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"É tirar o foco de outros problemas mais sérios do País", afirma o chef Paulo Yoller, da rede Meats

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, sancionou nesta quinta-feira (25) lei que proíbe a produção e comercialização de foie gras. O fígado gordo de ganso ou pato gera polêmica entre os ativistas em defesa dos animais, que consideram a produção da iguaria francesa cruel para os animais

O método de produção do foie gras, chamado gavage, consiste na superalimentação forçada do pato ou ganso. O animal recebe apenas milho, duas vezes ao dia, por meio de um tubo, com o objetivo de acumular gordura no fígado. Com este método, o órgão do animal cresce demasiadamente e o percentual de gordura chega a atingir de 55% a 65%.

Escalope de foie gras com pera ao vinho e molho de vinho do Porto, um dos pratos do menu de protesto do restaurante Felix Bistrot
Divulgação
Escalope de foie gras com pera ao vinho e molho de vinho do Porto, um dos pratos do menu de protesto do restaurante Felix Bistrot

A proibição, no entanto gerou revolta dos chefs. "Acho o fim da picada. É tirar o foco de outros problemas mais sérios do País", afirma Paulo Yoller, dono da lanchonete Meats. "A imagem que todo mundo tem é a de um funil na garganta do bicho, mas hoje o processo já nem é mais tão agressivo", completa.

“É uma decisão irrisória em um país onde é permitido vender tudo repleto de agrotóxicos, onde há rotulagens fraudadas, monopólio sobre venda de carnes e outras coisas do gênero aprovarem esta medida”, diz Vinicius Rioli, responsável pelo Felix Bistrot. Como resposta, o restaurante localizado na Granja Viana, em Cotia, isto é, fora do perímetro de alcance da nova lei, criou o projeto “Foie Gras dos Chefs”, um menu especial fixo com cerca de cinco pratos com a iguaria. 

O chef Erick Jacquin, jurado do programa Masterchef Brasil, e que já foi considerado o “rei do foie gras” em São Paulo, engrossa o coro da revolta. De acordo com ele, é uma vergonha o poder público se preocupar com um assunto desses perto dos enormes problemas que a cidade enfrenta, como falta d’água, segurança e altos impostos, que fazem um restaurante fechar a cada dia. “Agora, quem quiser comer foie gras terá de viajar para outra cidade”, lembra.

Outros chefs também ameaçam abrir restaurantes na divisa da cidade, para aproveitar o público paulistano sem desrespeitar, de fato, a lei.

Esse tipo de proibição já está em vigor em outro lugares do mundo, como na Califórnia, onde a lei foi sancionada em 2012. Veja reportagem em vídeo.

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