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A chef Ana Luiza Trajano, do Brasil a gosto, passou 20 dias em uma aldeia no Acre e ensina duas receitas saborosas e cheias de tradição

A chef Ana Luiza Trajano viajou 22 horas de São Paulo até o Acre para mais uma etapa de pesquisas sobre a gastronomia brasileira. O menu da vez do Brasil a gosto é fruto de 20 dias de convivência com os índios da tribo Yawanawá. Caça, banana e mandioca não faltam nos novos pratos e nem no dia a dia do Povo da Queixada, como também é conhecida a comunidade indígena.

Ana trouxe diversos elementos da cultura da tribo acreana, mas adaptou alguns sabores na hora de criar os pratos do cardápio do restaurante. Por lá, nada de sal, açúcar ou fritura e tudo é cozido junto. "Aqui ficaria difícil não usar o sal. Eu também criei uma sobremesa que não é hábito dos índios, mas que não poderia faltar para fechar o menu", explica, referindo-se ao pudim de banana nanica com castanha do Pará e beiju de tapioca. 

Aprenda duas receitas baseadas nas tradições indígenas:

BOLINHO DE BANANA COM PIRARUCO DESFIADO

PINTADO NA FOLHA DE BANANEIRA COM PIRÃO DE PEIXE

Ingredientes

A banana verde é muito usada pelos Yawanawá e as suas folhas também servem como embalagem para o cozimento dos peixes. A pesca é rudimentar, mas é uma das bases principais da alimentação e compõe o novo menu. Já para as carnes de caça é necessário mais sorte. A paca servida no restaurante, por exemplo, é rara e considerada uma iguaria na tribo.

Entre os Yawanawá é comum servir a comida em cumbuca de barro disposta em folhas de bananeira. Na versão paulistana, duas louças foram criadas inspiradas em lendas locais pela artista plástica Gisele da Gandolfi, da Muriqui.

Para quem quiser provar o menu completo, a degustação custa R$ 189 e R$ 220 para a opção de harmonização com vinhos Salton.

Experiência

Depois de viajar de avião, ônibus e lancha voadora, Ana Luiza foi recepcionada com um ritual de purificação com dança e corpos pintados com urucum e jenipapo para espantar todas as energias da cidade. “A sensação de surpresa e emoção se misturou ao cheiro da resina sagrada queimando no centro da roda dançada, no terreiro do cacique”, conta Ana.

Para desvendar os costumes, a chef ganhou a ajuda e a amizade das índias Ana Luiza e Marizete. Elas serviram como guia de tradições e, principalmente, de cozinha. Ana dormiu na rede, tomou banho de rio, ouviu muitas histórias e mergulhou nos costumes da tribo. Viu e aprendeu técnicas indígenas para processar os principais ingredientes da região e conservá-los. Ela só não pescou e caçou porque lá divisão de trabalho é assunto sério. As mulheres têm como obrigação serem prendadas, boas cozinheiras e cantar suavemente, enquanto os homens devem ser trabalhadores, fortes e bons caçadores.

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