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Chegam ao Brasil quatro marcas especiais dos Estados Unidos. Os fãs da bebida comemoram

As cervejas
Divulgação
As cervejas "extremas" da norte-americana Flying Dog: receitas amargas, com alta concentração de lúpulo
Revistas e guias especializados em gastronomia sinalizavam que 2010 seria o ano das cervejas norte-americanas no Brasil. Dito e feito. Desde março, quatro marcas especiais, fabricadas em diferentes regiões dos Estados Unidos, aportaram por aqui e passaram a ser distribuídas com regularidade. De Nova York, a Brooklyn chegou em março trazida pela curitibana Brazil Ways. No mesmo mês, a importadora Tarantino, em São Paulo, apresentou exemplares da cervejaria Anderson Valley, da Califórnia. Na sequência, carregou também a Flying Dog, do estado de Maryland, e mais recentemente a Rogue, do Oregon. Juntas elas somam mais de trinta rótulos à disposição dos cervejeiros brasileiros. “É uma evolução. Nossas prateleiras estão cada vez mais sortidas de cervejas especiais”, avalia o especialista em bebidas César Adames.

Por cervejas especiais entendam-se aquelas cuja fabricação é geralmente feita em microcervejarias, muitas vezes de forma artesanal. Além de serem produzidas em menor escala, elas fogem do padrão de receita consolidado pelas grandes indústrias porque estão submetidas, entre outras coisas, a tempos e tipos de fermentação diferenciados. Por isso, tendem a ser muito mais aromáticas e gastronômicas. Alemanha, Irlanda, Escócia, Inglaterra e Bélgica são velhas conhecidas nesse ramo.

Sim, nós brasileiros também produzimos cervejas tipo premium: temos cerca de 120 microcervejarias trabalhando nesse nicho. O número é bom, mas infinitamente pequeno se comparado ao dos Estados Unidos, que possui ao menos 1500 fábricas especializadas nesse tipo de cerveja. Do Alasca até a fronteira com o México, o país reúne mais produtores de pequeno porte que qualquer outro lugar do mundo, segundo Adames.

“A produção dessas bebidas costuma ser limitada e se esgotar na própria região onde é fabricada. Às vezes, não há comercialização nem entre os próprios estados norte-americanos, que possuem regras rigorosas de transporte e armazenamento”, explica o especialista. Por isso, a chegada dessas quatro marcas por aqui é motivo de comemoração entre os cervejeiros.

Novo mundo cervejeiro

A história da cerveja nos Estados Unidos é, no mínimo, curiosa. Vai do conservadorismo extremo à diversidade ilimitada que hoje garante ao país a fama de “novo mundo da cerveja”.

Foram os imigrantes ingleses que trouxeram a bebida no início do século XVII. Depois vieram os irlandeses, escoceses e alemães, responsáveis por desenvolver e enriquecer a cultura cervejeira naquele país. “Houve um tempo em que cada cidade americana tinha a sua própria fábrica, às vezes até duas, e o consumo era local”, explica Gilberto Tarantino, proprietário da importadora Tarantino.

Bem mais tarde, em 1920, a Lei Seca pôs os Estados Unidos em abstinência durante treze anos. Até então, as do tipo lager, claras, leves e suaves, dominavam o paladar norte-americano, que acabou ficando empobrecido durante esse intervalo histórico de proibição.

Os goles de renovação só vieram mesmo nas duas últimas décadas. Liderado pelas microcervejarias e pelas produções caseiras, o renascimento cervejeiro norte-americano ficou marcado pela produção alternativa, com padrões próprios e, de certo modo, distantes da tradição europeia. “Os alemães são puristas, usam apenas água, malte, lúpulo e fermento. A escola americana é mais criativa”, conta Iron Mendes, da importadora Brazil Ways. Ele comenta que é comum encontrar por lá cervejas com ingredientes como abóbora, pêssego, avelã, mel, açafrão e aveia em suas fórmulas.

Lúpulo: usado em concentrações maiores, confere amargor à cerveja
Getty Images
Lúpulo: usado em concentrações maiores, confere amargor à cerveja
Lupulomaníacos

Já ouviu falar de cervejas “extremas”? É como são chamados os exemplares que usam nível elevado de lúpulo em sua fórmula. Os norte-americanos são craques nessa prática. E não é por acaso. Junto de Alemanha, China e República Tcheca, os Estados Unidos compõem o grupo de países dono de 80% da produção mundial de lúpulo.

“Na prática, este ingrediente é fundamental para conservar, aromatizar e, principalmente, equilibrar a doçura da cerveja”, explica Cesar Adames. Usado em concentrações maiores, o lúpulo confere amargor à bebida. “Essa tem sido a grande marca das cervejas americanas, mais amargas e potentes”, afirma. Para efeito de comparação, enquanto a nossa “loura” do dia a dia possui dez unidades de amargor, há rótulos americanos que chegam a oitenta, a exemplo da Hop Ottin IPA, india pale ale da Anderson Valley. “E, ao contrário do que se pensa, amargor não é defeito”, alerta Adames.

Anderson Valley
Criada no estado da Califórnia, a marca é conhecida por ser ecologicamente responsável. Usa energias solar e eólica na produção e a distribuição local de suas garrafas é feita por cavalos e carros elétricos. Entre os seis rótulos – distribuídos em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais –, o destaque é a amarga Hop Ottin Índia Pale Ale, uma das cervejas com maior concentração de lúpulo em circulação no Brasil. Os preços sugeridos pela importadora Tarantino variam de 20 a 38 reais.

Brooklyn
Leva o nome do bairro onde nasceu, em Nova York. Está na lista das principais cervejarias artesanais no país - mérito que também se deve ao seu mestre-cervejeiro Garret Oliver. Segundo Iron Mendes, da importadora Brazil Ways, as quatro versões da marca que desembarcam aqui são distribuídas em doze estados brasileiros. “Onde não há pontos de venda, nós aceitamos pedidos de encomenda, que podem ser feitos pelo site ”. A Lager, a East India Pale Ale e a Brown Ale são vendidas em versão long neck. A Local 1, uma Ale refermentada, vem em garrafa de 750 mililitros. Os preços sugeridos pela importadora variam de 9 a 39 reais.

Flying Dog
Do estado de Maryland, a marca tem o cachorro vira-lata como ícone e é famosa por rótulos divertidos – ilustrados pelo artista britânico Ralph Steadman. Das dez receitas disponíveis, quatro se encaixam no perfil das cervejas “extremas”, com alto teor de lúpulo, caso da Gonzo Imperial Porter. As garrafas podem ser encontradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais com preços que variam de 15 a 26 reais.

Rogue
Entre as microcervejarias norte-americanas, a Rogue, do Oregon, é uma das que possui maior variedade de rótulos. Além de criativa, produz o lúpulo em fazenda própria. Dos trinta tipos fabricados nos Estados Unidos, catorze chegaram ao Brasil. Quase todas as cervejas da marca contam com alta concentração de lúpulo. Os preços sugeridos pela importadora variam de 44 a 52 reais (a garrafa de 660 mililitros).

Serviço
Em Curitiba: Importadora Brazil Ways . (41) 3022-0740.
Em São Paulo: Importadora Tarantino . (11) 3093-0916



(*) Bebidas alcoólicas são proibidas para menores de 18 anos. Se beber, não dirija.