Almoço executivo com glamour

É possível saborear refeições refinadas e mais baratas em restaurantes caros. Há ofertas atraentes em São Paulo e outras cidades

Marcela Besson e Viviane Zandonadi, iG São Paulo |

Flavio Moraes/Foto Arena
Pennette com ragu de linguiça e cogumelos: destaque no menu executivo do Gero
Há pouco mais de um mês, o restaurante italiano Gero, em São Paulo, estreou seu cardápio executivo. Composto de couvert, entrada, prato e sobremesa, custa 78 reais - mais ou menos a metade do que se gastaria com a mesma refeição, pedida à la carte. O anúncio do Gero, disputadíssima casa do grupo Fasano, confirma: o menu executivo está instalado na rotina de boa parte dos restaurantes mais seletos e refinados da capital paulista. Atrai um público que em geral se importa com o que come e sabe que optar por uma alternativa mais barata é uma escolha inteligente, seja para uma refeição entre amigos, solitária ou para um almoço de trabalho.

Entrada, prato principal e sobremesa por um preço fechado. A oferta de combinados de almoço, sempre mais em conta do que o serviço à la carte, existe em quase todas as grandes capitais do mundo. Em Roma, lousas na calçada exibem o chamado  piatto del giorno ou giorno menu , em Paris,  plat du jour ou dejeuner formule . E por aí vai. No Brasil, a capital nacional dos chamados almoços executivos é São Paulo. Faz sentido, por causa da grande quantidade de restaurantes e pela vocação urbana, de trabalho, de turismo de negócios.

Divulgação
Robalo crocante, do Eau French Grill: casa aboliu o menu à la carte no almoço
No Eau French Grill*, por exemplo, comandado pelo chef francês Laurent Hervé, o serviço à la carte foi abolido do almoço. Nesse horário, a função é 100% dedicada ao menu executivo, onde todos os dias há pelo menos cinco opções de pratos que refletem as características da cozinha do chef, caso da terrine de pato com pimenta verde e do robalo crocante com legumes. Servido em três etapas (entrada, principal e sobremesa), custa 68 reais. Para ter uma idéia, a média de gasto no jantar no mesmo endereço é de 125 reais por pessoa. Quase o dobro. Mas, atenção: em geral, água, sucos, bebidas alcoólicas, café e serviço não fazem parte do pacote. Pedidos à parte e sem moderação elevarão proporcionalmente a conta final.

Para compor melhor a imagem da nova geração de cardápios executivos, a primeira recomendação é afastar definitivamente a ideia de prato feito, comidinha trivial e sem personalidade. Não estamos falando de arroz, feijão, filé e fritas. O tipo de refeição destacada nesta reportagem tem sabor de alta gastronomia e assinatura de chef. É para ser saboreada com calma, de modo que se compreenda cada etapa. Tudo isso sem deixar de ser prática.

Na seleção feita pelo iG Comida, os pratos sugeridos incluem ingredientes especiais, como pato, cordeiro, bacalhau e frutos do mar, e não se esquivam de imprimir o acento da cozinha em que estão inseridos. As opções representam boa parte dos pedidos no horário do almoço – de 50% até 80%, caso do Brasil a Gosto, na região dos Jardins.

Em outras capitais

Além de São Paulo, a reportagem fez um levantamento paralelo em outras oito capitais. O almoço do tipo executivo existe, mas é menos frequente. Dos noventa restaurantes consultados de norte a sul, todos considerados referências regionais em suas especialidades, apenas quinze oferecem serviço semelhante, ou com algumas adaptações. A proporção mostra que no restante do país a oferta ainda não está tão madura. Além disso, em lugares de grande potencial turístico como Recife e Fortaleza, as promoções costumam ser suprimidas na alta temporada, quando o movimento é maior e teoricamente o negócio não precisa de atrativos adicionais.

*Após o fechamento desta reportagem, o Eau French Grill fez mudanças em seu cardápio de almoço. Além do executivo a 68 reais, passa a oferecer também o menu exclusivo, a 88 reais. Alguns pratos que estavam disponíveis no executivo, agora integram apenas o cardápio exclusivo, caso da terrine de pato com pimenta verde e do robalo crocante (foto acima).

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