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Misto de mercado, café e restaurante, novo endereço de Bolonha defende o selo de desperdício zero

Um dos princípios mais importantes do comércio justo de alimentos é diminuir o número de intermediários entre quem produz a comida e quem a consome. É disso que tratam o movimento quilômetro zero, o Slow Food (associação fortíssima na Itália), as feiras orgânicas... O novo café de Bolonha, o Alce Nero, inaugurado em janeiro, vai além nessa intenção: propõe unir o bom ao belo, com zero de desperdício.

No comando do charmoso endereço, misto de mercado, café e restaurante, está o grupo Alce Nero & Mielizia, empresa que desde 1973 reúne agricultores e apicultores biológicos e está presente em catorze países (é a maior produtora de orgânicos da Itália). Ou seja, eles já tinham produção e distribuição, faltava a venda direta. “Agora controlamos a cadeia completa”, diz Lucio Cavazzoni, apicultor e presidente do coletivo. A intenção é replicar o formato pelo país (além de Bolonha, já há um Alce Nero Caffè em Cesena, também na região da Emilia-Romana ) e, quem sabe, pelo mundo.

Funcionando direto do café da manhã ao aperitivo, a casa tem uma cozinha aberta de onde saem sopas, massas e saladas. Em outro ambiente, há um balcão com sanduíches saborosos e bonitos. E esse é outro ponto importante do lugar. “O bom e o belo andam juntos”, diz Cavazzoni. A decoração do local, que fica no térreo de um prédio histórico de Bolonha, é do Costa Group, especializado em restaurantes, que tem no catálogo de clientes o Fiat Café de Tóquio e o Eataly de Nova York. Conseguiram fazer milagre: deixar aconchegante um restaurante que fica no meio de um mercado. São 800 produtos em exposição: mesas aqui, a rúcula ali do lado.

Outro ponto interessante do projeto é ser ponta de lança do selo desperdício zero, criado pela Last Minute Market, associação da Universidade de Bolonha, encabeçada pelo presidente da faculdade de agronomia, Andrea Segrè. Além das já manjadas redução de sacolinhas plásticas, reciclagem de produtos, aproveitamento de materiais na decoração e opção por produtos sazonais, o café doará todos os ingredientes não utilizados ao refeitório da Paróquia de San Giacomo Maggiore, a 150 metros dali, responsável pela alimentação diária de 75 pessoas carentes.

Também não terá água engarrafada – na Itália, os restaurantes servem jarras de água de 1 litro, imenso desperdício se considerarmos que no cotidiano raramente as mesas passam de duas pessoas. Vem de um filtro, de graça, a água que será consumida ali (há uma versão com gás). Quem não conseguir terminar o próprio prato ganha uma “dog bag” feita de material biodegradável para levar para casa qualquer migalha que sobrar.

Alce Nero . Via Petroni, 9, Bolonha, (39) 275-9196. www.alcenerocaffe.it

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