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Curiosidades sobre os rituais gastronômicos da virada

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Dizem que morder três sementes de romã no réveillon e guardá-las na carteira até o fim do ano que começa é uma promessa de fartura. A fruta aparece nos registros bíblicos já no paraíso e vem daí sua ligação com a fertilidade e a abundância.

Não acredita? Bem, as tradições que inspiram esse e outros rituais gastronômicos do réveillon não contam, obviamente, com nenhuma comprovação científica. De qualquer modo, é difícil achar alguém que nunca tenha se rendido a uma das simpatias, mesmo que por pura diversão.

Em tese, essas tradições estão atreladas a um passado no qual as pessoas viviam estritamente dependentes da natureza. Muitos povos europeus cultivavam rituais pela fecundidade da terra e pela fartura de alimentos, afinal, em outros tempos não era nada fácil sobreviver a geadas, tempestades ou períodos de seca.

São costumes seculares, difíceis de serem identificados em uma linha cronológica. O que sabemos é que seus significados nasceram com a mitologia, o Império Romano e a tradição cristã, além dos ciclos naturais, como a época das colheitas, diz o professor Henrique Carneiro, da Faculdade de História da Universidade de São Paulo.

Na contagem regressiva para a chegada de 2010, confira curiosidades sobre as comidinhas de ano novo. Na dúvida, não custa nada tentar uma delas.

Romã
Por ter muitas sementes, remete à fartura e à fertilidade. Na Grécia, é costume esmagar uma romã na frente das casas na noite da virada ¿ quanto mais as sementes se espalharem, maior será a fortuna do ano seguinte. Também nos registros bíblicos das três grandes religiões monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo), a fruta aparece já no paraíso e estaria, por isso, mais próxima da divindade. Para quem acredita, morder três sementes de romã e guardá-las na carteira é promessa de fartura.

Lentilha
É um símbolo de sorte, principalmente para os italianos. Diz a lenda que a lentilha deve ser a primeira coisa a ser consumida na ceia, logo após a meia-noite, para que não falte dinheiro e saúde durante o ano que está chegando. Isso porque as sementinhas esverdeadas, da família das leguminosas, incham e dobram de tamanho depois de cozidas.

Uvas
Também fazem referência à prosperidade por causa das sementinhas. Na hora da virada, há quem coma três (número que remete à divina trindade), sete (conotação bíblica dos sete sacramentos) ou doze uvas (em alusão aos meses do ano). O ritual é comum especialmente entre os portugueses e espanhóis, que esperam as badaladas da meia-noite para cumprir a simpatia.

Figos
Assim como a lentilha e a romã, o figo é conhecido há muito tempo, citado inclusive nos registros bíblicos, diz Daniele Saucedo, professora de História da Alimentação, da PUC-Paraná. Ele está, desde então, associado à prosperidade. Alguns povos do Oriente ainda costumam oferecer o figo seco junto com nozes aos convidados nas festas de fim de ano. As frutas são muito significativas porque grande parte delas carrega em suas sementes a simbologia da fertilidade, completa Daniele.

Frutas secas e castanhas
Trazidas para o Brasil pelos imigrantes árabes, as frutas secas e as castanhas sempre foram associadas à fartura e à sorte por serem os alimentos resistentes, possíveis de serem armazenados durante muitos dias para garantir a alimentação.

Peixe e porco
Diz o folclore popular: aves ciscam para trás. Portanto, se quiser começar bem o ano, a carne de animais como frango e peru deve ser deixada de lado para dar lugar à do peixe. O animal, além de estar ligado à fecundidade por causa da capacidade de gerar ovas, também é citado em várias passagens bíblicas. Outra boa pedida é a carne de porco. Enquanto para alguns este animal é sujo e voraz, para outros sua carne é sinônimo de fartura. Isso porque em Portugal, no período medieval, se comiam basicamente grãos, já que carnes em geral eram escassas. Quando o porco aparecia assado na mesa, era sinal de prosperidade.

Arroz
Em países como Coreia, Japão e Noruega, o arroz é considerado um alimento que traz sorte porque simboliza e riqueza e a fertilidade. Na Tailândia, é tradição orar fazendo oferendas com o arroz.

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