do mundo
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Olival: azeite brasileiro está entre os melhores do mundo

A edição 2011 do Flos Olei , guia italiano que aponta os melhores azeites de oliva do mundo, incluiu o produtor Olivas do Sul, do Rio Grande do Sul, em sua seleção. No guia, o jornalista e crítico de vinhos e de comida Marco Oreggia descreve o azeite brasileiro como “harmônico no aroma, com notas de vegetais, como chicória, alface e alcachofra, e ervas aromáticas, como manjericão e salsa. No sabor, é suave e delicado, com notas de legumes frescos e final de amêndoas doces.”

O guia Flos Olei é confeccionado a partir do resultado do Concurso Internacional Flos Olei, aberto para empresas de olivicultura. O objetivo é selecionar e listar os melhores azeites extra-virgem do mundo. São consideradas amostras enviadas junto com as respostas a um questionário de pré-requisitos. Os frascos são submetidos a um júri de prova composto por peritos representantes das principais regiões oleícolas da Itália. Eles são coordenados por Oreggia, que é autor do guia e provador oficial de azeite extra-virgem da Câmara de Comércio de Roma.

A avaliação é feita com base na chamada "metodologia de análise organoléptica" do COI (Conselho Oleícola Internacional). São considerados cor, brilho, sabor, odor e textura. Os melhores vão para o guia que é editado em duas línguas (italiano e inglês). Atualmente, a lista conta com produtores de mais de quarenta países da Europa e de outros continentes.

O produtor Olivas do Sul foi incluído em guia italiano que aponta os melhores do mundo
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O produtor Olivas do Sul foi incluído em guia italiano que aponta os melhores do mundo
O azeite brasileiro - José Alberto Aued, dono do Olivas do Sul, há 15 anos começou a buscar uma cultura diferente que valorizasse seus 13 hectares de terra em Cachoeira do Sul. Inspirou-se nos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. “Pensei, se eles produzem azeite, por que não podemos fazer também?”. Aued apostou na semelhança geográfica e climática, pois o microclima sulista é favorável ao cultivo de azeitonas. “É preciso frio de no mínimo 200  horas por ano com temperatura abaixo de 12 graus para induzir a oliveira à floração”, explica Nilton Caetano de Oliveira, coordenador do Núcleo Tecnológico de Azeitona e Azeite, da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), que pesquisa olivicultura em Maria da Fé desde 1955. “No Brasil, há outras regiões que reúnem condições para esse cultivo, como a Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais e São Paulo." Junto com produtores locais a EPAMIG também produz azeite de oliva extra-virgem desde 2008. “Foi um trabalho de anos testando variedades de oliveira que melhor se adaptassem ao Brasil”.

Como no terroir para vinhos, as condições geográficas e de clima impactam nas características do óleo, por isso, é preciso encontrar tipos de azeitonas que se desenvolvam bem em terras brasileiras. “Nossa maior dificuldade foi a falta de referência para a produção local. Não dá para seguir a cartilha de um produtor do Mediterrâneo, já que as condições lá são completamente distintas das daqui”, especifica Aued. “Trabalhamos em Cachoeira com três variedades de azeitona, mas existem mais de 400 espécies de oliveira sendo trabalhadas no mercado. Estamos testando e aprimorando”, anota.

As expectativas são boas para os próximos anos. “Em 2015, esperamos uma produção local de azeite de 800 toneladas”, calcula Caetano de Oliveira, da EPAMIG. Um bom tanto abaixo do volume mundial que gira em torno de 2,8 milhões de toneladas por safra. Itália, Espanha e Grécia são os grandes produtores. É um começo pra produção brasileira. “Hoje existe uma área plantada em Minas Gerais de 500 hectares com 250 000 plantas, e uma associação (Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira) com sessenta associados em cinquenta municípios, sendo quarenta em Minas Gerais e dez em São Paulo.” 

Aued também está otimista com o futuro e espera saltar dos 800 litros produzidos na última safra em 13 hectares para 32 000 litros em 23 hectares de terra. “Não fizemos mais por não ter capacidade, mas a aceitação do nosso produto foi positiva no mercado local. Vendemos tudo em menos de seis meses.”

No consumo, o Brasil também engatinha. Enquanto espanhóis e italianos “bebem” 12 litros de azeite per  capta por ano e os gregos 26 litros, nós ficamos com parcos 200 mililitros anuais por habitante. Para Caetano Oliveira, o conhecimento do brasileiro em relação ao azeite ainda é muito pequeno.

E é no paladar que todo o mito em torno do “ouro líquido do Mediterrâneo” se justifica. “O azeite é um verdadeiro suco de azeitona, que mantém todos os sabores do fruto, todos os perfumes da terra e a estrutura específica de seu terroir de origem, conservando todas as substâncias nutritivas originais”, descreve Luciano Percussi, em Azeite: História, Produtores, Receitas (Editora Senac). “O azeite é um óleo diferente de todos os outros, a dificuldade em extraí-lo e suas características naturais o tornam caro, raro e superior”, avalia Aued, o produtor sulista.

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