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Conheça a história de um dos mais importante s livros de receitas do Brasil. Ele serviu de guia para gerações de cozinheiras, aprendizes e donas de casa

Dona Benta: gerações usaram suas páginas para preparar quitutes e organizar jantares
Edu Cesar
Dona Benta: gerações usaram suas páginas para preparar quitutes e organizar jantares


O cheirinho de bolo que invade a casa, a avó amorosa que prepara os quitutes mais gostosos e a reunião da criançada ao redor da mesa é parte das lembranças mais queridas de muita gente. Muitos desses momentos tinham um fiel companheiro, um guia, uma bíblia que salvava as donas de casa do fracasso na cozinha e orientava as boas práticas para uma comida caseira saborosa: o livro Dona Benta - Comer Bem. Lançado em 1940 pela Companhia Editora Nacional, uma a parceria de Monteiro Lobato e Octalles Marcondes Ferreira, a publicação reúne receitas de entradas, pratos principais, sobremesas e outros quitutes, além de glossário, dicas valiosas, montagens de mesas e cardápios. Presente essencial para qualquer noiva e como eles mesmos prometiam "o melhor presente para donas de casa" ou " o melhor caminho para o coração do homem".

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O  livro, que desde de sua primeira impressão já vendeu mais de 1 milhãos de cópias é mais que um livro de receitas é uma obra histórica. Já passou por algumas modificações ao longo dos anos e revela costumes de cada época. "As primeiras edições do livro eram feitos quase com uma linguagem oral. As quantidades mudaram, por exemplo. Usar um ovo antigamente é diferente de usar hoje em que a gema parece de ovo de codorna". Havia ainda receitas com tartarugas e passo a passo de como matar um peru. "O livro era mais um guia, muita dona de casa sem experiência deve ter dado trombada com as receitas e isso foi corrigido para medidas mais padrões", explica Luiz Cintra, o chef de cozinha que foi responsável pela revisão do livro em 2003. 

Dona Benta: 1500 receitas de doces e salgados
Edu Cesar
Dona Benta: 1500 receitas de doces e salgados

Algumas receitas antes desconhecidas passaram a ser familiares, enquanto outras entraram em desuso. "Muitos canapés e drinques da década de 40 e 50 foram limados, inclui alguns modismos da época, como o risoto e o carpaccio. Se fosse revisar hoje, adicionaria receitas da cozinha asiática, como o yakissoba, um prato que todo mundo gosta", diz Cintra. "Com certeza, daqui 5 anos teria que mudar. A gastronomia é como a moda. Elas são feitas de ciclos que se alternam e de releituras dos clássicos", complementa. 

A linguagem também era diferente e foi se modernizando com o passar do tempo. "Minha mãe tem uma edição muito antiga desse livro. Há alguns anos, quando eu quis fazer creme de milho pela primeira vez, fui procurar a receita, que dizia pra debulhar a espiga (eu tinha duas latas na minha frente) e depois "pra levar ao lume..."  que eu não tinha ideia do que isso queria dizer. Adaptei a receita com ajuda da minha mãe e aprendi um pouco de português", conta a internauta Paula Medeiros Pisani.

O livro reúne 1500 receitas e se mantém firme e forte nas preteleiras das livrarias e nas estantes das casas, mesmo sem fotos ou edições high-tech. "Ele se tornou uma referência e a questão das fotos é importante, sem elas o livro não fica com uma data marcada, fica atemporal. Existem muitos concorrentes hoje em dia, mas o Dona Benta é histórico e fonte de pesquisa", diz Cintra.

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