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Conheça os queijos produzidos no estado e comemore a liberdade queijeira

Queijos mineiros
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Queijos mineiros


Acabou-se o tráfico de queijo mineiro. As fronteiras das delícias lácteas feitas de modo artesanal agora foram ampliadas. O ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o governo de Minas Gerais assinaram um documento que estabelece novos critérios para o registro de queijos artesanais feitos a partir de leite cru. Agora os produtos mesmo maturados em período inferiror a 60 dias vão poder ser vendidos além das divisas de Minas Gerais. Isso significa que comprar um Canastra fresquinho em São Paulo não vai ser mais contra a lei.

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Carioca de nascença e mineiro de coração, o gastrônomo Eduardo Maya é entendido no assunto. Ele comandou uma harmonização de queijos e café e mostrou um pouco mais sobre a variedade dos queijos mineiros. E pode esquecer esse papo de queijo branco e sem gosto.

"Minas tem 200 anos de tradição na fabricação de queijos. São mais de 30 mil pequenos produtores no estado. As queijarias ajudam na economia local, cada um deles têm em média duas a três pessoas trabalhando em cada queijaria", explica o gastrônomo.

Para ter seu queijo legalizado e resgistrado as regras são claras. "A ordenha só pode ser mecânica, as vacas devem ser da propriedade do queijeiro e o queijo deve ser feito só com o coalho e o pingo do leite (fermento lácteo natural)", diz.

Os queijos em Minas são divididos em cinco regiões, que têm características diferentes entre si."Elas são Vertentes, Serro, Araxá, Serra da Canastra e Cerrado (Salitre). Além destes lugares, temos as microrregiões, como Medeiros e São Roque, que mesmo sendo localizados na Canastra são diferentes. Medeiros é árido e São Roque é verde, por exemplo", explica Maya.

Conheça alguns queijos minieirinhos, uai:

Alagoa
O queijo Alagoa é feito de leite cru de vaca e tem características que se aproximam do parmesão. É produzido em um região alta e fria (são mais de 1100 metros de altitude) que são as responsáveis por dar o apelido de "A Terra do Queijo Parmesão" à cidade de Alagoa.  Consumido fresco ou curado, o queijo passa por um processo de cozimento, prensa e salgas úmida e seca. Tem casca lisa e é salgado.

Araxá 
É um dos tipos um pouco mais ácidos, mas não é muito salgado. Tem textura amanteigada, casca fina e massa amarela clara. A casca é fina e firme e o interior é mais cremoso.

Serra da Canastra 
Este tipo de queijo ficou famoso pelos pães de queijo da chef Heloisa Bacellar , do Lá da Venda , em São Paulo. Também é produzido com leite de vaca e quanto mais curado mais picante e firme ele fica. O Canastra é levemente ácido e não muito salgado.

Serra do Salitre (Cerrado)
Tem sabor mais pronunciado, mais salgado e picante. Sua casca é mais dura e ele, geralmente, leva 30 dias de maturação para ser vendido.

Serro
O produto do serro tem sabor suave, aroma floral, acidez e textura lisa. Ele é um queijo mais úmido, já que no momento de retirar o excesso de soro não é usado um tecido chamado "volta ao mundo". O processo é feito com as mãos. 

Catauá
É um dos principais queijos produzidos na região de Campos das Vertentes. Ele tem sabor leve e uma maturação média de 25 dias.

Cabacinha
O queijo do tipo mussarela tem massa cozida amarelinha. Ele é moldado manualmente para ganhar o formato da cabaça. A história diz que deste jeito ficava mais fácil estocar o produto nos armazéns.

Requeijão de corte
Produzido em Montes Claros, o requeijão tem cor mais escura e ponto de corte. O sabor lembra o  de doce de leite, graças a um processo de queimar as natas durante a sua produção.

Leia mais: Conheça outros produtos tipicamente mineiros

Lembrou do queijo meia cura mineiro? Na verdade, ele deveria se chamar meio maturado. "A  cura é o local onde os queijos ficam maturando, ou seja, ficam "envelhecendo" para ganhar novas características de sabor, cor e textura a partir de mudanças químicas e físicas", fala Maya. O meia cura tem um período de maturação pequeno, de uma a cinco semanas.

Queijo com casca de café espresso, uma das criações de Eduardo Maya
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Queijo com casca de café espresso, uma das criações de Eduardo Maya

E sabe que dá para brincar de curar o queijio em casa? É preciso ter paciência para virar o queijo todos os dias e ficar de olho nos possíveis fungos que parecerem. Maya criou um queijo com casca de café, deixando o queijo ser impregnado por espresso e café em pó solúvel.

Última dica de pesquisador de queijo: para saber se o produto está bom para consumo é importante prestar atenção ao cheiro e fazer um truque. "Bata no queijo, ele deve fazer um barulho seco", diz Maya. 

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