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Conversamos com brasileiros que se mudaram para São Paulo e sentiram diferença na culinária da cidade

Todos os anos, São Paulo atrai milhares de migrantes de todos os cantos do Brasil e do mundo em busca de colocações no imenso mercado de trabalho, melhora salarial ou na qualidade de vida.

Essas pessoas trazem consigo todas as tradições da cultura de suas cidades natais e passam a tentar se adaptar com os novos costumes. Mas não é tão fácil!

Pedimos para alguns desses migrantes comentarem particularidades da culinária paulistana. Veja o perfil delas:  

Reinaldo Glioche é carioca e está em São Paulo há 20 anos. Larissa Sant’Ana é de Vila Velha (ES) e se mudou há um ano e meio. Diego Souza é de Irecê (BA) e está em São Paulo há 11 anos. Guilherme Conter é de Curitiba (PR) e está há dez meses em São Paulo, mas foi o que menos sentiu diferença. Chames Oliveira que é de São Luís (MA) e mora há doia anos na capital paulista.

Cachorro-quente

O cachorro-quente paulistano assusta muitas pessoas pela grande quantidade de ingredientes, que vão muito além da salsicha: inclua nessa longa lista purê de batata e batata palha. 

O cachorro quente paulista pode chegar a ter mais de dez ingredientes
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O cachorro quente paulista pode chegar a ter mais de dez ingredientes



Larissa (capixaba): "A primeira vez que comprei um cachorro quente em São Paulo, tive a sensação de que o moço estava montado o prato do almoço em um self-service.”

Reinaldo (carioca): “O vinagrete é bem diferente do carioca. Mas, no geral, o cachorro-quente paulista é mais completo e gostoso. Dependendo da fome, chega a ser um desperdício.”

Chames (maranhense): “Será que ele entendeu que eu pedi um cachorro-quente? Por que ele está colocando purê?”

Diego (baiano): “Na Bahia, não existe cachorro-quente prensando. Você mesmo que monta o seu e pode acrescentar tudo, desde saladas a queijo ralado.”

Guilherme (curitibano): “Em Curitiba, é igual, a única diferença é que chamamos a salsicha de vina.”

Pizza

São Paulo é conhecida como a capital da pizza e está na lista das cidades que mais consumem o prato no mundo. São mais de 12 mil pizzarias espalhadas pela cidade e muitas delas são reconhecidas mundialmente, mas a pizza paulistana é diferente das consumidas nos outros estados do Brasil. 

Nos outros estados brasileiros, a pizza costuma levar queijo não importa o sabor
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Nos outros estados brasileiros, a pizza costuma levar queijo não importa o sabor


Larissa (capixaba): “Em Vila Velha, todas levam queijo, não importa o sabor. Sempre tem ketchup, mostarda e maionese já na mesa e a gente ‘tempera’ no prato; sinto falta disso. Não existe opção de escolher se queremos a massa fina, média ou grossa.”

Reinaldo (carioca): “O fato de grande parte das pizzas - na maioria das pizzarias - não ter queijo me horroriza até hoje.”

Diego (baiano): “Na Bahia, a pizza é mais simples, costumamos achar que toda pizza ou é de calabresa ou de frango com catupiry. Não existe o leque de sabores que tem em São Paulo.”

Chames (maranhense): “Pedi pizza de calabresa, mas veio pizza de cebola.”

Guilherme (curitibano): “Sem grandes diferenças em Curitiba, lá depende mais da pizzaria.”

Feijão

O feijão feito pelos paulistas é o famoso "carioquinha". Mas, no Rio de Janeiro, por exemplo, come-se mais o feijão preto. 

O feijão consumido pelos paulista é o 'carioquinha'
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O feijão consumido pelos paulista é o 'carioquinha'




Reinaldo (carioca): “Antes de morar em São Paulo, só comia o feijão preto. Resisti ao paulistinha, mas, hoje, como os dois tranquilamente.”

Diego (baiano): “Nós baianos comemos mais o feijão carioca, mas colocamos mais condimentos no preparo. Costumamos dizer que o feijão paulista é 'sem graça'."

Larissa (capixaba): “Estou acostumada com o feijão preto, o feijão marrom não tem gosto nenhum.”

Guilherme (curitibano): “Feijão branco ou carioca, normal. Servem os dois tipos em Curitiba.”

Chames (maranhense): “Comemos os dois. Depende do dia e da receita.”

Pipoca Doce

A pipoca doce tem muitas variações de cores de acordo com as regiões e por isso muitas pessoas estranham a coloração diferente.

As variações de cores e maneiras de fazer a pipoca doce confundem muita gente
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As variações de cores e maneiras de fazer a pipoca doce confundem muita gente


Larissa (capixaba): “A primeira vez que vi a pipoca doce rosa só conseguia pensar: de qual chocolate isso é feito?! Existe chocolate rosa?!”

Reinaldo (carioca): “Não suporto essa pipoca de groselha. Para mim, a única e verdadeira pipoca doce é a caramelizada (marrom).”

Diego (baiano): “Em Salvador, encontramos todas as variedades de cores e, no interior do estado, costumamos comer a pipoca branca tradicional. Não compramos em mercados porque a maioria das pessoas produz milho de pipoca no quintal de casa.”

Guilherme (curitibano): “Só conheço a caramelizada normal (marrom)”.

Estrogonofe 

O estrogonofe em São Paulo leva champignon e é servido com arroz e batata palha, como na maioria dos outros estados. A única que sentiu diferença em relação ao prato foi a capixaba Larissa. 

O estrogonofe é o prato que menos sofre alterações entre os estados
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O estrogonofe é o prato que menos sofre alterações entre os estados


Larissa: “A cultura capixaba é colocar ervilha e milho. Eu, particularmente, não gosto, prefiro a receita dos paulistanos, com champignon.”. 

Você também estranha a comida paulista? Deixe suas experiências nos comentários!

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