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Descobrir-se diabético não é uma sentença de alimentação sem graça ¿ e sem doce algum

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No bom e no mau sentido, a diabetes já se tornou uma doença comum. Pelo lado ruim, nota-se que a incidência do problema é crescente ¿ estima-se, por exemplo, que em 1995 era registrado que 4% da população adulta mundial tinha diabetes, e que em 2025 esse número alcançará a cifra de 5,4%. O lado bom é que, desse modo, estudos e pesquisas sobre o tema vêm ajudando os pacientes a terem uma vida mais facilitada e acesso a novos medicamentos e informações. A necessidade de cortar completamente os doces, por exemplo, não é uma realidade.

No Brasil, hoje, existem cerca de 8 milhões de diabéticos (dos quais cerca de 300 mil são menores de 15 anos de idade). O diabetes mellitus tipo 1 é uma das doenças crônicas mais comuns na infância atualmente, e uma das que mais exige adaptação nos âmbitos psicológico, social e físico, tanto por parte das crianças quanto de adultos e idosos. O diagnóstico da doença é, claro, um baque para qualquer pessoa ¿ e a primeira coisa que se pensa é nos doces que estarão, para sempre, longe de alcance. Mas não é bem assim.

De acordo com a nutricionista Talita Yamatto, que trabalha com muitos idosos portadores de diabetes, o indivíduo portador costuma ter dificuldades para restringir os doces quando eles são muito presentes na alimentação diária ¿ mas é possível superar isso com algumas estratégias, como o uso de alimentos diet e a redução gradual desses produtos. Os diabéticos precisam se lembrar, é claro, de checar não apenas a presença de açúcar, da sacarose, mas todo o perfil nutricional do alimento. Altos teores de gordura e sal são igualmente prejudiciais à saúde. Eles precisam entender seu problema, pesquisar sobre ele e tentar contornar o impacto que a diabetes traz, lembra Talita.

Mas a verdade é que o diabético pode comer doces, desde que seja de forma moderada, em pouca quantidade e esporadicamente. Aqueles que precisam se controlar mais costumam ser os idosos ¿ principalmente quando o diagnóstico da doença veio depois dos 60 anos. Mudar hábitos, nesse caso, será bem mais difícil, assim como restringir certos produtos. Pessoas mais velhas e com doenças pré-existentes devem tomar cuidado extra com a perda de peso que às vezes acompanha a diabetes, por exemplo.

Alguns conselhos dos médicos devem ser como religião para os diabéticos. O primeiro deles é evitar ficar muito tempo sem comer (sendo que o ideal é fazer pequenas refeições a cada 3 horas). É importante evitar gordura de origem animal e trans, preferindo óleos vegetais (azeite e óleo de canola são os mais indicados). Não se deve ainda fazer atividade física em jejum, beber bastante líquido, controlar o sal e certificar-se sempre, por meio dos rótulos de industrializados, de não estar consumindo substâncias que afetarão a saúde do diabético.

Um estudo feito pelo curso de enfermagem da Universidade Federal de São Carlos avaliou recentemente que, desde a descoberta do diabetes, os portadores precisam sempre fazer seu controle glicêmico e ter cuidados com alimentação e exercícios físicos, mas esses não são os únicos pontos de foco do próprio portador e das pessoas ao redor. Ouvir e compreender o diabético, entendendo suas necessidades e comportamentos, mostrou a pesquisa, é essencial e ajuda a superá-la.

A professora de nutrição Selma Aguilar concorda. Aqueles que cuidam de um filho, marido, pai ou mãe diabéticos precisam se lembrar de incentivar que a pessoa tenha uma vida saudável, sim, mas também feliz. Comer o doce predileto com moderação e com intervalos de alguns dias não fará mal, ela lembra.


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