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Três livros mostram as belas e inusitadas criações do design culinário, nova disciplina que une artes plásticas e gastronomia

Nem cozinheiro, nem crítico gastronômico. Na França, a nova profissão dos que se interessam por estética e cozinha é a de designer culinário. Imagine pratinhos de chá que, em vez de serem feitos de porcelana, são de biscoito; pães que vêm com alças e podem ser carregados como bolsas; uma torta mil folhas que imita livros na estante. Não se trata de mera decoração, já que tudo pode ser de fato comido, mas de uma brincadeira com todos os sentidos. Imagem e sabor são pensados juntos, antes da criação dos pratos, e brincadeira e interatividade são dois conceitos muito presentes.

Em 2010, três dos grandes nomes da área (basicamente, os três únicos “papas” da disciplina) colocaram seus primeiros livros no mercado. Antes disso, haviam sido publicados apenas alguns catálogos sobre o tema. Lançados no começo do ano, Culinaire Design , de Marc Bretillot (escrito com o jornalista Thierry de Beaumont), e Food Designing , de Marti Guixé, são uma compilação de suas obras. Publicado no fim de outubro e mais completo dos três livros, Design Culinaire , da especialista Stéphane Bureaux e da jornalista e crítica gastronômica Cécile Cau, mostra os principais trabalhos de diversos criadores, inclusive Bretillot e Guixé.

Trata-se de um misto de coffee table book e livro de referências, com centenas de belas fotos, além de alguns processos de montagem dos pratos e uma abertura com contextualização histórica sobre a disciplina bastante esclarecedora. Há muitas criações de designers, mas também algumas obras de chefs que flertam com as artes plásticas, como Ferran Adrià, Heston Blumenthal e Massimo Bottura.

O livro de Marc Bretillot também oferece uma boa porta de entrada para os interessados. O francês, que reinvidica para si o título de fundador do movimento, coordena o único curso superior dedicado à nova disciplina na França, na Escola Superior de Arte e Design de Reims , na região de Champagne. Em uma de suas criações mais famosas, incluída na publicação, ele reproduz um totem a partir de cenoura e língua de coelho. Tudo comestível, claro (vale lembrar que o coelho na França não é um bicho de estimação, mas um animal destinado à alimentação).

Já o catalão Marti Guixé, que trabalha com design culinário desde o fim dos anos 1990, mas somente agora lançou seu livro manifesto, teve formação em decoração e criava objetos antes de se interessar pela comida. Já prestou serviços para as marcas de roupa Camper e Desigual e para a fábrica de pirulitos Chupa-Chups, apenas para citar suas parcerias mais famosas. Para ele, o design culinário cria, sim, objetos de design, com a diferença de que são comestíveis. Obras efêmeras, mas que sem dúvida merecem fazer parte das melhores bibliotecas de arte.

Na estante
Culinaire Design , de Marc Bretillot e Thierry de Beaumont, ed. Alternatives, 184 págs, 29 euros. Textos em italiano e inglês.
Food Designing , de Marti Guixé, ed. Corraini, 192 págs, 35 euros. Textos em francês
Design Culinaire , de Cécile Cau & Stéphane Bureaux, ed. Eyrolles, 206 págs, 35 euros. Textos em francês

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