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Bartenders abraçam a valorização do produto nacional e provam que a rota da cachaça não passa só pela caipirinha

O vistoso drinque do paulistano Pé de Manga leva suco de fruta, licor e cachaça
Divulgação
O vistoso drinque do paulistano Pé de Manga leva suco de fruta, licor e cachaça
Em todo bar que se preze, do mais fuleiro até o metido a chique, lá está ela no cardápio. No formato tradicional, com limão e açúcar,  ou nos mais inventivos, com especiarias, frutas tropicais, ervas e pimentas – a caipirinha é o drinque mais festejado da botecagem brasileira. Pelo menos, até agora.

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Qualquer pessoa mais interessada em gastronomia já percebeu: a grande sacada dos cozinheiros badalados mundo afora é fazer receitas superelaboradas com ingredientes típicos de seu País. Seguindo essa mesma linha, aos poucos, donos de bares e mixologistas abrem os olhos para as inúmeras possibilidades reservadas ao destilado nacional, ainda tão pouco explorado por trás de balcões brasileiros e gringos.

No paulistano  MyNy Bar , o barman Marcelo Serrano apostou na cachaça em seu drinque Bossa Nova , um martíni de cachaça feito com os ingredientes da caipirinha e um toque de angostura. Já no Pé de Manga , em São Paulo, o bartender Antônio Mesquita fez um drinque que mistura suco de fruta, cramberry, licor e cachaça, enquanto no Astor e no Subastor , ambos na capital paulista, o The Wallpaper , com cachaça, maracujá e pimenta dedo-de-moça, leva esse nome por ter sido escolhido como coquetel do ano pela revista inglesa de mesmo nome.

Veja aqui a receita do drinque Bossa Nova

Veja aqui a receita do drinque do Pé de Manga

Veja aqui a receita do drinque The Wallpaper

Martini de cachaça do paulistano Bossa Nova
Divulgação
Martini de cachaça do paulistano Bossa Nova
Cachaça para o mundo

Rogério Rabbit, bartender e consultor de bebidas, é dono de um dos trabalhos mais consistente quando se trata de dar novos formatos à cachaça. Inconformado com o baixo aproveitamento da bebida, passou a pesquisar e a fazer testes com outras técnicas coqueteleiras – drinques sour, gasosos, martínis e outros que, normalmente, eram preparados com vodca, rum e gim.

Veja aqui a receita do drinque Soda Rabbit

Os bons resultados vieram em seguida: representando o Brasil em campeonatos de coquetelaria foi finalista com drinques como o Aqua Vitae, com cachaça, limão, mel orgânico, chá verde e hortelã. Se no Brasil os coquetéis mais criativos com cachaça já são uma surpresa, no estrangeiro eles são recebidos ainda com mais entusiasmo e curiosidade. “Eles ficam muito impressionados por que a experiência deles com a bebida é mínima ”, afirma Rabbit.

A pesquisa de Rabbit ganhou força quando a Abrabe (Associação Brasileira de Bebidas) chamou o bartender para apresentar seu material em ações de promoção da cachaça em um tour pela Europa. No roteiro, Alemanha, onde a caipirinha já faz muito sucesso, Itália e Inglaterra. As mais de 50 receitas desenvolvidas viraram uma cartilha distribuída para bartenders europeus com receitas de coquetéis com o destilados, dos mais sofisticados até o popular rabo de galo. “Quis resgatar os primeiros drinques criados, que existem em todo boteco do Brasil”, diz.

Veja aqui a receita do drinque de Rabbit Grand Passion

Cartas exclusivas de cachaça podem alavancar o consumo da bebida

Rabbit, que atualmente procura ponto para abrir seu próprio bar em São Paulo, quer levar o trabalho com cachaça além dos coquetéis e estabelecer um novo formato para as cartas do destilado. “O que vejo por aí são listas de nomes com preços e, no máximo, a região produtora”, afirma. O mixologista acredita que ainda há preconceito com a cachaça e que uma melhor apresentação poderia alavancar seu consumo. “Gostaria que as pessoas pedissem a bebida, no restauarante, sem constrangimento, com a mesma atitude de quem pede um vinho”, diz.

Veja aqui a receita do drinque de Rabbit Ouro Preto

A carta ideal, na visão de Rabbit, deve trazer o tipo de madeira usada no envelhecimento assim como o tempo de repouso da bebida em barris – algo determinante no sabor final da bebida. “O carvalho é usado em bebidas no mundo todo e confere notas características – baunilha, caramelo, mel. No Brasil, usamos mais de 30 madeiras para envelhecer cachaça, como ipê, amburana, jequitibá, o que produz uma gama de sabores muito maior”, diz ele, que trabalha para implantar o novo conceito no restaurante de cozinha brasileira contemporânea, o Guaiaó, que será aberto nesta sexta (7/10), em Santos, litoral de São Paulo.


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