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As embalagens ilustradas por grandes nomes nacionais e internacionais

Belle Epoque Rosé, da Perrier Jouët: feita pelo artista francês Noé Duchaufour-Lawrance
Divulgação
Belle Epoque Rosé, da Perrier Jouët: feita pelo artista francês Noé Duchaufour-Lawrance
Há muito tempo é sabido que a embalagem de um produto é tão importante quanto ele próprio. Ou não se gastaria tanto dinheiro com comunicação visual e a oferta de firmas especializadas em embalagens seria reduzida. Estes profissionais estudaram para dominar técnicas de comunicação estimulantes às vendas e sabem tudo sobre as cores que chamam mais a atenção do consumidor, materiais adequados, formatos e tamanhos. Algumas empresas investem ainda mais alto e contratam artistas para desenvolverem o invólucro que abrigará suas invenções. Verdade é que, envolvidos na febre consumista, muitas vezes não nos damos conta de que estamos levando para casa verdadeiras obras primas que, tudo bem, são impressas em série, mas entram nas nossas vidas de maneira definitiva.

Exemplo disso são os rótulos dos popularíssimos produtos da marca Piraquê. Criados pela brasileira Lygia Pape, falecida em 2004, os potes, saquinhos e latas de bolachas marcaram gerações e imprimiram bom gosto no inconsciente de muita gente. Caso da embalagem do biscoito recheado Goiabinha, dos salgados Queijinho, Presuntinho, Cream Cracker, dos clássicos Maria e Maisena entre outras inesquecíveis aos que nasceram depois dos anos de 1960 – período em que a artista passou a emprestar seus talentos à marca.

Vale observar que a iniciativa cumpre o importante papel de levar arte às massas, de uma maneira quase subliminar, além de exercer sua função direta, relativa ao volume de vendas. “Aquele vermelho aparecia para valer nas gôndolas dos supermercados. Dava para achar os produtos de longe”, disse Lygia em depoimento gravado em sua casa, em 23 de fevereiro de 2003.

Nem todo trabalho deste tipo atinge o grosso da população, mas, sem dúvida, faz a diferença. A Perrier Jouët, que produz um dos champanhes mais caros do mundo, pediu, em 1902, ao mestre vidraceiro Emile Gallé que decorasse uma garrafa Magnum. Passados 60 anos, a obra foi encontrada e lançada com o primeiro vinho espumante vintage da casa, o Belle Epoque Brut. O desenho ficou mundialmente conhecido e passou a ser a marca da Maison. Desde essa época, outros artistas fizeram rótulos e adereços para a empresa, sempre inspiradas no trabalho de Gallé.

O artista francês Noé Duchaufour-Lawrance, por exemplo, desenvolveu todo o material de lançamento da última novidade da empresa, o Belle Epoque Rosé (foto) . O preço não chega a ser de obra de arte -- a garrafa custa cerca de 1.500 reais --, mas está bem acima das possibilidades financeiras da classe média brasileira. Para as degustações, Noé criou a Flower Table, uma mesa em formato de anêmona (símbolo da marca), que serve de suporte para o balde de gelo, definida por ele como “um objeto de liberdade” que reflete tanto a sua personalidade quanto à da bebida. Esta, mais exclusiva ainda, saiu em série limitadíssima com apenas 25 peças e não está à venda. São aquelas coisas que o dinheiro não pode comprar, mas têm a poética função de alimentar a alma de quem vê.

Outra que investe pesado nas expressões artísticas como chamarizes de vendas é a Absolut Vodka. Suas embalagens especiais, além de festejadas pelo público, viraram objetos de colecionadores. A moda começou quando, em 1985, o ícone da cultura pop americana, Andy Warhol, foi contatado para pintar uma imagem da vodka mais emblemática do mundo. O trabalho abriu as portas da empresa para os mais de 400 artistas (entre fotógrafos, escultores, design gráficos, estilistas) que, até hoje, estamparam suas marcas nas garrafas suecas e esse número continua crescendo. Sinal de que a arte, mesmo para quem, por ignorância ou inocência, acha que não gosta, está presente em todos os meandros da vida. Felizmente.

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