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Beber e dirigir é coisa do passado; com os números de acidentes baixando e a lei mostrando que pegou, os bares estão focando em bebidinhas ¿inocentes¿

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É uma enxurrada de números, mas eles mostram um cenário bem seco: desde a aprovação da lei que pune qualquer nível de álcool no sangue de motoristas em todo o país, o número de acidentes despencou. Nos dois primeiros meses de vigência da Lei Seca, iniciada em julho, o governo federal diz ter economizado R$ 48,4 milhões com a redução de 13,6% dos acidentes fatais nas estradas, segundo dados do Ministério da Justiça. Quem não está achando a lei essa maravilha toda é o setor de bares e restaurantes, claro.

Em Brasília, a Abrasel, Associação de Bares e Restaurantes, contabilizou baixas ¿ não em mortes ao volante, mas sim em número de empregados. A restrição no consumo de bebidas alcoólicas por motoristas já teria causado, no DF, a demissão de 400 trabalhadores do ramo, além da redução de 65% nas vendas de bebidas alcoólicas e no faturamento. Mas uma outra entidade, o Detran local, também apresenta seus dados: depois que a nova legislação entrou em vigor, as operações do Samu, o serviço de emergências de trânsito, caíram 14,86% em Brasília.

Reclamações semelhantes vêm de quase todas as grandes cidades do país. A Abrasel fala em um número nacional de demissões da ordem de mais de 4.000 empregados ligados ao setor de bares e restaurantes. Mas, com a contrapartida, fica difícil chiar e se fazer ouvir. Apenas no Rio de Janeiro, o GSE (Grupamento de Socorro de Emergência) informou que o número de vítimas de acidentes de trânsito atendidas no segundo mês de Lei Seca caiu 16% em relação ao mesmo período de 2007. Seriam quase 300 atendimentos a menos ¿ e 700 vidas poupadas a cada 30 dias.

Os bares e restaurantes de São Paulo talvez sejam os mais reclamões. Ali, principalmente em bairros boêmios como Pinheiros ou gastronomicamente abastados como os Jardins, o setor diz ter muitas perdas. Mas uma pesquisa recente mostra que o público não ficou tão indignado quanto os barmen: 72% dos paulistanos aprovam a lei; 61% garantem que cumprirão a lei integralmente; 40% pretendem contar com o fabuloso amigo que não bebe para voltar para casa.

Se com relação à bebida alcoólica a coisa vem complicando, as bebidas inocentes só ficam mais populares. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café mostram que, entre 2006 e 2007, o mercado brasileiro cresceu em consumo 4,74%. Vários fatores teriam contribuído para este aumento, não apenas a Lei Seca. Mas o fato é que beber café vem parecendo mais atraente do que mandar ver numa birita e, depois, pagar multa gorda ou ver o sol nascer quadrado.

A saída para os estabelecimentos vem sendo a criatividade mesmo. Logo nas primeiras semanas da Lei Seca, vários bares já tinham disponibilizado serviços de delivery de gente. O sujeito podia beber feito um gambá e, ao final da noite, por uma quantia menor que uma corrida de táxi, era levado até a porta de casa. Cardápios também foram modificados e expandidos ¿ com invenções de drinques com pouco ou nenhum álcool. O consumo de cerveja sem álcool, por exemplo, cresceu em até 110%, enquanto os sucos subiram em 60%.


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