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Julie & Julia chega aos cinemas neste fim de semana. É um filme sobre (e para) quem gosta de comida

Julie & Julia  entra em cartaz neste fim de semana no circuito comercial. O filme de Norah Ephron, sobre o qual quase todo mundo já ouviu falar, trata da história de duas mulheres apaixonadas por comida, à procura de inspiração e de rumo.


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Paris, fim dos anos 40. No restaurante, o casal de americanos Julia e Paul bate papo enquanto saboreia o jantar. Julia suspira. Que comida maravilhosa.

Paul é diplomata. Julia é... Bem, a verdade é que Julia, perto dos quarenta anos, ainda não sabe o que dizer quando lhe perguntam algo como "o que você faz da vida?".

Durante a Segunda Guerra, ela trabalhou para o governo americano. Foi quando se conheceram. Casaram-se. Logo depois, Paul foi transferido para Paris e os dois viveram na França por um bom tempo. Julie adorou. Não falava uma palavra de francês, mas era feliz. Só que durante algum tempo ficou um tanto perdida.

"O que exatamente você gosta de fazer?", perguntou o marido. "Comer", respondeu Julia Child, com a habitual espontaneidade e um sorriso lindo. Os dois caíram na risada.

A esta altura, na poltrona, o espectador já está apaixonado pela americana grandalhona, um tanto desengonçada, simpática e falante interpretada pela atriz Meryl Streep.

A paixão pela comida leva Julia à célebre escola de culinária Le Cordon Bleu, no curso para cozinheiros profissionais. As aulas descortinam todas as nuances da culinária francesa e Julia, por sua vez, leva esse repertório para as americanas em livros e programas de televisão. Já nos Estados Unidos, ela se transforma em uma espécie de Ofélia (você se lembra, a mulher da cozinha maravilhosa).

A contribuição de Julia para o paladar dos americanos é extraordinária. Para ter uma ideia de sua importância na cultura gastronômica, o museu dedicado à história dos Estados Unidos - cravado no conjunto do Smithsonian, em Washington - tem um capítulo dedicado exclusivamente à grande cozinheira. Seus instrumentos estão todos lá. Bancadas, assadeiras e aparelhos domésticos. É a cozinha de Julia totalmente reconstruída.

Nos Estados Unidos, quase sessenta anos depois daquele jantar de Julia e Paul, outra americana que adora comer e cozinhar está à procura de motivação. Avançando na casa dos 30, num emprego chato, morando num cubículo com o marido - querido e carinhoso -, mas praticamente sem perspectiva profissional, Julie está em crise.

No livro Mastering the Art of French Cooking , de Julia Child, Julie encontra inspiração para o projeto mais ambicioso de sua vida: um blog no qual decide contar todas as suas aventuras na tentativa de executar centenas de receitas da cozinha francesa. As mais clássicas. Todas ensinadas por Julia. O prazo é um ano. O blog vira livro ( Julie & Julia: 365 Dias, 524 Receitas e Uma Cozinha Apertada ). O livro vira filme.

Julie & Julia é muito mais que a fita sobre comida mais falada do momento. É um longa sobre plano B, entrega, paixão e vontade de fazer. Dirigido por Norah Ephron, de Harry e Sally , tem o roteiro adaptado de duas obras. Minha Vida na França , de Julia Child (1912-2004) e Julie & Julia , de Julie Powell. Nas livrarias.

(*) colaborou Flávia Pegorin, especial para iG São Paulo




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